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Emmys 2017: Stephen Colbert é a escolha ideal para apresentar a cerimônia

O apresentador do The Late Show da CBS que substituiu David Letterman há dois anos, Stephen Colbert, foi escolhido para apresentar a cerimônia de premiação do Emmy Awards em 2017. E poucas vezes uma escolha pareceu tão certa quanto esta. Isso porque em tempos de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos e a divisão de uma América mais nítida do que nunca, Colbert vai poder levar o seu lado satírico, político e inteligente para uma grande audiência durante um grande show.

Acompanhando o The Late Show desde o seu início, Colbert demonstrou por vezes que estava lutando para achar o caminho e o tom certos após oito anos no Comedy Central, onde apresentava o The Colbert Report e vivia um personagem de direta e Republicano. Na transição para ser ele mesmo, o The Late Show perdia constantemente em audiência e relevância para o rival The Tonight Show, apresentado por Jimmy Fallon. Até que uma virada no dia da Eleição americana mudou completamente o programa.

Com a vitória certa de Donald Trump, Stephen Colbert estava apresentando o seu programa ao vivo no canal a cabo Showtime. E ele foi o responsável pelo discurso mais sincero sobre a reação dos americanos àquela fatídica noite. A partir daí, e do episódio ridículo de Jimmy Fallon passando a mão nos cabelos de Trump, o The Late Show ganhou em audiência tanto na TV (onde está em primeiro lugar já há algum tempo) e também na Internet, uma vez que um vídeo recente do programa onde ele canta uma canção de despedida para Jimmy Scaramucci, ex-Diretor de Comunicação que ficou na Casa Branca por apenas dez dias, atingiu incríveis 3 milhões de visualizações no YouTube, segundo dados do Deadline. Apesar de Trump dizer em entrevista à revista Time que Stephen Colbert era “alguém sem-talento tentando lidar com baixa audiência”, tudo indica que na verdade o apresentador tem recebido muita atenção – inclusive do presidente dos EUA.

Relevância também aumentou

Uma reportagem recente do site The Hollywood Reporter apontou os dois extremos do The Late Show de um ano atrás e o de agora. Se antes o próprio Colbert parecia perdido sobre a direção do programa e preocupado com as críticas que recebia sobre suas performances, agora em 2017 ele finalmente encontrou o caminho que o separa definitivamente do seu antecessor David Letterman. Não foi uma solução que ele conseguiu achar sozinho. Pelo contrário, a presença do showrrunner Chris Licht (responsável anteriormente pelo CBS This Morning) o influenciou diretamente e retirou de si um peso e uma preocupação que o fizeram a partir de então se preocupar apenas com o roteiro e sua performance, ou seja, aquilo que ele faz de melhor.

Entretanto, essa mudança de patamar de relevância não veio por acaso. Porque é bom que se diga que Stephen Colbert desde o início trouxe comentários políticos e análises sobre o noticiário para o programa. O que mudou nesses dois anos efetivamente foi o fato de ter parado de receber CEOs de empresas como vinha acontecendo, enquanto os seus monólogos (hoje capítulos à parte ao programa) passaram a ter mais tempo de tela introduzindo um contato mais direto com a audiência que assiste pela TV e também com aquela que comparece ao Ed Sullivan Theater, em Nova York.

Desde as Eleições que Donald Trump é o alvo preferido de Stephen Colbert. | Foto: Reprodução

E isso tem a ver com aquela noite fatídica do programa ao vivo quando a eleição de Trump foi concretizada. Em outra entrevista, dessa vez ao NY Times, Colbert conta que, após perceber que o resultado já estava certo, o programa se transformou em algo completamente pessoal. “O show foi absolutamente sobre mim porque tínhamos 80 minutos restando e sem comerciais. Foi sobre eu, cru, e não escondendo nada do que estava sentindo. Eu não desejo isso a ninguém porque foi a coisa mais difícil que eu já fiz”, conta.

Esse é exatamente o tipo de interação e conteúdo que esperamos que aconteça durante o Emmy Awards. Não irão faltar piadas sobre Donald Trump e sua conturbada administração, sobre a elite branca que tenta conquistar algum espaço nos EUA hoje, sobre as figuras colocadas por Trump em seu gabinete e sobre os fracassos do partido Republicano em substituir o programa de Saúde e Assistência Obamacare. Mas claro que não faltarão também performances do seu tempo de improviso em Chicago, com suas imitações de Donald Trump e suas reações que imitam também as próprias reações do público presenciando todas essas loucuras.

Destilando piadas e não ódio

É impossível, obviamente, não ficar irritado lendo o noticiário – e essa não é uma particularidade dos Estados Unidos, é bom que se diga. Stephen Colbert fica, como qualquer ser humano que vê falhas, erros e injustiças sendo cometidas. Segundo ele, ficar irritado é algo que faz parte do seu processo de escrita mas não é o objetivo final dela.

“O objetivo é executá-lo através do seu processo de destilação de piadas, o que me torna capaz de manter certa distância. Você precisa cuidar dos monólogos, então faz parte do processo se deixar ser perplexo e chocado pelas coisas que lê. A raiva é algo capitalizado para seus próprios propósitos. E a confusão é um ato de controle. A raiva pode ajudá-lo a escrever apaixonadamente, mas você não deve levá-lo ao palco”, disse em entrevista ao THR.

Como estamos há pouco menos de um mês da cerimônia, é possível que muitos novos casos virão à tona daqui até lá. O que não vai faltar é material para Stephen Colbert se debruçar e fazer uma cerimônia que cumpra as expectativas que estão sendo geradas. Por isso fiz a seguinte lista:

Cinco momentos que mostram porquê Stephen Colbert é o apresentador certo para o Emmy Awards desse ano:

  1. Antes de Barack Obama se despedir da Casa Branca, Stephen Colbert questionou as habilidades do presidente considerando que ele não conseguia acompanhar os conflitos em Game of Thrones, série da HBO que, inelegível neste ano, não foi indicada.

    2. Desde o Colbert Report que o apresentador é famoso por sua obsessão com O Senhor dos Anéis. Muitos atores tentam testar seus conhecimentos sobre os personagens e histórias do mundo de Tolkien. E todos fracassam. Ele mostra mais uma vez que é o fã número um de Tolkien – e ainda zomba cientistas brasileiros. Imperdível.

    3. Invasão à Convenção Republicana. O The Late Show foi talvez o único programa noturno nos EUA com uma cobertura realmente precisa das eleições americanas, com programas ao vivo e piadas que refletiam o que estava acontecendo no noticiário dos candidatos. O ápice desses momentos foi no quadro “The Hungry for Power Games”, quando Colbert se veste de Caesar Flickerman e invade a convenção do partido Republicano.

    4. Com mais de 3 milhões de acessos, Stephen Colbert dá adeus a Anthony Scaramucci em um dos monólogos mais engraçados e certeiros do programa.

    5. Há um The Late Show antes desse monólogo e depois dele. E o sucesso que Stephen Colbert vem fazendo é justamente por causa desse vídeo.

[Crédito da Imagem de Capa: Reprodução]

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