Desde que voltou a assumir o controle da franquia Alien com o lançamento de Prometheus (2012), o diretor Ridley Scott avisou que pretende fazer mais uns seis filmes a depender da resposta nas bilheterias. Confesso que olhando para esse número enorme de produções fico preocupado: o que será que Ridley Scott quer/pretende fazer? Uma resposta é clara: o diretor quer responder como o Alien foi criado, o porquê desse hospedeiro ter mandado um sinal no filme de 1979, à época da espaçonave Nostromo e da equipe liderada por Ripley, e como surgiu essa presença estranha no espaço.

Mais seis filmes parece um exagero absurdo porque a impressão que fica em Alien: Covenant, a sequência lógica de Prometheus e que serve como prequel para o filme de 1979, é de que a história está apenas se repetindo e, com seis filmes em mente, a promessa de entrar em um loop eterno sem muita relevância parece inevitável. Mas, então, o que torna Alien: Covenant um bom filme? Justamente pela presença do Alien e das sequências de suspense, que se não causam mais tanto medo ou surpresa como nos filmes da década 70 ou 80, ao menos aliviam um pouco essa tentativa de elevar a franquia a discussões mais profundas que o roteiro tanto quer entrar.

Roteirizado por quatro roteiristas, Alien: Covenant segue a tripulação da nave de colonização Covenant, que saiu da Terra com o objetivo de chegar na órbita de um novo planeta que eles julgam ter a oportunidade de recomeçarem e reconstruirem suas vidas – isso após as irresponsabilidades que eles mesmos cometeram e os levaram a sair da Terra, um planeta basicamente em ruínas pela presença humana. Mas no caminho eles encontram um sinal de um outro planeta com perfeitas condições (ou até melhores) do que o destino que eles pretendem chegar. No entanto, ao adentrar nessa região, a tripulação se depara com a estranha presença de uma criatura desconhecida e, em seguida, com o sintético David (Michael Fassbender), o único sobrevivente da nave Prometheus.

Foto: Reprodução

O início de Covenant, por sinal, marca um ponto de partida para a criação de David – o primeiro sintético da sua geração desenvolvido pela companhia comandada por Peter Weyland (Guy Pearce). Seu questionamento sobre por quê ter sido criado é o que motivou a tripulação do Prometheus quando eles foram em busca de respostas sobre quem de fato criou a raça humana, renegando a teologia como conceito de criação de tudo. O objetivo da Covenant é outro, apesar da história amaldiçoada da Prometheus ter chegado aos ouvidos dos tripulantes da Covenant. No entanto, parece que a única que lembrou disso foi a oficial Daniels (Katherine Waterston) que, ao contrário dos outros tripulantes, acredita que a nave não deve pousar nesse planeta desconhecido e continuar seguindo seu rumo.

E sem qualquer surpresa, ela é a única que estava realmente correta. Aos poucos o ar mais sombrio e amedrontador vai tomando conta e eles percebem o quão perigoso esse lugar é. Quando eles encontram David, que surge no primeiro instante como salvador, a tripulação confia no robô. Mas como já aprendemos desde 2001: Uma Odisséia no Espaço, os robôs não são exatamente seres confiáveis e não demora muito para a máquina se rebelar contra o ser humano. É assim que Ridley Scott começa a responder seu obsessivo questionamento, explicando a criação do Alien a partir da rebelião de David contra o seu criador (e toda a raça humana) ao desenvolver um ser cujas mutações evoluem a partir do momento que eles conseguem encontrar um hospedeiro, ou seja, uma máquina criada por outra máquina com o único objetivo de dizimar os humanos.

Normalmente nesses momentos de muitas teorias, Alien: Covenant se perde porque as ideias vão sendo jogadas pelo roteiro enquanto tentamos traçar qualquer relação com os filmes originais. Agora com tantas possibilidades de efeitos especiais e visuais, a própria experiência sombria e aterrorizante do Alien perdem também um certo impacto porque a claustrofobia e a crueza daqueles filmes dão lugar a uma produção que se caracteriza mais pela ação do que pelo medo. Entretanto, Alien: Covenant é um filme que sabe mais onde quer chegar – ao contrário do seu antecessor. Notar essa tentativa é elogiável, porque essa sequência passa longe de ser um filme descartável como tantos outros da franquia – apesar de não conseguir colocá-lo no mesmo patamar dos originais.

Assista o trailer:

Alien: Covenant (idem, 2017)
Direção: Ridley Scott
Roteiro: John Logan, Dante Harper, Jack Paglen e Michael Green
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterson, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir e James Franco (participação)
Duração: 120 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *