Séries que tratam de reflexões sobre a vida moderna, relações interpessoais, amor e outros temas se tornaram comuns de uns anos para cá. Girls tem liderado esse movimento atualmente e outros programas foram desenvolvidos em um formato muito similar. Casos de Master of None e Love, por exemplo, ambas da Netflix.

Criada por Joe Swanberg (responsável por filmes como Um Brinde à Amizade e Hannah Takes the Stairs), Easy é a mais nova série do Netflix que se inspirou definitivamente nesses projetos já citados para contar histórias de casais (ou melhor, seres humanos) que estão enfrentando adversidades em diferentes momentos da vida.

No primeiro episódio Easy introduz Kyle (Michael Chernus) e Andi (Elizabeth Reaser), casados há quinze anos e já sem aquele “fogo” inicial. Com dois filhos pequenos, Kyle é um escritor desempregado que está desenvolvendo uma nova peça teatral enquanto Andi é uma mulher bem-sucedida que trabalha em uma grande empresa. É como se o fato dele não ser “o homem da casa” quebrasse a vontade de fazer sexo. E mesmo quando as coisas parecem estar no caminho certo para acontecer, fica aquele sentimento agridoce, uma quebra de expectativa por se dar conta de que o sexo nunca mais será como era no início do relacionamento.

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Kyle e Andi se esforçam para recuperarem a química de antes. | Foto: Divulgação/Netflix

Porém, há outros fatores externos que atrapalham a química entre os dois: os dois filhos, o trabalho (o celular não para de tocar), a preocupação com qual papel cada um tem dentro de casa. E todo esse “lance” de modernidade parece nos exigir muito mais do que o simples “querer ficar junto”. Mas às vezes o “querer” é tão forte que algumas pessoas mudam de personalidade só para agradar o outro. Foi o caso da trama do segundo episódio, quando Chase (Kiersey Clemons) até tenta virar vegana para agradar a recente namorada Jo (Jacqueline Toboni). A tentativa constante de se provar para o outro, de ter validação sobre os seus atos, conduzem as duas a uma resposta óbvia de que precisamos todos ser nós mesmos em qualquer relação. É tão óbvio que nos esquecemos, na maioria das vezes.

Easy segue esse formato antológico que pode soar repetitivo porque todo início de episódio introduz novos personagens, novas situações são construídas, há um momento em que tudo parece desmoronar e no final os personagens aprendem uma lição que os fazem mudar de ideia ou de comportamento. Entretanto, no fim funciona bem porque Easy não se esforça em ser pretensiosa. São discussões contemporâneas que vemos com muito mais frequência nos dias de hoje e a série procura transitar entre vários tipos, situações e exemplos de relacionamento. O formato de uma história ser contada a cada episódio facilita isso.

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Jo e Chase se apaixonam à primeira vista e escondem o que são de verdade. | Foto: Divulgação/Netflix

O que percebo é Joe Swanberg se esforçando em ser justo com as histórias cotidianas que conta. Há contrapontos interessantes entre as tramas como na do primeiro episódio em que o casal tem crianças com idades entr 6 a 8 anos, e em outro capítulo quando Swanberg introduz Tom (Orlando Bloom) e Lucy (Malin Akerman), pais de primeira viagem se ajustando às mudanças e impactos que o primeiro filho trazem em suas vidas. Essas são umas das virtudes de Easy, que lança olhar sob esses diferentes aspectos da vida interpessoal cotidiana e nos convida para discutirmos (e, quem sabe, entendermos)  juntos essas mudanças.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem: Divulgação/Netflix]

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