‘Me Chame pelo seu Nome’ é um conto sensível e íntimo de um primeiro amor

Há uma enorme vontade de explosão de sentimentos em Me Chame pelo seu Nome. Mas todos os personagens se sentem sufocados por não se sentirem livres para expressá-los. Reprimidos, é na intimidade e na solidão que eles colocam para fora o que desesperadamente querem experimentar. É isso que norteia toda a narrativa de Me Chame pelo seu Nome, novo filme dirigido pelo cineasta italiano Luca Guadagnino (Um Mergulho no Passado). A chegada de Oliver (Armie Hammer) para passar o verão na casa do professor Mr. Perlman (Michael Stuhlbarg) e sua esposa Annella (Amira Casar), inicia um verão de descobertas e novas experiências para Elio (Timothée Chalamet), ainda um garoto de 17 anos e que se apaixona por Oliver e começa a deixar se revelar sua sexualidade.

Assim como um outro filme lançado em 2017, Ratos de Praia (dirigido por Eliza Hittman), Me Chame pelo seu Nome, escrito por James Ivory a partir do romance de André Aciman, é um filme rodeado de muita dor e angústia. Em parte porque trata-se de um relacionamento ainda em seu estágio inicial, mas também por ser um romance gay o qual não é aceito pela sociedade. Tanto Elio quanto Frankie (personagem de Ratos de Praia) estão em processo de resolver e entender o que eles são e o que sentem. Em Elio essa dor fica ainda mais clara por causa da sua paixão arrebatadora por Oliver, um amor como aquele contado no filme Meu Primeiro Amor (1991).

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‘Detroit em Rebelião’ é sufocante ao recriar as tensões raciais na cidade nos anos 60

Detroit em Rebelião é um desses filmes que, de tão realistas, nos atinge de uma maneira arrebatadora. Gostaria de usar tal adjetivo para falar de algo bom, mas que aqui se traduz em uma experiência tensa, perturbadora e que nos carrega através de imagens que criam uma aflição na espinha que demora um certo tempo até nos recuperarmos após a projeção. Mas isso é o que faz a câmera da diretora Kathryn Bigelow, primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção em 2008, e que está se especializando em documentar o que talvez uma parcela da população americana deseja sempre não lembrar (ou aceitar que aconteceram).

Após retratar os conflitos no Iraque em Guerra ao Terror (2007) e a caçada a Osama Bin Laden em A Hora Mais Escura (2012), Bigelow retoma a parceria dos filmes anteriores com o roteirista Mark Boal para explorar os confrontos raciais da década de 60 nos EUA, mais precisamente em 1967 e na cidade de Detroit, que implode quando os negros vão às ruas protestar contra a violência policial e sua arbitrariedade desde dar uma batida em uma casa noturna e prender as pessoas que estavam ali se divertindo até se julgarem capazes de decidir o destino de inocentes e jogar com suas vidas.

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