Em dez episódios, ‘Mindhunter’ prende a atenção do início ao fim

Durante dez episódios, Mindhunter nos tem na mão o tempo todo. Sabendo exatamente para onde ir, a série nos convida a caminhar juntos por cenários sombrios e conhecer personagens que agradecemos por nunca termos encontrado alguém com qualquer semelhança com eles, mas no caso de Mindhunter sequer cogitamos rejeitar esse convite do que tem para nos mostrar. E a jornada vale a pena. Construída cuidadosamente, os episódios passam, aumentam nosso desejo e atiçam nossa curiosidade em compreender a mente de um serial killer.

Se nos primeiros capítulos (leia aqui) Mindhunter se preocupou primeiramente em estabelecer a dinâmica entre os agentes Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany) com a linha de pesquisa que ainda estava surgindo, a segunda metade da temporada se aprofunda e detalha como traçar os perfis dos assassinos seriais que eles entrevistam passam a surtir efeito em prever os próximos passos deles – ou mesmo prendê-los antes que cometa mais algum crime.

E isso também acontece graças à contribuição da doutora Wendy Carr (Anna Torv), que complementa a visão policial que os agentes do FBI tinham com seus conceitos acadêmicos que tentam apontar alguma direção. Até por causa disso Mindhunter nos fascina porque a série não entra apenas na psicologia dos assassinos, mas também na dos policiais. Claro, é preciso oferecer alguma explicação para a obsessão de Holden e Bill com essas pessoas enquanto todos ao seu redor preferem esquecê-los e jogá-los diretamente em uma cadeira elétrica para não serem mais lembrados.

Foto: Divulgação/Netflix

E ninguém mais indicado do que David Fischer, responsável por dirigir os dois primeiros e dois últimos episódios da série, para filmar essa atmosfera tão cerebral. Apesar de demorar para assistirmos a curiosidade jogando contra os agentes, quando a obsessão de Ford finalmente o faz tomar decisões controversas (que inclusive minam os relacionamentos com as pessoas à sua volta) que o leva a ser diretamente confrontado por Edmund Keeper (Cameron Britton), um dos primeiros assassinos em série que ele entrevista, Mindhunter foge de excessos e recria os anos 70 entre a leveza de um ou outro momento engraçado e a tensão por crimes que começam a chocar a sociedade e a própria força policial.

Mas até chegar a esse ponto de catarse, Mindhunter segue o seu próprio tempo, criando dificuldades e desafios para os agentes à medida que entrevistam assassinos como Richard Speck (Jack Erdie) ou Jerry Brudos (Happy Anderson), onde cada um deles assume personas e condutas diferentes às quais eles são forçados a irem além do que apenas seguir um questionário que os faça compreender suas motivações.

Foto: Divulgação/Netflix

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Com uma fotografia escura e que cria uma atmosfera sombria capaz de nos fazer imaginar que estamos assistindo um filme do gênero noir (ou algo do tipo), Mindhunter terminou a primeira temporada mostrando que as coisas não serão tão fáceis quantos esses agentes pensaram que seriam. O envolvimento cada vez maior deles nessa investigação é o que testará seus próprios limites de sanidade e equilíbrio. Os riscos por esse completo envolvimento são colocados à prova ao final da temporada. E talvez seja esse o próximo passo que será dado por Mindhunter, enquanto novos assassinos em série continuam surgindo e atuando.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix]

Vinícius Silva
Sou formado em Jornalismo e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. O vício em Filmes, Séries e nas Artes em geral me levaram à escrita.

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