Cinema

Filme “Chatô, o rei do Brasil” é crítica-fina à história política brasileira

Não deixa de ser irônico que o responsável pelo filme Chatô – o rei do Brasil seja acusado de desvio de dinheiro, justo ao retratar um dos personagens mais corruptos da história brasileira. Se Guilherme Fontes está envolvido em esquemas ou não, o desenrolar dos acontecimentos irá mostrar, no entanto, seu filme tem uma abordagem bastante crítica sobre essa prática política que é um traço cultural brasileiro.

O longa gira em torno de um “julgamento final” no qual Assis Chateaubriand é réu acusado por pessoas que lhe eram próximas e que sofreram com suas ações. As ex-esposas, a filha, as ex-sogras, os funcionários do império de comunicação que ele criou e até o presidente Getúlio Vargas narram acontecimentos que culminaram no desenvolvimento da história do Brasil. O julgamento é exibido como um programa televisivo de horário nobre de domingo, que atinge grande audiência.

O filme usa flashbacks para compor a história do personagem principal e descrever sua personalidade egocêntrica e ambiciosa, sem que seja preciso justificar suas atitudes. Tudo com muito bom-humor e condescendência. Estilo que torna a experiência de assistir desconfortável, caso o espectador espere que Chateaubriand seja penalizado por suas ações.

No entanto, o longa não deve ser confundido com uma comédia escrachada que faz graça com a presunção e o mau caráter do personagem principal, capaz de se perguntar “desde quando alguém no Brasil tem autoridade para julgar o meu carácter?” É possível notar que a mesma abordagem que ajuda a criar o folclore em torno da persona de Chateaubriand é uma fina crítica, que também pode ser aplicada aos políticos atuais.

Chatô – o rei do Brasil é um bom filme com grande roteiro e peca apenas na montagem confusa que, quando visto pela primeira vez,  não deixa a história se desenvolver sem que se tenha dúvidas sobre o que é “sonho” e o que é “realidade”.

O filme ainda está em processo de estreia em várias cidades do país. Em 19 de novembro passou a ser exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo, e desde então vem abrindo salas em cidades como Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, até passar pelo resto das regiões Norte e Nordeste, e depois Sul. No total, serão apenas 150 cópias. Pouco se comparado a estreias atuais de 600 cópias, feitas para filmes de orçamento similar. Veja o trailer.

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