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Sombrio e doloroso, ‘El Camino’ é um bem-sucedido epílogo de ‘Breaking Bad’

Em Breaking Bad, Jesse Pinkman (Aaron Paul) chegou a funcionar nas duas primeiras temporadas como um alívio cômico ao complexo e conflituoso drama da vida de Walter White. Desde o primeiro momento quando conhecemos Jesse, o personagem vivido por Aaron Paul conquistou o espectador pelo carisma e pelas expressões que sempre terminavam em “bitch”, sendo memes quase que instantâneos nestes tempos modernos. Aquela combinação de inocência e de fazer quase sempre tudo errado foram se perdendo rapidamente, dando lugar a um personagem marcado por traumas e por um instinto de sobrevivência. E é isso que El Camino, filme que começa exatamente de onde Breaking Bad terminou e disponível na Netflix Brasil, abraça ao dar uma merecida resolução a Jesse Pinkman.

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Por que aguardar a próxima estreia de Greta Gerwig, Mulherzinhas

A gente começou a acompanhar Greta Gerwig em Frances Ha, quando ela interpretou uma moça de quase 30 que se sente perdida por não acompanhar as mudanças das vidas das pessoas ao seu redor. A personagem foi uma criação de Greta com o diretor Noah Baumbach, e desde então a cineasta vem trazendo à tela personagens femininas interessantes.

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Bacurau é um filme de resistência lançado no momento certo

A dupla de diretores e roteiristas de Bacurau, Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (que estreia em direção mas trabalhou com Kléber Mendonça Filho em todos os seus filmes assinando o design de produção dos seus longas e curtas metragens), têm dito nas entrevistas de divulgação do filme que “a realidade brasileira é que acabou convergindo na direção da ficção do filme”. Tendo o projeto iniciado formalmente há dez anos e filmado no início de 2018, o retrato violento e opressor do Brasil distópico retratado no filme guarda muitas coincidências com a própria realidade que vivemos hoje. Quando saiu com o prêmio do júri em Cannes (dividido com o longa francês Les Misérables), o Brasil vivia um forte debate político e protestos contra os cortes de orçamento no ministério da Educação e também à sombra da possibilidade de fim da Agência Nacional de Cinema (Ancine) ou censura de projetos fomentados pelo governo.

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Tarantino faz retrato vibrante e melancólico da indústria em Era Uma Vez Em… Hollywood

Desde que Era Uma Vez Em…Hollywood foi anunciado por Tarantino como o seu nono filme, o diretor compilou uma lista de dez longas-metragens para os fãs e mais curiosos assistirem antes de ver seu novo trabalho, na tentativa de preparar (ou educar) os espectadores para o que pretendia contar. Todas eram obras entre as décadas de 50 e 60, transitando entre duas eras que em alguns anos se transformariam em um abismo. No final de 1969, a Hollywood que o mundo conhecia não seria mais a mesma. Começaria, assim, o movimento da Nova Hollywood e de filmes independentes, lançando ao estrelato nomes como John Cassavetes, Francis Ford Coppola, Robert Alltman, Martin Scorsese e Monte Hellman (só para citar alguns nomes). Há um evento que lança essa nova geração: o brutal assassinato da atriz em ascensão da época, Sharon Tate, cometido pelo clã de Charles Manson.

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