Cinema

10 decepções do Oscar difíceis de esquecer

Não importa o quão sério você leva o Oscar, há sempre alguma irritação no final da cerimônia por algum filme (ou algum ator/atriz) ter roubado a estatueta de quem (julgamos) mais merecia. E no dia seguinte isso é tudo que se consegue lembrar e comentar com os amigos, mais até do que os próprios vencedores em si.

Dando continuidade à nossa semana de artigos especiais sobre o Oscar, já que a premiação acontece no próximo domingo (26), listamos abaixo dez grandes decepções que ainda hoje são impossíveis de acreditar que realmente aconteceram. Mas a história está aí para provar. Veja abaixo:

10. Marcia Gay Hardem vence prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por Pollock (2001)

Acompanhando a cerimônia a gente sabe que a corrida pela estatueta é vencida nas premiações que antecedem Oscar. Os prêmios dos sindicatos são grandes indicadores do que pode acontecer na cerimônia. Mas eles nem sempre estão corretos. Basta lembrar que a atriz Marcia Gay Hardem, quando venceu em 2001 o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Pollock, não venceu nenhum outro prêmio antes da premiação. Naquele ano a favorita era Judi Dench (por Chocolate), que havia vencido o prêmio do Sindicato dos Atores (SAG Awards).

Judy Garland em Nasce uma Estrela. | Foto: Reprodução

9. Grace Kelly vence favoritismo de Judy Garland como Melhor Atriz (1955)

É bom deixar claro que o Oscar é, digamos assim, um prêmio que não deve ser levado inteiramente a sério. É entretenimento, puro e simplesmente. A gente diz isso porque a talentosa atriz Judy Garland nunca ganhou um Oscar. E outros nomes de enorme talento também estiveram na fila e nunca receberam essa honra, o que não desmerece em nada o trabalho que eles fizeram ou o quanto eles são talentosos.

Porém, Judy Garland tinha uma chance real de vencer como Melhor Atriz em 1955 quando protagonizou o musical Nasce uma Estrela. Garland venceu vários outros prêmios naquele ano, mas quando chegou no Oscar os votantes decidiram por Grace Kelly, pelo (pouco expressivo) filme Amar é Sofrer.

Campanha de Harvey Weinstein deu prêmio a Juliette Binoche. | Foto: Reprodução

8. Juliette Binoche surpreende e vence Lauren Bacall como Melhor Atriz Coadjuvante (1997)

O Oscar de 1997 foi um dos mais estranhos. É preciso explicar como um filme tão ruim como O Paciente Inglês conseguiu despertar tanta atenção e vencer tantas estatuetas: a massiva e agressiva campanha do distribuidor Harvey Weinstein. A atriz Lauren Bacall sabe bem disso.

Indicada por O Espelho Tem Duas Faces e favorita a vencer, porque esta seria uma boa oportunidade de premiar a sua carreira e não apenas a sua atuação (que é maravilhosa no final, por sinal), a Academia deu o prêmio para Juliette Binoche e sua sofrível atuação em O Paciente Inglês. Bacall nunca superou o ocorrido, contando mais detalhes sobre o assunto em sua autobiografia – na qual ela inclusive admite que gostaria muito de ter vencido aquele Oscar. A gente também, Bacall.

Art Carney venceu Oscar em 1975. | Foto: Reprodução

7. Art Carney ganha de Al Pacino e Jack Nicholson (1975)

O que não aconteceu com a atriz Lauren Bacall já havia acontecido muitos anos antes com o ator Art Carney: a Academia gosta de premiar atores/atrizes por suas longas contribuições, ainda que o papel no qual estão indicados não seja o melhor. Esse é o único motivo que explica como Art Carney, indicado a Melhor Ator por sua atuação em Harry e Tonto, conseguiu derrotar na mesma cerimônia Al Pacino, indicado por Poderoso Chefão: Parte II, e Jack Nicholson, que estava na categoria por Chinatown. Pois é… A gente sabe que você deve estar de boca aberta agora.

Roberto Begnini ganhou Filme Estrangeiro e Melhor Ator | Foto: Reprodução

6. Roberto Begnini vence como Melhor Ator por A Vida é Bela (1999)

As coisas começarão a ficar complicadas a partir de agora. Então, é bom ir se segurando na cadeira ou em qualquer lugar onde você esteja, caro leitor. A Vida é Bela é um bom filme e Roberto Begnini está bem também. Mas em 1999 tinha Edward Norton (do ótimo A Outra História Americana), Nick Nolte (do clássico Temporada de Caça) e Tom Hanks (pelo sempre lembrado O Resgate do Soldado Ryan). É inexplicável que a estatueta tenha ido para Begnini, que deu um show ao sair pulando de cadeira em cadeira pelo Kodak Theatre. Legal, mas não merecia.

Polemicas marcaram a vitória de Crash. | Foto: Reprodução

5. Crash é escolhido Melhor Filme (2006)

Historicamente, o Oscar é uma premiação também envolvida sob muitas polêmicas. O ano de 2006 não deve ser esquecido pelos votantes da Academia quando a maior parte deles foram acusados de serem homofóbicos, porque claramente o favorito a vencer naquele ano era o delicado e lindo O Segredo de Brokeback Mountain. Mas aí o filme sofreu forte rejeição e o Oscar acabou ficando para Crash. Sim, Crash. Difícil de aceitar até hoje isso.

Grande favorito, Coppola perdeu a estatueta para Bob Fosse | Foto: Reprodução

4. Bob Fosse ganha de Francis Ford Coppola (1973)

Dissemos que as coisas começariam a ficar mais nervosas. Poderoso Chefão: Parte I ganhou todos os prêmios importantes da noite em 1973: filme, ator, roteiro e mais uma cassetada de estatuetas. Ninguém esperava, no entanto, que o diretor Bob Fosse (Cabaret) vencesse Francis Ford Coppola e fosse escolhido como o Melhor Diretor. Foi um choque, mas aconteceu.

Mais uma para a conta de Harvey Weinstein. | Foto: Reprodução

3. Shakespeare Apaixonado ganha de O Resgate do Soldado Ryan (1999)

E os irmãos Weinstein atacam novamente: parecia tudo encaminhado para a vitória de O Resgate do Soldado Ryan considerando que Steven Spielberg recebeu a estatueta de Melhor Diretor. Mas aí eis que uma grande surpresa acontece: Shakespeare Apaixonado ganha como melhor filme e deixa todo mundo perplexo. Assim é o Oscar e foi ficando cada vez mais claro que quanto mais agressiva a campanha, maiores são as chances de vitória. Não é só a qualidade que conta.

O começo do “diretor sem um Oscar” para Martin Scorsese. | Foto: Reprodução

2. Kevin Costner tira o Oscar das mãos de Martin Scorsese (1991)

Dança com Lobos é um bom filme, reprisado pela TV aberta algumas vezes. Mas foi em 1991 que a narrativa “o melhor diretor que não tem um Oscar” começou. Martin Scorsese estava indicado pelo seu clássico filme de gângster Os Bons Companheiros. Era o filme mais falado da época, era aquele trabalho de Scorsese que todos admiravam e que tinha a sua assinatura. Mas aí Kevin Costner foi escolhido, enquanto que Scorsese teve que esperar até 2007, quando venceu pelo filme Os Infiltrados.

Forrest Gump tem seus fãs, mas Pulp Fiction e Um Sonho de Liberdade mereciam muito mais. | Foto: Reprodução

1. Forrest Gump “derruba” Pulp Fiction e Um Sonho de Liberdade (1995)

Forrest Gump foi um filme muito aclamado na década de 90 e continua tendo seus fãs e sendo referenciado em outras produções ao longo desses anos. Mas competindo na categoria de Melhor Filme com dois clássicos, Pulp Fiction e Sonho de Liberdade, a vitória de Forrest Gump não deixa de ser surpreendente. O filme estrelado por Tom Hanks continua ser lembrado, mas são Pulp Fiction e Um Sonho de Liberdade que são vistos como experiência cinematográficas inesquecíveis.

Menção Honrosa: Cidadão Kane perde o Oscar de Melhor Filme (1942)

Considerado o melhor fiilme de todos os tempos pelas mais variadas listas ano após ano, Cidadão Kane não foi visto dessa forma pela Academia em 1942, preferindo entrega a estatueta para o “esquecível” Como Era Verde o Meu Vale. Mais uma vez, votantes que eram próximos ao magnata William Randolph Hearst com certeza se sentiram desconfortáveis em votar em Cidadão Kane, cujo personagem “Charles Foster Kane” foi totalmente inspirado.

Como dizem alguns por aí: problema é do Oscar.

E fiquem ligados! Nesse domingo (26) o Trívia Mail fará uma LIVE no Facebook antes da cerimônia do Oscar, às 18h, para analisar as principais categorias e fazer previsões de quem tem mais chances de vencer!

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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