The Birth of a Nation (2016) foi o grande filme vencedor do Festival de Sundance e tornou-se imediatamente uma grande aposta para as premiações de fim de ano do circuito independente. Dirigido, escrito e protagonizado por Nate Parker, o filme conta a história de Nat Turner que liderou a rebelião de escravos na região de Southampton, nos Estados Unidos. O filme ganhou tudo o que poderia, muita notoriedade e fo comprado por um valor recorde pago por um estúdio em Sundance: US$ 17.5 milhões de dólares, desembolsados pela Fox Searchlight.

Tudo estava indo aparentemente bem e o filme estava agora pronto para construir a sua carreira em festivais internacionais ao redor do mundo. Mas desde que uma antiga história envolvendo o passado de Nate Parker veio à tona, The Birth of a Nation está com um futuro bastante indefinido. Ele é acusado de ter estuprado uma estudante no campus universitário de uma faculdade dos EUA em 1999. Em artigo publicado no site Ebony, o ator negou as acusações e disse que é inocente.

“É muito difícil falar sobre injustiça e não lidar com o que está acontecendo agora. Quando ouvi as primeiras notícias sobre o caso de que o meu passado tinha vindo à tona, minha reação instintiva foi egoísta. Eu não estava pensando sobre a potencial mágoa dos outros. Eu estava pensando sobre mim mesmo”, disse ele em uma passagem da entrevista.

A vítima chegou a prestar depoimento em 1999 e fez acusações formais à Nate Parker. Porém, durante o julgamento em 2001, não foram encontradas evidências que servissem de base para as alegações da estudante e, por isso, o caso foi arquivado. As acusações envolvendo Nate Parker ganharam ainda mais importância quando o irmão da vítima confirmou a sua morte em 2012, por overdose de remédios para dormir ao ingerir 200 dessas pílulas.

Elenco de 'The Birth of a Nation'. | Foto: Reprodução
Elenco de The Birth of a Nation. | Foto: Reprodução

Agora, tornou-se muito mais difícil separar o artista (Nate Parker) da arte que ele criou (The Birth of a Nation), já que esse filme é um sonho antigo no qual ele colocou dinheiro (que sequer tinha) para realizar esse enorme projeto. No entanto, toda aquela “magia” que cercava o filme durante o primeiro semestre se dissipou completamente nas últimas semanas. O American Film Institute (AFI), por exemplo, cancelou recentemente a exibição do longa-metragem que seria seguida de um debate com o próprio Nate Parker

A atriz Gabrielle Union, vítima também de estupro quando mais nova, e atua ao lado de Nate Parker no filme ao viver uma mulher negra que também sofreu estupro (e por isso permanece em silêncio em praticamente todo o tempo), escreveu uma carta que foi publicada pelo jornal Los Angeles Times na semana passada. Nela, Union conta que está em um estado de confusão desde que soube da história porque, quando ela decidiu participar desse projeto, ela também quis dar voz à sua personagem.

“Em seu silêncio, ela representa inúmeras mulheres negras que foram e continuam sendo violentadas. As mulheres sem voz, sem energia elétrica. As mulheres em geral. Mas as mulheres negras em particular. Eu sabia que podia sair do nosso filme e falar com o público sobre o que é a sensação de ser um sobrevivente”, escreveu.

Claro, esse tipo de acusação minaria qualquer filme. Mas muito mais The Birth of a Nation por contar uma história de perseverança e consciência social. Segundo o jornal The Washington Post, houve muito debate dentro e fora da indústria nas últimas semanas. O Festival de Toronto, por exemplo, que começa nesta quinta-feira (8), pretende debater melhores práticas que envolvam as distribuidoras e produtoras em terem mais detalhes sobre as produções que compram.

Enquanto isso, os cinemas pretendem exibir The Birth of a Nation e deixarão a decisão para o público, se eles querem ou não ver o filme. No entanto, a esse ponto, é muito difícil que The Birth of a Nation consiga fazer aquele barulho esperado nas premiações quando o filme foi o principal destaque em Sundance.

[Crédito da Imagem: Divulgação]

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