Café Society, novo filme escrito e dirigido por Woody Allen, estreou nos cinemas brasileiros nesta semana. É uma viagem direta aos anos 20, retratando a indústria de celebridades de Hollywood. E não é a primeira vez que Woody Allen se envereda por esse tema. Em Zelig (1983), por exemplo, o diretor fez o mesmo retrato ao descrever as principais teses do século XX sobre a psicologia de massas em um “pseudo-documentário” que aborda o rápido crescimento da sociedade de massas e o culto às celebridades dos “loucos anos 20”, sob o olhar de Leonard Zelig (interpretado pelo próprio Allen).

Meia-Noite em Paris (2011) tem esse traço saudosista de Woody Allen em relação aos anos 20 e 30 (o diretor nasceu em 1935), sendo mais uma carta de amor à Paris e toda a veia artística que consolidou a Cidade Luz como a capital da cultura até os dias atuais. Tiros na Broadway (1994), A Era do Rádio (1987) e Poucas e Boas (1999) são outros títulos que passeiam pela mesma década tendo focos diferentes mas sempre retratando-a como o grande momento da história – seja no campo psicológico ou cinematográfico, dois temas que estão presentes na filmografia do cineasta.

[SPOILERS A PARTIR DAQUI]

Na história de Café Society, Bobby Dorfman (Jesse Eisenberg, cada vez mais parecido com o próprio Woody Allen em cena, inclusive quando imita seus gestos) é um nova-iorquino que desembarca em Hollywood para tentar a sorte e construir uma vida melhor. Para isso ele conta com a ajuda do seu tio, Phil Stern (Steve Carrell, vivendo uma das melhores fases da sua carreira), um agente que trabalha em Hollywood e que tem os melhores contatos da indústria, além de dar constantes festas e morar em uma mansão luxuosa. Então surge Vonnie (Kristen Stewart), a quem Phil pede para mostrar a cidade a Bobby, que se apaixona na primeira vez que olha para ela.

A partir do romance entre Bobby e Vonnie, Allen constrói um triângulo amoroso quando mostra que na verdade o tal namorado do qual Vonnie falava que tinha era o próprio tio de Bobby, Phil, que agora está em uma sinuca de bico decidindo se pede o divórcio da sua esposa para viver essa grande paixão ou não. Há outras subtramas que são usadas por Allen para preencher a trama principal (como a que envolve o irmão mafioso de Bobby, Ben Dofrman (Corey Stoll) e o clube que os dois abrem juntos em Nova York, além do retrato da família de origem judaica morando em Nova York que remete à própria história de Allen).

Steve Carrell em 'Café Society', novo filme de Woody Allen. | Foto: Divulgação/Amazon Studios
Steve Carrell em ‘Café Society’, novo filme de Woody Allen. | Foto: Divulgação/Amazon Studios

Visual nostálgico

Além da história, claro, um dos primeiros elementos que chama mais atenção no filme é a fotografia de Vittorio Storaro (Apocalypse Now), que preenche a tela com um tom sépia, aquele laranja que tanto nos remete às décadas passadas e principalmente esta em que Café Society é ambientado.

Essa luz, que deixa o filme ensolarado como nas cenas das festas à beira da piscina mas também deixa claro o quanto Woody Allen se esforçou para resgatar as suas lembranças e memórias daquele tempo, (a cena do interior do apartamento onde Bobby mora em Los Angeles quando mostra a mesa pronta e ele à espera de Vonnie para um jantar que ambos tinham combinado), são momentos que mostram um cuidado permanente com a estética do filme, o deixando ainda mais nostálgico e também romântico.

Café Society não fica muito atrás dos outros projetos de Woody Allen quando este decide visitar o seu passado. O filme tem um charme particular que busca homenagear as produções daquela época (uma cena de The Woman in Red (1935) com Barbara Stanwyck é mostrada em uma determinada cena) e outras referências que Allen usa no decorrer do seu filme que exprimem que, para o diretor e roteirista, aqueles foram os melhores anos.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem: Divulgação/Amazon Studios]

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