‘Doentes de Amor’ é a melhor comédia romântica que você verá no ano

Comédias românticas tendem a sofrer para achar o equilíbrio entre ser comédia, sem apelar demais para situações absurdas que supostamente deviam ser engraçadas; e ao mesmo tempo, claro, românticas, mas sem também ser óbvia de nos fazer gostar do casal apenas porque eles são bonitinhos juntos e nada de substancial (em termos de conflitos e realidade) consiga saltar daí. Isso acontece na maior parte dos filmes desse gênero.

Mas no caso de Doentes de Amor, apesar da fórmula batida de “rapaz legal e desconcertado conhece e se apaixona por uma garota que parece ser demais pra ele”, esses elementos repetitivos ganham fôlego de inspiração porque o filme sabe como desenvolver a dinâmica entre os protagonistas. E só isso já é suficiente para ganhar nossa atenção. Mas Doentes de Amor tem ainda muito mais a oferecer.

Dirigido por Michael Showalter e produzido por Judd Apatow, Doentes de Amor é a história pessoal do casal Kumail Nanjiani (da série Silicon Valley) e Emily Gordon que ambos decidiram transformar em roteiro porque acharam que era cinematográfica demais. E se for exatamente como aconteceu em Doentes de Amor, diríamos que esse tipo de história só poderia mesmo acontecer nos filmes. Mas é real. Kumail (interpretado por ele mesmo) é um paquistanês, com seus 30 anos, que vive em Chicago e se apresenta com seus amigos comediantes em um clube de stand-up. Numa noite dessas ele conhece Emily (Zoe Kazan), ambos conversam no bar, sentem uma química boa e interesses comuns entre os diálogos que trocam, terminam a noite juntos e decidem começar um relacionamento.

Foto: Divulgação/Amazon Studios

Porém, vindo de uma família paquistanesa tradicional onde o casamento é arranjado, Kumail é pressionado pelos pais para escolher logo a mulher com quem vai casar, sendo incessantemente apresentado nos jantares semanais a novas pretendentes – que ele as guarda através de fotografias que ganha em uma caixa de lembranças. Por isso Kumail resiste apresentar sua namorada aos seus pais – ou mesmo se apresentar aos pais dela. Nesse jogo de pressão de um lado e do outro, Emily decide terminar o namoro. Nessas horas, sente-se de tudo: o estômago embrulha, os dias se tornam mais sofríveis de serem enfrentados. No caso de Emily, a sua manifestação veio em forma de uma infecção que a deixa em coma.

O tom de Doentes de Amor, que facilmente pode ser comparado à Master of None, muda quando a trama chega a esse ponto, mas não deixa a atmosfera da história carregada ou deprimente. O filme não quer em nenhum momento nos entristecer ou nos fazer sair do cinema com uma sensação ruim. Por isso Doentes de Amor se esforça e encontra espaço para ser cômico, mas sem deixar que o humor nos esqueça do que está em jogo por causa da situação de Emily. Doentes de Amor quer que a felicidade e o amor vençam. E quando chega ao final, com todas as fotografias do casal Kumail e Emily, temos a certeza de que eles mais do que conseguiram ser felizes.

Assista o trailer:

Doentes de Amor (The Big Sick, 2017)
Direção: Michael Showalter
Roteiro: Kumail Nanjiani e Emily Gordon
Elenco: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano e Anupam Kher.
Duração: 119 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Amazon Studios]

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