Séries

‘Easy’ trata com maturidade questões da vida moderna em 2ª temporada

É irônico uma série que narra as crônicas do cotidiano se intitular como Easy (“fácil”, traduzindo para o Português). O que se descobre acompanhando os episódios, já disponíveis na Netflix Brasil, é que não há nada de fácil nas vidas que acompanhamos, desde as tentativas de um casal para manterem o casamento aquecido após tantos anos juntos, passando por uma jovem que ganha a vida como garota de programa, à mulher de 37 anos que terminou o namoro e vê as chances de engravidar e ter um filho cada vez mais remotas.

O que mais impressiona no roteiro de Joe Swanberg, criador e também responsável pela direção de todos os episódios, é o nível de maturidade com que ele trata esses e outras temas, narrados em forma de crônica como se fosse uma série antológica a qual não precisa necessariamente de um contexto que ligue os episódios. Ocasionalmente, alguns personagens (e histórias) vistos na 1ª temporada retornam (leia mais aqui), mas cada episódio tem vida própria e trata de certas questões do cotidiano com maturidade, algo que por vezes sentimos falta na televisão.

Como aconteceu na temporada de estreia, Easy estreou sem fazer qualquer alarde ou campanha massiva de divulgação. E foi chegando assim que a série conquistou a crítica e garantiu a renovação no ano passado. A história se repete agora. Ambientada em Chicago, Easy começa em um bairro de classe média alta e mostrando a preocupação dos seus moradores com um ladrão de encomendas que está atuando no lugar, a um imigrante nigeriano que tem praticamente três empregos: motorista de Uber, agente de turismo e comediante. Essa variedade de personagens e de representatividade garantem um olhar amplo e moderno para analisar a maneira como esses personagens vivem suas vidas em um mundo hoje tão conectado, diverso e globalizado – levantando, além disso, discussões e anseios semelhantes a qualquer um de nós.

É claro que à medida que os episódios passam você tende a gostar mais de um ou outro capítulo. No meu caso, gostei particularmente do intitulado “Lady do Cha Cha”, protagonizado pelo casal Chase e Jo. Elas já haviam se conhecido na temporada anterior e agora a vemos mais maduras e com um relacionamento mais estabelecido. Mas quando Chase decide se aventurar pela dança burlesca e inclusive fazendo apresentações, ela acaba desafiando as próprias ideais feministas de Jo. Bem construído, Easy não cai na mesmice sobre o que é “bom” ou “ruim” (“certo” ou “errado), mesmo quando aparentemente seria mais fácil decidir ir por esse caminho.

Outros capítulos não funcionam tão bem se colocados nesse grupo de episódios que formam a temporada, como é o caso daquele focado na cervejaria artesanal dos irmãos. A mensagem é boa: apoiar os comerciantes locais e o que é produzido em Chicago, um personagem tão importante quanto as próprias pessoas que assistimos na tela. É só uma pena que nesse caso Swanberg não tenha conseguido desenvolver ou gerir melhor a trama. Mas Easy nos mantém interessados até o fim, sendo eficiente ao jogar uma luz de boas ideias nessa investigação da vida moderna sem nunca cair no drama fácil ou tratá-las de maneira simples.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix Brasil]

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