‘Better Call Saul’ termina 3ª temporada de forma trágica enquanto tenta ser intrigante

Em certo momento da season finale de Better Call Saul, disponível na Netflix, Jimmy McGill (Bob Odenkirk) diz à sua colega/namorada Kim Wexler (Rhea Seehorn) “eu não sou bom em construir pontes, eu sou bom em destruí-las”, em referência a todas as jogadas que ele fez para se dar bem em detrimento de fazer o outro se sentir envergonhado ou mesmo completamente perdido. Sua relação com seu irmão chegou a ser real em algum momento da sua vida?

Impossível saber, mas a única coisa que conseguimos enxergar como genuína mesmo é sua relação com Kim Wexler. E até quando isso vai durar? Esse é mais um questionamento que nos fazemos ao final dessa temporada porque em outro momento do episódio ela mesma diz que “há linhas que não conseguiremos ultrapassar”, já como um sinal do que possivelmente veremos na quarta temporada.

[ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Essa temporada foi a que vimos lados ainda mais obscuros desses personagens que começamos a acompanhar desde Breaking Bad. Desde o primeiro episódio, quando ela sequência em preto e branco revela o destino final de Jimmy McGill já como Saul Goodman e dando o mesmo “chá de sumiço” que Walter White deu na série homônima, outros personagens como Hector Salamanca (Mark Margolis), Nacho Varga (Michael Mando) e Howard Hamlin (Patrick Fabian, um dos destaques desse ano) tiveram mais espaço e se revelaram igualmente trágicos, tridimensionais.

Foto: Divulgação/AMC

Esse é o principal acerto de Better Call Saul, que deu pouca importância a como Jimmy chegou ao nome Saul Goodman em determinado momento da temporada, e mostrando que a preocupação da série é mesmo no estudo de personagem, isto é, na composição de cada uma dessas personalidades que vemos na tela. Por isso que quando vemos Chuck McGill se entregando à morte em sua casa em chamas sentimos que uma grande mudança está a caminho e que ajudará a definir as próximas decisões de Jimmy.

O que faltou mesmo nessa season finale foi um pouco mais de Gustavo Fring (Giancarlo Esposito) e Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks), que gradativamente acompanhamos o nascimento de uma parceria e confiança que vemos tão bem consolidadas em Breaking Bad. Better Call Saul poderia ser mais ágil no desfecho de algumas tramas, como o caso de Jimmy dando o golpe nas velhinhas do asilo quando as coloca uma contra a outra para fecharem logo o acordo que lhe renderá uma enorme bolada. Se isso andasse mais depressa talvez pudéssemos ver um pouco de Gus, Mike e da operação de tráfico de drogas que está surgindo ali.

Foto: Divulgação/AMC

Mais agilidade é o que torço para ver na quarta temporada de Better Call Saul. Não é uma rapidez que eu queira ver as tramas sendo atropeladas, mas apenas uma forma de vê-la mais ágil, dinâmica – como alguns episódios dessa temporada conseguiram ser. Ainda assim, Better Call Saul conquista porque conhece tão bem seus personagens a ponto de saber usar apenas os seus conflitos como uma engrenagem que movimenta a trama. Até aqui isso tem sido o suficiente ao me deixar curioso de acompanhar a trama até o final. A única ressalva é de que a história pode avançar de forma mais rápida sem comprometer o estudo que nessa temporada foi tão fascinante de seguir.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/AMC]

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