As dez melhores séries de 2017 (até o momento)

Foi um primeiro semestre de muitas boas séries para assistir. Teve novatas estreando que se transformaram em gratas surpresas e outras veteranas que retornaram com grandes temporadas. Antes de você conhecer a lista, uma breve explicação: ainda não terminei The Leftovers. A série entraria nessa lista, mas estou finalizando e ela definitivamente estará na que eu publicar no final do ano.

Dito isso, conheça aí as dez melhores séries de 2017 que eu assisti nesse primeiro semestre.

Menção Honrosa: Le Bureau Des Légendes (3ª Temporada • Canal+)

A série francesa Le Bureau des Légendes começou a exibir sua terceira temporada em Junho. Após alguns episódios assistidos tive que arranjar espaço para essa série entrar na lista. Acompanhando a jornada do agente francês Paul Lefebvre, que no fim da 2ª temporada é capturado pelo Estado Islâmico (Daesh), Le Bureau des Légendes continua estabelecendo um tom muito real e político sobre a crise que o mundo enfrenta, com o conflito na Síria que já dura seis anos, a imigração em massa para o continente europeu e a reação da Europa frente a toda essa crise. Sou viciado em histórias de espionagem. E acompanhar Le Bureau Des Légendes tem sido muito bom.

10. The Handmaid’s Tale (1ª Temporada • Hulu)

Em tempos de tantas incertezas políticas, seja aqui no Brasil ou nos Estados Unidos, essa série adaptada do romance da escritora Margaret Atwood ganhou uma relevância inesperada, mas percebida por qualquer um que tenha assistido a série do Hulu. Elizabeth Moss está impecável como June, que vive restrita em um mundo cuja participação da mulher se resume a servir como barriga de aluguel dada as dificuldades de reprodução enfrentadas nesse mundo distópico. The Handmaid’s Tale apresenta alguns problemas no miolo da temporada, mas não se pode deixar passar despercebida a relevância que a série tem.

9. Better Call Saul (3ª Temporada • AMC/Netflix)

Essa foi a temporada que oficialmente Jimmy McGill se transformou em Saul Goodman. A explicação não é nada demais – e talvez esse nem seja o principal cliffhanger da temporada. Better Call Saul reservou as surpresas para o último episódio, enquanto vem construiu pouco a pouco uma narrativa que dá espaços para ser trágica; a relação insustentável entre e Jimmy e seu irmão Chuck; o trabalho exaustivo de Kim que quase lhe tira a vida; e a disputa no cartel entre Salamanca e Gus Fring para saber quem vai tomar conta dos negócios. Better Call Saul leva tempo para desenvolver a narrativa, mas nos compensa com incríveis momentos de atuação, roteiros inteligentes e uma direção que é pensada para um formato mais abrangente do que a TV.

8. Feud: Bette and Joan (1ª Temporada • FX)

O título (“You Mean All This Time We Could Have Been Friends”) do último episódio da temporada de estreia de Feud, mais uma série antológica de Ryan Murphy, explica a melancolia presente na narrativa da série ao acompanhar as brigas e desavenças entre as estrelas de Hollywood Bette Davis e Joan Crawford. Essa rivalidade permaneceu durante todo o tempo e custou tanto para uma quanto para a outra a carreira que tinham. À medida que foram envelhecendo, Bette e Joan se tornaram figuras distantes do público, dos holofotes e das próprias pessoas que antes as cercavam. Feud reverencia os talentos que ambas tinham, mas também é uma reverência à própria história do Cinema e daquela chamada Era de Ouro de Hollywood.

7. The Young Pope (1ª Temporada • HBO)

A série The Young Pope estreou nos EUA em Janeiro (em Abril no Brasil) e sacudiu as estribeiras ao questionar a Igreja Católica. No programa da HBO, o ator Jude Law interpretado Lenny Belardo, novo papa escolhido e com apenas 50 anos. Ele fuma, fala inverdades e se diz mais bonito que o próprio Jesus Cristo. Ao invés de ser benevolente e próximo ao povo, Lenny é narcisista e se importa pouco com as pessoas que estão ao seu redor. Nas mãos do diretor italiano Paolo Sorrentino, que também assina o roteiro, essa sátira ganha tanto em conteúdo quanto em estética, já que The Young Pope está mais próximo do cinema do que da televisão.

6. Girls (6ª Temporada • HBO)

Após seis temporadas, a HBO exibiu o último episódio de Girls. O que me fez gostar da series finale (e de toda a temporada) é ver que Girls realmente não tentou ir atrás de ser “a voz da geração” que tanto queria. Pouco a pouco Girls foi se tornando humana, exibindo um final menos caótico e até engraçado, demonstrando que suas protagonistas estão prontas para enfrentarem a vida adulta. Até chegar ao último episódio, Girls foi pontuando a trajetória de cada uma delas com desfechos que fugiam do óbvio, ainda procurando se arriscar. A sexta temporada dá um encerramento merecido a uma série que foi tão marcante em seu tempo.

5. The Americans (5ª Temporada • FX)

É difícil segurar as lágrimas quando o último episódio da penúltima temporada de The Americans, “The Soviet Division”, alcança o ato final que culmina numa sequência que reitera o tom melancólico, triste e sensível que marcou todo esse quinto ano. Demonstrando não ter nenhuma pressa de construir sua narrativa, essa quinta temporada de The Americans foi meticulosamente feita para começar a definir o destino dos Jennings ao estabelecer uma atmosfera de tensão familiar que alcança o clímax justamente no último episódio da temporada. Em tempos ainda em que vimos a Rússia ter relação direta no resultado das Eleições nos EUA, The Americans é vista como uma série relevante. Mas pra mim não se trata apenas sobre isso: The Americans tem relevância porque é um dos melhores programas em exibição atualmente.

4. Dear White People (1ª Temporada • Netflix)

Narrada por ninguém menos que Giancarlo Esposito (Breaking Bad, Better Call Saul), cuja sutileza da sua voz entrega o tom de sarcasmo à história, Cara Gente Branca é uma referência ao programa de rádio da estudante Samantha White (Logan Browning), que denuncia práticas preconceituosas dos estudantes brancos, e da própria gerência do campus da fictícia Universidade de Winchester. Uma festa de Halloween organizada pela elite branca do campus puxa o gatilho de todos os conflitos, desentendimentos e tensões no campus. E a maneira como Cara Gente Branca nos envolve nessa narrativa é impressionante, entregando episódios e situações memoráveis. Bem-resolvida e rápida em transmitir o que deseja, a trama de Cara Gente Branca adota um formato que é fundamental para o sucesso instantâneo da série nesse ano.

3. Big Little Lies (1ª Temporada • HBO)

Preciso confessar uma coisa: eu estava detestando os primeiros episódios de Big Little Lies. Mais do que isso: eles estavam me irritando. Mas o que se vê depois de alguns capítulos triviais e banais é a força narrativa de Big Little Lies. Sinto que se eu tivesse desistido da série, quando pensei em fazer, teria perdido um grande programa. Big Little Lies não é sobre um assassinato que acontece numa exclusiva comunidade e que assusta seus moradores – como a série se apresenta. é sobre mulheres que vivem amedrontadas por presenças masculinas que as sufocam. E Big Little Lies não deixa pontas soltas, constrói uma narrativa sólida e entregou um dos melhores episódios desse ano em sua series finale. Espero que nenhum produtor insano queira ganhar mais dinheiro com a série e tente continuar a história, encerrada tão bem que fico com medo que alguém pense em continuar só para surfar no sucesso.

2. Twin Peaks (3ª Temporada • Showtime)

Eu sei: Twin Peaks está na metade da 3ª temporada. Foram oito episódios exibidos. Mas o que eu posso fazer se David Lynch está novamente redefinindo completamente o formato da TV? Alguém disse no Twitter (não consigo me lembrar quem foi) que melhor do que buscar teorias sobre os acontecimentos dessa temporada é “aproveitar o momento” (“enjoy the ride”). E é justamente isso que venho fazendo. Cada episódio David Lynch ultrapassa os limites do possível, nos forçando compreender o que parece incompreensível – e é isso que justamente torna essa temporada tão fascinante. Não faço a menor ideia de como Twin Peaks vai terminar. Mas posso garantir que mais uma vez (a segunda) Twin Peaks deixará mais questionamentos do que resoluções.

1. Master of None (2ª Temporada • Netflix)

Eu não esperava gostar tanto da 2ª temporada de Master Of None. A série já tinha me conquistado no primeiro ano, mas não assim de maneira tão grandiosa quanto nessa temporada. Há tantos episódios inesquecíveis nesse segundo que eu não sei por onde começar a falar. Além disso, Aziz Ansari acertadamente traz referências do cinema neorrealista italiano, mais precisamente de Michelangelo Antonioni, para tratar de um estudo sobre o comportamento humano. Na Trilogia da Incomunicabilidade Antonioni narra os esforços de seus protagonistas para entrarem em contato com o outro. E Aziz Ansari faz o mesmo em Master of None, dando espaço para o seu personagem crescer, mas também para outros coadjuvantes (a presença de Denise nessa temporada é essencial) e outras figuras que moram em Nova York e que se encaixam no contexto da série. Uma obra-prima, Master of None!

E para vocês? Quais foram as melhores séries que vocês assistiram? Deixa aí nos comentários e junte-se à discussão!

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