Cinema

‘Dunkirk’ revigora o gênero de guerra em mais um trabalho autoral de Nolan

A Segunda Guerra Mundial talvez tenha sido o conflito que mais ganhou versões nos cinemas, seja ainda durante o confronto em si quando Aliados e Nazistas usavam o Cinema como instrumento de comunicação e inspiração do seu povo, ou mesmo depois quando cineastas como Spielberg, Malick, Coppola, Wyler e Stevens se aprofundaram nas questões da guerra e no fator psicológico essencial para entender o medo e as incertezas dos soldados no front de batalha.

Para um filme, ou uma série, captar esse espírito não é fácil. Mas quando se consegue atingir esse nível assistimos filmes como A Lista de Schindler (1993), Apocalipse Now (1979), Além da Linha Vermelha (1998) e o mais recente exemplar deles Dunkirk (2017), que pode ser colocado ao lado desses grandes clássicos do cinema ao retratar a guerra levando em consideração tudo de sofisticado que a transforma em um estudo complexo de personagem.

Dirigido e escrito por Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas), Dunkirk retrata a Operação Dínamo que retirou quase 400 mil soldados ingleses que estavam presos e cercados em Dunkirk (cidade do outro lado do canal da Mancha, na França) pelas tropas alemãs de Adolf Hitler. Se protegendo como podiam, coube aos soldados aguardarem pequenas embarcações que foram chamadas pelo então Primeiro Ministro Winston Churchill com o intuito de salvar o máximo de soldados que conseguissem.

Desde o primeiro até o último take, Nolan encena a batalha com imensa versatilidade ao adotar uma montagem sofisticada de Lee Smith (diria até experimental) que nos envolve em ritmos de ação em algumas sequências (a principal delas protagonizada por Tom Hardy em sua perseguição a um caça alemão que relembra as filmagens do diretor William Wyler em Memphis Belle, de 1943), mesclando com outros de suspense como na cena que os soldados estão presos dentro de uma embarcação e o desespero aumenta à medida que o barco começa a afundar. A tensão cresce proporcionalmente à trilha sonora de Hans Zimmer e através da bela fotografia de Hoyte Van Hoytema que, em um único plano, é capaz de nos mostrar com detalhes tudo o que acontece naquela praia que serve de cenário para o resgate ao mesmo tempo que nos situa envoltos por um tom de azul que nos coloca também aprisionados, como os soldados.

O diretor também acerta ao adotar o tom de urgência que o momento pede quando vemos o Sr. Dawson (Mark Rylance) partindo com o seu filho em alto-mar respondendo o chamado de ajuda e se unindo a tantos outros que também responderam ao comando. Dunkirk é como assistir um longo plano-sequência de ação que só termina mesmo quando sobem os créditos. É uma sensação de estarmos presos por quase duas horas em um filme onde respirar parece algo muito complicado. A todo momento os soldados precisam lidar com novas ameaças, que os afastam de seus objetivos de chegarem seguros em casa, e que também evocam em si mesmos um instinto de sobrevivência para superar a morte que se coloca ali de maneira tão próxima.

Dessa forma, Christopher Nolan entrega sua versão sobre uma batalha da guerra enquanto dá também importância a um capítulo dessa história que ainda não tinha sido contado nos cinemas. Dunkirk deixa claro que evacuar os soldados teve um efeito bem-sucedido no moral do povo britânico. Como filme, Dunkirk é mais uma experiência cinematográfica grandiosa de Christopher Nolan, capaz de fazer filmes com orçamentos dessa magnitude enquanto também se atenta à forma e à estética do seu cinema.

Assista o trailer:

Dunkirk (Dunkirk, 2017)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Fionn Whitehead, Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, Harry Styles, Jack Lowden e Kenneth Branagh.
Duração: 107 minutos

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