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Dez filmes de espionagem que você precisa assistir

Essa semana estreia no Brasil Missão: Impossível – Efeito Fallout, mais um capítulo da franquia de sucesso estrelada por Tom Cruise. Confesso que devo ter parado no terceiro filme, mas as resenhas desse último lançamento elogiado pela [Vox] e [IndieWire] me deixaram animado em voltar a acompanhar os filmes – ainda mais por mim que sou viciado em histórias de espionagem.

Para alimentar esse vício, resolvi fazer uma lista de dez filmes de espionagem que considero que todo mundo deveria assistir. Vem comigo:

Ipcress: Arquivo Confidencial (1965)

O nome Michael Caine só iria realmente significar alguma coisa pra mim mais tarde. Mas quando vi Ipcress: Arquivo Confidencial, me recordo de ter tido vontade de ver outros filmes seus. Essa história dirigida por Sidney J. Furie, que infelizmente não conseguiu ser bem-sucedido em Hollywood mesmo com o sucesso desse filme, não se assemelha em nada com o James Bond que era o grande herói da época da Guerra Fria nos anos 60. Harry Palmer (Caine) leva uma vida mais parecida com a dinâmica do casal da série The Americans. Uma boa fita do gênero.

Sem Saída (1987)

O diretor Roger Donaldson se caracterizou até por ter em sua filmografia alguns filmes de espionagem, mas nenhum chega perto da eficiência de Sem Saída. Em tempos de Rússia interferindo nas eleições americanas, a história é no mínimo interessante pois o assassinato cometido pelo Secretário de Defesa vira uma enorme crise diplomática quando colocam a culpa do homicídio em cima de um espião russo. É aí que entra o comandante-naval Tom Farrell (Kevin Costner), vivendo aquele personagem que aprendemos a confiar cegamente para desvendar a identidade do verdadeiro assassino.

O Espião Que Sabia Demais (2011)

Ambientado em 1973, ainda durante a Guerra Fria, O Espião Que Sabia Demais traz uma história de espionagem complexa cuja engrenagem é movida pela suspeita (ou certeza) de um agente duplo infiltrado em solo britânico. Dirigido com precisão pelo cineasta sueco Tomas Alfredson, cujos planos e ritmo cadenciado emprestam ao filme um peso dramático que comentarei em outra obra dessa mesma lista, O Espião Que Sabia Demais é um filme que pode precisar ser revisto pela longa lista de informações e personagens que se envolvem na trama, o que não elimina o fato de ser um dos melhores do gênero dessa década.

Supremacia Bourne (2004)

Permaneci em dúvida até os 45 do segundo tempo (desculpa, ainda estou em clima de Copa do Mundo) entre todos os três filmes da trilogia original. Bourne foi uma grande invenção do início dos anos 2000, redefinindo um pouco o gênero que se dividia entre a frieza e malabarismo de Missão: Impossível e o luxo de James Bond. Bourne foi além: aqui os agentes se metiam em porradas, encrencas sérias e uma grande crise de identidade estava no centro da narrativa. Acabei decidindo pela Supremacia Bourne por ter sido o filme que me deixou mais tenso, revelando pra mim o grande talento do diretor Paul Greengrass.

Interlúdio (1946)

Alfred Hitchcock é o Mestre do Horror, mas talvez antes mesmo desse título ele pode ser considerado como o Mestre da Espionagem. Em sua segunda colaboração com o diretor (ele faria outros três filmes), o ator Cary Grant interpreta um agente federal que tenta usar a filha de um nazista para perseguir agentes na América do Sul (mais precisamente, no Brasil!), e contracena com Ingrid Bergman, cansada de viver sob a tutela do pai e dos erros cometidos por ele. Lógico, ambos estão atraídos, e Hitch cria uma narrativa sólida com essa atração, enquanto apresenta as missões e papéis que cada um dos personagens vão precisar desempenhar. E é aí que Interlúdio se torna emocionante, frenético e, claro, com muito suspense.

Moscou Contra 007 (1964)

É impossível falar de espionagem sem mencionar qualquer filme do agente secreto Bond. James Bond. A SPECTRE, que ganhou um capítulo próprio recente com Daniel Craig, aqui é uma organização sólida que trama uma cilada para eliminar o agente, interpretado por Sean Connery. Moscou Contra 007 é um marco para a franquia em muitos sentidos: é o primeiro a inaugurar uma trilha de abertura, tem a estreia do grande vilão da série (Ernst Blofield) e os gadgets que viriam a ser uma marca registrada da franquia.

A Hora Mais Escura (2012)

Foram muitos os filmes sobre a guerra ao terrorismo deflagrada pelos EUA após os atentados de 11 de setembro. Praticamente nenhum conseguiu ser inteligente e tenso quanto A Hora Mais Escura. Dirigido por Kathryn Bigelow, que já havia vencido o Oscar pelo surpreendente Guerra ao Terror (2010), a história acompanha Maya e sua perseguição para encontrar Bin Laden. Mas a história é muito maior do que essa caça. A Hora Mais Escura é um filme crítico que, ao mesmo tempo que parece se envergonhar de mostrar as técnicas de tortura para conseguir informações, acredita piamente que necessita exibí-las para dizer “olha onde chegamos”. A narrativa de Mark Boal e Bigelow é poderosa, difícil de respirar.

A Vida dos Outros (2007)

Já devo ter perdido a conta de quantas vezes vi esse filme. Toda vez que faço uma visita, chego ao final mais impressionado, totalmente sem palavras para dizer o quanto é marcante. Ambientado na Berlim Oriental, onde o regime soviético sufoca qualquer manifestação artística para evitar a comunicação com o lado Ocidental com medo de insurgência, a narrativa acompanha a paranóica vigilância de seus cidadãos. O diretor e roteirista Florian Henckel von Donnersmarck recria os últimos anos de atuação da Stasi deixando transparecer toda a tristeza e peso que ela carregava, sendo A Vida dos Outros uma obra linda em sua composição e fiel ao retrato da época. Simplesmente obrigatório.

Munique (2005)

Munique é uma das minhas obras favoritas de Steven Spielberg de todos os tempos. Em qualquer lista que eu fizer para eleger os melhores filmes da carreira do diretor, Munique sempre estará lá em algum lugar. Nesse filme ele cria um jogo de tensão que nunca sai da narrativa ao acompanhar a caçada israelense aos assassinos de atletas judeus nas Olimpíadas de 1972, em Munique (Alemanha). Alvo de muitas críticas antes mesmo do lançamento na época, Munique talvez seja um dos filmes mais corajosos de Spielberg, um diretor que dificilmente entra em bola dividida e evita polêmicas para não estar nos holofotes. E Munique faz exatamente isso tudo.

007 – Operação Skyfall (2012)

Para encerrar a lista, mais um filme da franquia James Bond, agora interpretado pelo ator Daniel Craig, que deu uma revigorada tanto na imagem do agente quanto na série como toda. 007 – Operação Skyfall consolida o simples. Sabe aquela frase no futebol “não inventa, faz o básico”? Pois é. E deu muito certo nesse filme. Foi uma ruptura: saem aqueles gadgets insanos, carros esportivos, muito charme pra cá e pra lá com “bond girls”, e entra mais a ação com perseguições, pancadaria e suspense. O filme dirigido por Sam Mendes é um acerto do início ao fim, sem nunca perder o ritmo da narrativa e encontrando o perfeito equilíbrio entre a adrenalina e os conflitos. Até o momento, 007 – Operação Skyfall é, sem dúvida alguma, o melhor filme da franquia.

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