Cinema

‘David Bowie: Os Últimos Cinco Anos’ permite adeus a um gênio

A esse ponto da vida e com o passar dos anos, me parece mais fácil acreditar que David Bowie realmente morreu. Sim, porque no dia 10 de janeiro de 2016 foi difícil de imaginar o mundo sem a arte de David Bowie – o que não deixa de ser verdade, considerando que tudo que ele criou pareceu pensado para durar pela eternidade. Com isso em mente, a estreia na HBO do documentário David Bowie: Os Últimos Cinco Anos, basicamente uma sequência ao filme David Bowie: Five Years lançado em 2013 e dirigido por Francis Whately, é uma tentativa de dar um apropriado adeus a esse ícone da música.

Apesar de soar triste tanto no início, quando a banda que acompanhou o músico em sua última turnê entre 2003 e 2004 aparece tocando músicas do álbum “The Next Day”, o penúltimo lançado por Bowie, em uma garagem vazia e relembrando momentos que passaram juntos e relatando os últimos encontros que estiveram juntos, quanto no final, com o seu produtor Tony Visconti relembrando as gravações de “Lazarus”, David Bowie: Os Últimos Cinco Anos transita pela riqueza de sua produção artística durante esse período, entre as gravações de dois álbuns (“The Next Day” e “Blackstar”), um musical para a Broadway (Lazarus) e as filmagens dos últimos vídeos que ele fez.

Como David Bowie deixou de dar entrevistas após o fim da turnê de 2004, quando ele ficou amedrontado com a ideia de sofrer um ataque cardíaco no palco (e prometeu de vez largar a vida de ser uma celebridade), é admirável o trabalho que Francis Whately faz no filme mesmo adotando uma montagem linear que às vezes até entrega as dificuldades e limitações de fazer o documentário. Por outro lado, fica a impressão de que não havia muito o que fazer. E como registro para reverenciar a carreira de Bowie, em seus últimos anos de muita criatividade e trabalho, o documentário consegue dar forma à narrativa sem comprometer o projeto.

O que é mais interessante no documentário, além dos próprios relatos dos seus últimos colaboradores falando como Bowie estava se sentindo e do quando ele lutava para não morrer porque ainda queria fazer tanta coisa, é sentir uma pequena noção da sua genialidade: seus desenhos e ideias que inspiraram os clipes, seu compromisso em fazer música com significado e sua obsessão pelo perfeccionismo que vinha justamente da liberdade de criar – algo que ele confessa ter perdido ao se tornar celebridade, sendo o seu período em Berlim “um dos melhores momentos da minha vida, criativamente e pessoalmente”, como ele próprio fala em uma gravação.

David Bowie: Os Últimos Cinco Anos é um adeus para seus admiradores que acordaram atordoados e foram, ao contrário dos que estiveram próximos a ele nesses últimos anos, pegos de surpresa com a sua morte. Agora só nos resta deixá-lo descansar em paz e agradecer por todo esse rico material que a minha e as futuras gerações terão o prazer de descobrir. Obrigado, Bowie! Assista o trailer:

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