Cinema

Diários do XII Panorama – Dia 02

Não sei muito o que esperar quando o diretor do próprio filme pede para o público assistir o longa-metragem de cabeça aberta. Foi o que aconteceu quando um dos diretores de O Último Trago apresentou seu filme no segundo dia de exibições do Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Ele não estava errado. Dirigido por Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti, é preciso mesmo ter a cabeça muito aberta para assistir O Último Trago. Se passando em três épocas que são interligadas pelo fantasma da guerreira e pirata Valéria, o filme é um exercício sensorial de imagens desconexas onde a história (leia-se: trama) faz pouco sentido ou sequer importa.

Aliás, se tem uma coisa que vem acontecendo de forma recorrente nos filmes que assisto no Panorama é essa experimentação de imagens, que na maioria dos casos faz o filme chegar a nenhum lugar. Além de O Último Trago, consegui ver mais quatro curtas-metragens. O primeiro deles foi Impeachment, dirigido por Diego de Jesus, que reconta a sessão na Câmara presidida por Michel Temer quando um pedido de impedimento ao então presidente FHC é protocolado na Casa. O diretor brinca na edição de alguns discursos dos deputados e a trama torna-se envolvente em alguns momentos por causa disso.

Animal Político segue uma vaca insatisfeita com a sua condição de vida, se sentindo sozinha e sem se achar no mundo. Ela parte para uma jornada de descobertas enquanto critica as convenções sociais e tenta responder às questões da sua crise. O outro curta que vi foi Abigail, dirigido por Isabel Penoni e Valentina Homem, ambientado dentro da casa de Abigail Lopes, no RJ, mostrando sua relação com os índios e sua religiosidade com o candomblé. O curta percorre os simbolismos presentes na casa de Abigal para recontar essa história.

Cena do curta-documentário Procura-se Irenice. | Foto: Reprodução
Cena do curta-documentário Procura-se Irenice. | Foto: Reprodução

Porém, o curta mais interessante que assisti foi o documentário Procura-se Irenice, dirigido por Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça. O filme é importante porque conta a história da atleta brasileira de atletismo Irenice Maria Rodrigues, recordista na prova dos 800m na década de 60 em um tempo onde não se acreditava que as mulheres poderiam correr tal distância.

Contestadora sobre a ditadura da época, Irenice foi combativa e pagou o preço ao ser excluída dos jogos Olímpicos no México e seguidas vezes perseguida sem nunca ter conseguido viver em paz. A ditadura tentou apagar o seu nome dos registros e da memória, mas esse documentário conta sua história e torna um registro histórico importante que nos faz pensar em tantos outros atletas brasileiros que viveram aqueles momentos difíceis e passaram pelas mesmas perseguições.

[Crédito da Imagem: Reprodução]

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