Emmys 2017: novas emissoras e plataformas acirram competição da premiação

Ano após ano o Emmy Awards ganha espaço e importância, não apenas para o reconhecimento das séries, mas principalmente para as emissoras e plataformas que começam a investir em divulgação em proporções similares ao Oscar, por exemplo. Isso explica o por que de canais como National Geographic e ESPN buscarem participar da cerimônia e brigarem com nomes de peso como HBO, Showtime e AMC.

Isso acontece de forma recorrente em intervalos de cinco anos, mais ou menos. Em 2002, por exemplo, a FX (hoje já reconhecida e estabelecida no mercado) recebeu sua primeira indicação ao Emmy com a série The Shield. Em 2007 (você vai se recordar), a AMC introduziu a minissérie Broken Trail e logo em seguida Mad Men, se colocando de vez como uma das principais emissoras. Em 2013 foi a vez da Netflix com House of Cards começar a mudar o jogo e, principalmente, a indústria.

Agora, em 2017, mais emissoras tentam percorrer o mesmo caminho. A National Geographic apostou na série antológica Genius, criada por Brian Grazer, dirigida por Ron Howard e que alcançou dez indicações. Quando antes teríamos ouvido falar sobre o Nat Geo se não agora por uma série original, mas que mantém a assinatura e o perfil de produções do canal? Recentemente, Brian Grazer disse que é preciso apenas uma série que seja bem recebida pela crítica e pelo público para dar credibilidade para as pessoas levarem a sério. Parece simples, certo? Mas leva tempo.

A ESPN que o diga. Há tempos que o canal aposta em produções documentais (como a série 30 for 30), mas só em 2016 que a emissora da Disney finalmente elevou o próprio patamar com o documentário OJ: Made in America. Se antes a ESPN nunca obteve nenhuma indicação ao Emmy (o mesmo acontecia com a VH1, indicada pela série RuPaul’s Drag Race), por conta dessa produção (que venceu o Oscar de Melhor Documentário), o canal a cabo esportivo recebeu sete nomeações que darão, agora, ainda mais visibilidade e coragem para continuar apostando em conteúdos desse nível.

The Handmaid’s Tale alavancou as indicações da plataforma de streaming Hulu. | Foto: Reprodução

Portas abertas

Estávamos acostumados a assistir séries e programas apenas na televisão. Não é mais novidade nenhuma que isso mudou e que as plataformas de streaming estão agora em uma curva de evolução que não sabemos exatamente onde vai parar. O Facebook anunciou recentemente que vai apostar em seu próprio canal de distribuição na Internete o mesmo vai fazer a Disney com previsão de lançamento de 2019. Isso quer dizer, então, que veremos muito mais novas plataformas sendo indicadas nos próximos anos, o qual aumentará e muito a concorrência na produção de conteúdo original.

A gigante Apple está pronta para entrar no mercado, aportando 1 bilhão de dólares para a produção de conteúdos originais e planeja nada menos do que 10 séries para 2018.

Está mais do que claro que, com as portas abertas pela Netflix em 2013, outras plataformas vieram no embalo e estão começando agora a receber indicações e reconhecimento. O Hulu é um deles. Com 18 indicações, o serviço lançou neste ano a bem conceituada pela crítica The Handmaid’s Tale e dá indícios de que agora finalmente entrou no radar das grandes premiações. Mas talvez alcance algo mais importante: ser conhecida por um público que ainda não via no serviço a mesma qualidade que se descobriu em outras plataformas.

Para essas novas emissoras e plataformas sendo indicadas, o essencial é compreender sua audiência e continuar entregando conteúdo de qualidade sem que a indicação ao Emmy seja parte de uma estratégia obrigatória e necessária. Eventualmente, isso vai acontecer. Como consumidores dessas produções, quem ganha somos nós – e o próprio Emmy, que poderá se autointitular de verdade como o “Oscar”da TV.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix]

1 Comment

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *