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‘Better Call Saul’ retorna para a 3ª temporada fugindo do que realmente interessa

A série Better Call Saul exibiu o primeiro episódio da 3ª temporada (já disponível na Netflix) e ainda pouco conseguimos saber sobre Saul Goodman/Jimmy McGill (Bob Odenkirk). E mesmo assim a série me prende a atenção. Costumeiramente tento ficar atento aos detalhes porque acredito que tudo que está sendo colocado na tela importa. Mas será que essa é a melhor forma de assistir a série? E me questiono isso porque Better Call Saul sempre passa a impressão de que não está saindo do lugar.

A temporada inicia justamente de onde o último episódio foi exibido. É aquele ponto de virada quando Chuck (Michael McKean) grava o seu irmão Jimmy confirmando ter falsificado o documento que fez a sua firma perder um grande cliente, ou seja, cometendo um crime. Aparentemente só Chuck sabe como usar essa prova contra Jimmy. E é verdade, ele realmente sabe e inclusive ameaçou o irmão ao dizer que “você vai pagar”. Mas é difícil imaginar o que ele pretende fazer. Isso por um lado é bom ao manter o mistério; por outro, poderá mais uma vez atrapalhar os avanços que Better Call Saul precisa entregar.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

A temporada inicia com um flashforward em preto-e-branco que relembra a linguagem do começo da quinta temporada de Breaking Bad, quando o mesmo recurso narrativo foi usado para mostrar Walter White vivendo em outro lugar (Nebraska) e com uma outra identidade. O mesmo acontece com Saul Goodman/Jimmy McGil, que aparece usando o nome Gene. Por enquanto, ainda nenhuma pista sobre de onde ele tirou o nome Saul Goodman. E esse será um cliffhanger que Peter Gould e Vince Gilligan (criadores da série) com certeza só irão revelar quando Better Call Saul estiver mais próximo do universo de Breaking Bad.

Foto: Divulgação/AMC

Por outro lado, um elemento que está tornando essa temporada interessante desde quando os boatos foram confirmados é a presença de Gus Fring. Apesar dos criadores terem “resolvido” esse mistério com um anagrama contido nos títulos dos dez episódios da 2ª temporada (que significam “Fring’s Back” e que eles tinham certeza de que ninguém descobriria, mas descobriram), já tivemos uma amostra da tensão que a presença (ou a falta dela) de Gus Fring causa no capítulo na sequência em que Mike (Jonathan Banks) desmonta o seu carro em busca de algum aparelho transmissor.

Mas como explicar a sequência quando Kim Wexler (Rhea Seehorn) não consegue se decidir entre o uso de uma vírgula, um ponto-e-vírgula ou um travessão durante o preenchimento de um documento do seu maior cliente que ela adquiriu da sua antiga firma? O que há ali para entender sobre a sua personagem ou de que forma isso contribui para a narrativa? Esse é um problema em Better Call Saul porque a série poderia gastar esse tempo com algo mais substancial e produtivo – a própria Kim é uma personagem que evoluiu muito desde a 1ª temporada e pode extrair muito mais.

Entregando ou não respostas, desperdiçando ou não tempo com frivolidades, Better Call Saul ainda é uma série que causa um fascínio e curiosidade em saber como Jimmy McGil vai se tornar Saul Goodman – há uma boa sequência sobre isso quando o capitão da Aeronáutica vai tirar satisfação de Jimmy e diz “caras como você se acham espertos mas a situação vai mudar”. Além disso, tem toda a dinâmica envolvida entre Jimmy, Mike e Gus Fring, que vai ser interessante de ver como foi formada e desenvolvida. Assista o vídeo promocional:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/AMC]

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