Cinema

Diários do XII Panorama – Dia 01

O XII Panorama Internacional Coisa de Cinema está acontecendo em Salvador e em Cachoeira até o próximo dia 17 de novembro. Apesar de já estar em sua 12ª edição, essa é a primeira vez que eu vou ao festival com o intuito de ver uma boa parte dos filmes. Em anos anteriores, quando o festival percorria o circuito SaladeArte da cidade, eu assistia apenas uma ou outra sessão. Dessa vez, toda a programação está concentrada nas salas do Espaço Glauber Rocha e Walter da Silveira, sendo possível assistir os filmes sem precisar andar muito.

Porém, no meu primeiro dia enfrentei muitos problemas. O primeiro deles é que eu caí na farsa de comprar os passaportes para todos os dias pensando que isso facilitaria minha entrada nas sessões sem precisar passar na bilheteria. Engano. Terei sempre que ir aos caixas para trocar meus supostos “ingressos do passaporte” pelos “ingressos de verdade”. E só isso já me deixou irritado o suficiente para as sessões.

Mas fiquei ainda mais irritado com os filmes que escolhi para assistir. O primeiro deles foi o curta-metragem Nunca é Noite no Mapa. Dirigido por Enersto de Carvalho, o filme se passa completamente dentro do Google Maps, mostrando o que se pode ver além da busca por direções. Mas em seis minutos o diretor não consegue mostrar onde exatamente quer chegar, tornando a narrativa do seu curta entediante e repetitiva.

O mesmo se repetiu com o média-metragem Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, dirigido e escrito por Sérgio Oliveira. O documentário é sobre a tradicional orquestra de baile sertaneja que viaja tocando em festas de debutantes e outros eventos. Ao mesmo tempo, sendo ambientado no sertão nordestino, o filme mostra a mudança drástica e rápida que a paisagem vai sofrendo por uma obra, afetando as pessoas que moram ali e também os animais.

Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos | Foto: Divulgação
Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos | Foto: Divulgação

Se o filme se concentrasse realmente na Super Orquestra, que está comemorando 55 anos, a experiência seria outra. O maior problema é que a narrativa é dispersa querendo tratar de muitos assuntos ao mesmo tempo. Quer mostrar a Orquestra animando as festas, quer funcionar como uma crítica social e quer investigar os impactos de tudo isso no modo de vida dessas pessoas. No final, quando a história da Orquestra era sim mais interessante e bonita do que o resto, o filme se perde em um fábula desnecessária e incompreensível.

Uma mostra paralela que está ocorrendo neste XII Panorama é Clássicos do Cinema. Escolhi assistir Mamma Roma (1962), longa-metragem italiano dirigido por Pier Paolo Passolini. O filme foi restaurado e projetado em película, o que tornou a experiência muito melhor do que se fosse em digital. Mamma Roma, a personagem-título, é uma mulher que quer abandonar a prostituição e começar uma vida nova vendendo frutas na feira. Ao buscar seu filho adolescente, Ettore, para morar com ela na capital, ele se envolve em más companhias e descobre o passado da mãe.

Como revi recentemente Os Incompreendidos (leia aqui), Mamma Roma guarda muitas semelhanças com o filme de François Truffaut por colocar no centro da narrativa um adolescente que tem dificuldades de relacionamento com a sua mãe e, por isso, percorre um caminho tortuoso e conflitante. Pasolini erra ao jogar um monte de informações importantes apenas no terceiro ato sem nunca ter desenvolvido, mas acerta na dinâmica entre os personagens principais e suas incertezas.

Tomara que os próximos filmes sejam realmente melhores do que estes que escolhi no meu primeiro dia.

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