Cinema

Apesar da atuação de Gary Oldman, ‘O Destino de uma Nação’ não captura momento histórico

Histórias da Segunda Guerra continuam sendo contadas, e relevantes, porque há um interesse e fascínio em saber como os países conseguiram lutar contra o poderio de Hitler e o avanço do exército alemão que ocupou várias regiões da Europa em um piscar de olhos. É aí que entram personagens importantes que fizeram história, como é o caso de Winston Churchill, que não era cotado para o cargo de Primeiro-Ministro na Grã-Bretanha, mas sua liderança e poder de decisão foram cruciais para a Inglaterra se recuperar no conflito.

O Destino de Uma Nação retrata o Primeiro-Ministro justamente no momento mais crítico da batalha, quando a invasão alemã à ilha parecia iminente após a tomada da França e outros países vizinhos. Elogiado por todos, o ator Gary Oldman vive Winston Churchill com enorme intensidade e esforço. Porém, sua tentativa de impressionar a audiência com sua atuação culmina em algo que permeia o filme do início ao fim: falta de empatia e inconstância.

E explico: após ver John Lithgow interpretar Winston Churchill (é verdade que em outro momento da História) na 1ª temporada da série The Crown, sinto um apreço e carinho muito mais por aquela figura do que por essa trazida por Gary Oldman. O trabalho do diretor Joe Wright (Orgulho e Preconceito, Anna Karenina) também não ajuda. Ele tenta deixar a sua marca em cada enquadramento ou passagem do filme. Sua mão pesada não deixa a trama fluir, esbarrando em sérios problemas de tornar as cenas ensaiadas ou piegas demais.

Outro problema de O Destino de uma Nação é a falta de interesse que o filme começa a provocar à medida que avança e vai deixando nítido que poucas reviravoltas serão trazidas para a narrativa, isto é, não assisti esperando que uma surpresa fosse inventada (não tem como mudar a História, certo?), mas o roteirista Anthony McCarten (A Teoria de Tudo) poderia oferecer um tratamento diferenciado. A cena do metrô é um bom exemplo de como quebrar o ritmo normal dos acontecimentos. É uma sequência piegas? Nossa, bastante. Mas talvez seja o melhor momento do filme, o mais lúcido tanto do roteiro, quanto do diretor – e mais ainda do próprio Gary Oldman.

O Destino de uma Nação não oferece muito além da “grande performance de Gary Oldman”, como muitos têm dito há um bom tempo. Apesar de outras boas cenas, como a longa filmagem de cidadãos britânicos caminhando nas ruas da cidade e vivendo suas vidas enquanto a guerra acontecia, faltou a O Destino de uma Nação capturar a urgência e a agonia do momento – como muito bem Dunkirk fez – que o filme tenta empregar mas não nos absorve para a sua narrativa. Assista o trailer:

O Destino de uma Nação (Darkest Hour, 2018)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ben Mendelsohn, Stephen Dillane e Ronald Pickup.
Duração: 125 minutos

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