Cinco melhores (e piores) finais de séries

Na semana que os fãs de séries se preparam para se despedirem de Game of Thrones, um dos programas de televisão que marcaram uma geração de espectadores, resolvi fazer uma lista dos cinco melhores (e piores) finais de série. O que me motivou também a fazer essa lista (além de gostar muito de listas) foi a decepção que essa temporada final da série vem causando. Alguns fãs mais fervorosos criaram uma petição que pede para toda a temporada ser refilmada. Como eu assisto Game of Thrones sem qualquer compromisso (o que me levou mesmo a assistir foi o fato de todo mundo ficar comentando a série, e particularmente gostei de GoT até a quarta temporada), pensei que seria uma boa reviver algumas memórias boas e outras não tão boas assim.

Confira a lista abaixo:

The Leftovers (T:3-E:8 – The Book of Nora)

The Leftovers é o exemplo perfeito de uma série que começou sendo adaptada de um livro na primeira temporada, e depois ganhou vida fora das páginas do autor Tom Perrotta e trilhando o seu próprio caminho. E o final reflete isso à sua maneira. Damon Lindelof não entrega as respostas mastigadas (isso quando as entrega) e aposta em um estudo de personagens fascinante embalado em uma história de amor entre Nora e Kevin e como esse sentimento atravessou dimensões completamente distintas, onde cada um deles precisou se encontrar em meio à Grande Partida, até chegar àquele momento íntimo do episódio quando Kevin a convida para uma dança. É um final que não poderia ser melhor, pois deixa realmente a impressão de que todo o subtexto da série foi contemplado naquele episódio.

The Americans (T:6-E:10 – START)

Dos últimos finais de série que assisti, The Americans foi o mais marcante. Talvez por eu ter me tornado um fã do programa e, por causa disso, tive um misto de ansiedade e medo de estragarem. Bom, eles não estragaram. Pelo contrário: o final teve a medida certa de tensão, grandiosidade e surpresa. Foi um desfecho genuíno de uma das melhores séries que a TV exibiu recentemente. É um final de camadas como foi The Americans durante seis anos. Enquanto o casal Jennings voltam à Rússia e conseguem interromper uma guerra iminente, ambos deixaram para trás seus dois filhos. Foi triste e lindo, ao mesmo tempo.

Breaking Bad (T:5-E:16 – Felina)

Um dos grandes roteiristas de Breaking Bad, Thomas Schnauz, disse certa vez quando a série estava se aproximando do fim: “não fique triste porque acabou, sorria porque isso aconteceu”. Durante cinco temporadas, Breaking Bad foi viciante. E Felina mostrou-se como o final que a série merecia, uma redenção ao protagonista que conseguiu fechar o ciclo e cumprir seus objetivos (ainda que tortos e erráticos). No final, Walter pôde finalmente se abrir sobre aquele sentimento de vida que ele sentiu ao construir um império baseado na sua arte de produzir metafetanmina, principalmente sabendo do seu câncer terminal. E ele não deixou essa arte ser usurpada por ninguém, ainda que tenha lhe custado tudo.

Halt and Catch Fire (T:4-E:10 – Ten of Swords)

Halt and Catch Fire tem um perfil muito parecido com as séries citadas nessa lista: nunca teve grande audiência, mas foi por quatro temporadas aclamada pela crítica e muito cultuada por fãs realmente fiéis. Me tornei também um desde que eu soube que o diretor argentino Juan José Campanella estaria envolvido no projeto. E Halt and Catch Fire só evoluiu, sem nunca deixar de correr riscos – como o fez quando subverteu a trama e focou em Cameron e Donna. E me impressiona mesmo como Halt and Catch Fire teve também coragem nesse final, com as decisões de colocar a morte de um importante personagem e os protagonistas vivendo o luto enquanto a trama claramente os obrigava a caminhar e apontava novas direções em suas jornadas.

Friday Night Lights (T:5-E:13 – Always)

Friday Night Lights sempre me cativou pela forma como a série soube contar o cotidiano de alegrias e tristezas de personagens que habitam uma cidade completamente obcecada por futebol americano. Uma obsessão tão grande que a vitória ou derrota em um jogo semanal ditava o ritmo de como eles encarariam os próximos dias. É difícil ver uma trama se conectar a esse humor de forma tão vibrante, mas Friday Night Lights conseguia atingir. Always é o episódio que agrada a qualquer fã porque resolve a maior parte das situações que envolvem os personagens. Não é aquele final feliz preguiçoso, mas sim um que força os personagens a continuarem resilientes em seus sonhos.


Agora chegou a hora de falarmos sobre os finais de séries esquecíveis, que simplesmente nos fizeram questionar o porquê de termos investido tanto tempo assistindo essas séries (nem todas, mas a maioria dessa lista). Leia abaixo:

Dexter (T:8-E:12 – Remember the Monsters?)

De uma das séries mais amadas para uma das mais odiadas. Até a quinta temporada, Dexter foi uma unanimidade. Depois dali, tudo se perdeu. Inclusive os roteiristas, que não conseguiram estabelecer um desfecho para a trama e seus personagens. Eles pareciam perdidos dentro de algum filme de humor negro dos irmãos Coen, fazendo besteira atrás de besteira, desde Dexter abandonar os filhos ao absurdo dele matar a própria irmã. Isso que eu chamo de estragar tudo.

Lost (T:6-E:18 – The End)

O final de Lost dividiu muita gente. Particularmente, tem coisas que gosto e outras que eu simplesmente detesto. E eu não conseguiria colocar o series finale como um dos mais inesquecíveis. Muito pelo contrário, foi um final bastante preguiçoso e até previsível. O fato de não responder muitas perguntas não me incomoda, mas trazer desfechos fáceis foi como desafiar minha inteligência e o tempo que eu investi em Lost. O Monstro de Fumaça e ursos polares que tanto pareciam plots interessantes quando surgiram, foram diminuídos a nada e tentaram de tudo com que passasse despercebido. No fim, até hoje, não sei se eu gostei ou não.

True Blood (T:7-E:10 – Thank You)

Quando eu achava que o final de Dexter seria o pior que eu já tinha assistido, aí tem o de True Blood. Se as primeiras temporadas a série me conquistou pelo aspecto estranho dos personagens, do cenário e da própria trama, pouco a pouco True Blood foi caindo. E ficou mais nítido depois da saída de Alan Ball, por alguma desavença com a HBO. Certo é que o final da série não faz qualquer sentido. Tudo que é contado no último episódio está amparado em um completo vazio de ideias. Depois de perder tanto tempo assistindo essa série o que resta é o que assistimos naquele episódio: nada.

Scrubs (T:9-E:13 – Our Thanks)

Imagina você acompanhar nove temporadas de uma série e se acostumar com aqueles personagens por nove anos. O que você espera quando a série finalmente tiver que se despedir? Um final digno, certo? Bom, Scrubs não pensa assim. O que precisa fazer é chegar na última temporada e apresentar um monte de personagem novo. E ganhar o prêmio de pior final de todos os tempos de graça. Acho que deveria ter alguém na equipe que queria muito vencer essa disputa.

How I Met Your Mother (T:9-E: 24 – Last Forever)

A disputa pelo prêmio de pior final de todos os tempos é bastante acirrada. Isso porque no caso de How I Met Your Mother os roteiristas e criadores foram ainda mais longe e mostraram como é possível destruir um plot inteiro. Como validar todos os outros episódios exibidos em nove anos que a série ficou no ar depois desse final é a razão pela qual deixou muito fã decepcionado na época. E não poderia ser diferente: passar nove anos investindo numa história só para descobrir que, na realidade, a tal mãe estava morta o tempo inteiro e quem conta esteve apaixonado o tempo pela amiga e ex-namorada (e essa história foi pra pedir autorização aos filhos para ficar com ela). Confere, produção? Cansou só de tentar explicar.

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