Cinema

‘A Guerra dos Sexos’ merece ser visto por quem gosta ou não de tênis

Seria bom começar esse artigo acreditando que a desigualdade de oportunidades e salários entre homens e mulheres ficaram perdidas na década de 70, época na qual o filme Guerra dos Sexos é ambientado. Mas não posso dizer isso, considerando que o momento de estreia desse novo trabalho dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine e Ruby Sparks: A Namorada Perfeita), que traz ainda a atriz vencedora do Oscar Emma Stone, é mais do que apropriada para retratar também um pouco sobre esses tempos que vivemos – apesar dos avanços.

Por causa disso, mulheres se acostumaram a ter que provarem seu valor para serem ouvidas. E com a tenista Billie Jean King (Emma Stone, que impressiona pelas poses e maneiras masculinas de andar) não foi diferente. Logo após sua vitória no US Open de 1972 e de ter alcançado a liderança no ranking, ela descobre que a USTLA, chefiada por Jack Kramer (Bill Pullman), iria oferecer uma premiação oito vezes maior ao campeão masculino do que o prêmio pago às mulheres. É então que Billie Jean King se aproveita do seu status de melhor jogadora de tênis da época para se rebelar e fundar a própria liga feminina, a WTA, com o apoio de sua agente Gladys Heldman (Sarah Silverman) e outras jogadoras do circuito.

Enquanto isso, querendo surfar no sucesso de Billie Jean King e em toda a atenção que ela vinha recebendo da mídia, o tenista aposentado e falastrão Bobby Riggs (Steve Carrell, em um papel ótimo para colocar o seu humor), que se auto-intitula como “porco-chauvinista”, a desafia para uma partida que seria uma batalha de sexos prometendo que, com os seus cinquenta e poucos anos, conseguiria vencer King (então com 29 e no auge) e provar que os homens eram melhores que as mulheres, mais fortes, talentosos e capazes de lidar melhor com pressão. King recusa, mas acaba cedendo no final das contas e sua vitória acachapante dá início a uma revolução.

Foto: Reprodução

Mas a verdade é que A Guerra dos Sexos não é apenas sobre essa partida histórica assistida por mais de 90 milhões de pessoas (quase uma audiência de Super Bowl). O jogo é um fio condutor para discutir sobre igualdade entre homens e mulheres, mas também para retratar os conflitos de Billie Jean King vivendo o auge da sua carreira e dividida entre o seu casamento com Larry King (Austin Stowell) e sua paixão por Marilyn Barnett (Andrea Riseborough). Além disso, passagens como o tratamento com gelo nos joelhos que King passava após os jogos ilustra ainda mais que não há diferenças entre homens e mulheres. Elas são sim mais vaidosas que os homems. Porém, no final, todos são atletas, tentam dar o melhor de si e precisam abdicar de muita coisa para terem sucesso. O principal e que mais faz falta é a liberdade, algo que King se questiona por não conseguir assumir o seu romance com uma mulher.

Só que é bom relembrar que A Guerra dos Sexos é um filme assinado por Dayton e Faris. E tudo o que eles menos querem é transformar a narrativa em um drama pesado. Isso fica claro desde a escalação dos atores, todos com algum pé na comédia. Até o próprio ritmo adotado no início do filme, criando uma dinâmica não muito comum para cinebiografias como as conhecemos. Isso não chega a ser ruim, porque no final A Guerra dos Sexos oferece duas horas de bom divertimento. Por outro lado, o roteiro escrito por Simon Beaufoy (Quem Quer Ser um Milionário?) ocasionalmente passa por alguns momentos com certo desinteresse e não se aprofunda de verdade naquilo que está contando. Isso não diminui a importância que o filme tem, mas Billie Jean King merecia um pouco mais de peso.

Assista o trailer:

A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes, 2017)
Direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris
Roteiro: Simom Beaufoy
Elenco: Emma Stone, Steve Carrell, Sarah Silverman, Andrea Riseborough, Austin Stowell e Bill Pullman,
Duração: 121 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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