Cinema

[ENTREVISTA]: Domenica Cameron-Scorsese fala sobre “Almost Paris”, seu 1º longa

A diretora Domenica Cameron-Scorsese, que leva o sobrenome de um dos cineastas mais importantes da nossa geração, estreia na direção de um longa-metragem no filme Almost Paris (2016). Selecionado para participar do Festival de Cinema de Tribeca neste ano, Almost Paris trata da história dos impactos da crise financeira de 2008 em uma família quando o personagem principal da trama decide voltar para a sua cidade-natal logo após a explosão da quebra de Wall Street.

O interessante de conversar com Domenica é sentir a sua paixão quando fala sobre cinema e, principalmente, quando comenta também a influência e os impactos que os filmes do seu pai tiveram em sua vida e também em seu trabalho.

Na entrevista a seguir, além de falar sobre isso, a cineasta também comenta sobre os desafios de ter filmado o seu primeiro longa-metragem após ter dirigido dois curtas e sobre a importância da diversidade e igualdade na indústria cinematográfica. Sobre o Brasil, ela disse que ainda não conhece mas que precisa conhecer assim que possível (os produtores do filme têm negócios no país). Esperamos que quando ela vier ela também traga Almost Paris consigo.

Confira:

TríviaMail: Depois de três curtas metragens, Almost Paris é o seu primeiro longa-metragem como diretora e foi selecionado para o Festival de Tribeca desse ano. Parabéns!

Domenica Cameron-Scorsese: Eu estou nas nuvens e muito feliz que o filme foi escolhido. Eu gosto muito desse festival e os meus dois curta-metragens foram também exibidos nele anteriormente. Eles fazem um esforço grande para manter um relacionamento com os realizadores, também diretores de longas mas em especial cineastas que exibem curtas porque eles oferecem um ambiente muito favorável para esses diretores.

O que te chamou mais atenção na história de Almost Paris que a fizesse agarrar esse projeto e torná-lo o seu primeiro trabalho na direção de um longa?

Domenica Cameron-Scorsese: No primeiro momento, Almost Paris era um filme com um pequeno orçamento mas com uma ideia de realizar um trabalho com as pessoas que conhecemos e com os poucos recursos que tínhamos. Eu recebi o roteiro e logo na primeira vez que li me senti atraída por esse projeto. O filme conta uma história complicada sobre o impacto da crise financeira de 2008 em uma família. Como uma contadora de histórias, uma das coisas que mais me fascina são as dinâmicas familiares.

Você inclusive trata desse assunto em seu último curta, Roots in Water (2010), não é?

Domenica Cameron-Scorsese: Isso e eu gosto de girar em torno de histórias que exploram os pontos de vista pessoais do personagem. Então, o protagonista de Almost Paris precisa lidar com alguns questionamentos (e verdades) desconfortáveis sobre quem ele é e em como ele se define relacionado ao lugar de onde ele cresceu, sua comunidade, sua família. As pessoas às vezes correm de onde elas são ou correm até o lugar de onde vieram. E eu amo muito histórias que tratam sobre esses impulsos e que mexem com isso.

Foto: Divulgação/Tribeca Film Festival
Foto: Divulgação/Tribeca Film Festival

No filme, o protagonista retorna para a sua cidade-natal, certo? O que você acredita que ele espera encontrar?

Domenica Cameron-Scorsese: Esse não foi um script que eu escrevi. Se alguém viesse até mim e me perguntasse “ei, você quer fazer um filme sobre impacto financeiro?” primeiro eu iria pensar “ei, o que você quer dizer?”. Mas o que me puxou para o roteiro foi a oportunidade de dividir e explorar as relações e a forma como elas mudam e são afetadas pela pressão financeira. Max é forçado a mudar de casa com seu filho e marido para voltar a viver com seus pais. E o que acontece com o marido dela por estar sem trabalho e ver o sogro, e ao mesmo tempo ver a mulher que no momento é a única com emprego. E ele tem que pedir $ 20 extra para comprar um par de tênis para o filho, e em como esse momento específico reflete o que eu acho que acontece com muitas famílias de gerações diferentes e em como isso modifica a forma em como a gente vê o que é possível. O modo como as coisas mudam. Nós temos alunos universitários agora que voltam para casa. Não é uma questão de curso, eles não estão preocupados em passar nessa primeira fase. Eles estão tentando segurar seus primeiros empregos. É muito diferente de quando eu saí da faculdade. E os tipos de empregos que eles estão conseguindo. Hoje temos pessoas com 30 anos voltando a viver na casa dos pais porque algo não deu certo e eles têm que voltar para se estruturar. E você tem a geração baby boom que não consegue se aposentar apesar de querer; e outros que não querem se aposentar e estão se reinventando em seus 60 e 70 anos. É uma grande mudança cultural.

Enquanto você estava falando eu estava pensando em A Grande Aposta (2015) e o filme é tão triste, não é?

Domenica Cameron-Scorsese: Sim, eu adorei que você tocou nesse assunto. Eu assisti esse filme e eu fiquei muito feliz que eu não fiz um filme assim. Eu não tentei explicar como a crise financeira chegou a isso, eu quis ficar apenas com o impacto pessoal. Mas eu tenho que dizer que o roteiro desse filme é brilhante e eu também acho que quando uma coisa é assim tão difícil de definir e falar e teve tanto impacto no mundo que chega a ser doloroso, tentar fazer isso como humor é tentar levar de uma forma que as pessoas entendam o que aconteceu. E eu achei que eles fizeram isso de uma forma brilhante. Uma coisa em relação a Almost Paris e que foi incrivelmente importante para mim, mesmo que pessoas passassem necessidades por conta da crise, nós também somos muito focados em resiliência, criatividade e amor. Até chegar às coisas novas com esperança. Eu acho que muito do que estou testemunhando ao meu redor aqui em Chicago com meus amigos e família vai mudar o modo como a gente vive. E a gente tem que ter um tipo de resiliência e bom esforço de trabalho para que possamos continuar seguindo em frente.

Foto: Divulgação/Tribeca Film Festival
Foto: Divulgação/Tribeca Film Festival

Quais você acredita que foram os principais desafios em filmar Almost Paris?

Domenica Cameron-Scorsese: Os principais desafios que enfrentamos foi que, ao trabalhar com um orçamento tão curto talvez o dinheiro servisse apenas para fazermos um filme com no máximo quatro personagens e uma ou duas locações. Para mim, como diretora, um grande desafio foi lidar com um elenco tão numeroso. No meu curta anterior eu lidava com até quatro personagens. Nesse filme, às vezes, eu lidava com mais de seis personagens em cena e era difícil fazer com que todo mundo coubesse no mesmo quadro. Imagine cinco ou seis pessoas dentro de uma cozinha… A câmera simplesmente não consegue encaixar todo mundo. A todo tempo tivemos que nos adaptar e acho que fizemos um filme bem orgânico porque toda a equipe de design de produção, câmera e os outros departamentos queriam que esse filme realmente fosse bonito e maximizamos bastante tudo o que tínhamos em mente para ser feito. Para finalizar, acredito que os problemas foram meio que padrões para um filme independente e isso nos forçou sermos criativos em muitos momentos que precisamos improvisar para fazer dar certo e tudo correr bem com a história.

Foto: Divulgação/Tribeca Film Festival
Foto: Divulgação/Tribeca Film Festival

Nesse ano, 1/3 dos filmes selecionados para o Festival de Tribeca foram dirigidos por mulheres. E você é uma delas. Como você se sente em fazer parte desse momento e o que você acha que falta para que exista essa igualdade e a diversidade que tanto se debate hoje na indústria?

Domenica Cameron-Scorsese: Eu me sinto muito feliz em fazer parte desse momento. Esse é um passo muito positivo que o festival de Tribeca está dando, em ter uma boa quantidade de filmes realizados por vozes e perspectivas femininas. Uma parte de mim, e preciso ser bem honesta em relação a isso (talvez nunca aconteça) mas eu realmente espero chegar um dia em que falaremos que é metade-metade e soará normal termos metade dos filmes selecionados sendo dirigidos por mulheres. Isso significa termos um ambiente de trabalho que na verdade reflita as diversidades que existem na nossa sociedade. A minha geração e a próxima geração de realizadores devem se sentir dispostos a serem “uma nova onda” de contadores de histórias. Porque o ponto de vista dessas pessoas, não importa o sexo, raça, orientação sexual ou crenças políticas, é muito valioso. E digo isso porque fazer filmes se tornou algo tão mais acessível por causa da tecnologia que deveria ser muito mais inclusiva. Quando o meu pai começou [Martin Scorsese] as câmeras não eram acessíveis. As pessoas hoje estão fazendo filmes usando seus celulares e eu espero que tudo isso reflita uma perspectiva mais global sobre a nossa humanidade, sobre o nosso mundo.

Foto: Reprodução/Almost Paris Official Website
Foto: Reprodução/Almost Paris Official Website

Você mencionou o seu pai e o festival de Tribeca desse ano também é especial pela exibição de Taxi Driver (1976) que está completando 40 anos em 2016. Os filmes de Martin Scorsese te influenciaram de que forma?

Domenica Cameron-Scorsese: É uma situação engraçada para mim e eu penso em muitas coisas quando lembro disso, em parte porque foi nesse filme que meus pais começaram o relacionamento, e a cada ano que Taxi Driver celebra o aniversário eu também celebro. Então nós estamos fazendo 40 anos juntos. Eu digo isso porque você me perguntou como os filmes de Scorcese me influenciaram e o que é engraçado é que existe uma estrutura familiar em que nós pensamos “oh, espere um minuto, em que filme isso aconteceu?” e se for A Época da Inocência (1993) por exemplo, eu vou saber onde a gente estava e o que estávamos fazendo. Com Cassino (1995) eu tenho uma forte conexão visual. Então é como um modo diferente de ver o mundo, de projeto em projeto. E uma coisa engraçada é que eu cresci enquanto a carreira de meu pai mudava, a minha geração de diretores e a geração anterior a mim foram impactados por filmes diferentes feitos por meu pai.

Assim, eu amo o trabalho de meu pai. E é legal que uma grande porção das pessoas também ama o trabalho do meu pai. Eu acho que o modo como isso me influenciou foi ouvindo como meu pai fez os filmes que ele fez, as escolhas e como ele navegou nesse sistema de estúdios e contou as histórias que ele queria contar. Antes de tudo ele é um modelo tremendo para mim, assim como minha mãe com o seu trabalho artístico. Em muitos sentidos, primeiro eu tenho que dar o crédito de que eu fui criada por dois artistas que são muito bem sucedidos e talentosos no que eles fazem. Então eu cresci acreditando que era possível e eu acho que isso é o maior caminho para o sucesso. Se você vem de uma família ou uma comunidade que não acredita que tudo é possível fica muito mais difícil sonhar e realizar seus sonhos.

Eu diria que eu vi como todos os livros que minha mãe escreveu consumiu uma parte dela e eu vi que todos os filmes que meu pai fez de certa forma influenciaram na vida dele ou no período de tempo em que ele trabalhou nesses filmes. Então eu sabia que se eu fosse dirigir eu não poderia fazer um filme pelo qual eu não fosse apaixonada. Então o que eu aprendi com meu pai é que é preciso ter um fogo e uma paixão suficientes para conseguir terminar. Outra coisa que meu pai me influenciou é que eu amo a natureza visceral dos filmes dele. Eles são verdadeiramente uma experiência emocional para mim. E eu venho tentando como diretora contar histórias que vão se conectar com a audiência em uma forma emocional e eu acho que tanto meu pai quanto minha mãe me ensinaram que o ato de fazer alguma coisa é tanto pessoal quanto público – e até político. E se há um pouco de você que quer ir para o mundo, você tem que deixá-lo ir.

Crédito da Imagem: Reprodução


English Version

Domenica Cameron-Scorsese is lauching her first feature film this year during the Tribeca Film Festival. She, who takes the surname of one of the most important filmmakers of our generation, make her directorial debut in Almost Paris (2016). The movie tells the history of the 2008 financial crisis impacts on a family when the main character of the plot decides to return to his hometown after the explosion of the Wall Street crash.

The interesting thing about talking to Domenica is to feel your passion when he talks about cinema, and especially when also comments on the influence and impact that his father’s films had in your life and in your work.

In the following interview the filmmaker also comments on the challenges of having shot her first feature film after directing two short films, and about the importance of diversity and equality in the film industry. About Brazil, she said she does not know but need to know as soon as possible (the film’s producers have business in the country). We hope that when it comes it also brings Almost Paris with her.

Read the interview:

Trivia Mail: After three short films, Almost Paris is your first feature film as a director and was selected for the Tribeca Film Festival this year. Congratulations!

Domenica Cameron-Scorsese: I’m over the moon and delighted that was chosen. I have loved this festival and I had two of my short films there previously. They really make an effort to maintain a relationship with the short filmmakers, also long directors, but especially short filmmakers because they offer a very favorable environment for these directors who are early in their careers and they really provide a very good environment.

What caught most your attention in the script of Almost Paris who made you grab this project and become your directorial debut in a feature film?

Domenica Cameron-Scorsese: At first, Almost Paris was a movie with a small budget but that comes with the spirit to do a movie with the people we know and with the few resources we had. I got the script written by Michael’s [Michael Sorvino, producer and actor in the movie] best friend from his childhood and at the very first time I read, I felt attracted to this project. The film tells a complicated story about the impact of the 2008 financial crisis in a family, directly after the mortgage landing crisis. As a storyteller, one of the things that I’ve been really draw towards is family dynamics.

You addresses this issue in the short-film, Roots in Water (2010), isn’t it?

Domenica Cameron-Scorsese: That and I’ve really gravitate towards stories that have a lot to do with personal turning points. So, the protagonist of Almost Paris have to deal with some truth and uncomfortable questions about who he is and how he sets related to the place where he grew up, his community, his family. People sometimes run where they are or run to the place where they came from. And I love stories that deal with these impulses and that move with it.

In the film, the protagonist returns to his hometown, right? What do you think he expected to find?

Domenica Cameron-Scorsese: This was not a script that I wrote. If someone came to me and asked me, “Hey, do you want to make a film about the financial crisis?”. First I would think “hey, what do you mean?”. But what drew me to the script was the opportunity to share and explore the relationships and how they change and are affected by financial pressure. Max is forced to move home with her son and husband to return to live with their parents. And what happens to her husband to be without work and see the father, and at the same time to see the woman who at the moment is the only one with a job. And he has to ask for extra $ 20 to buy a pair of shoes for the child, and how this particular time reflects what I think happens to many families of different generations and how it changes the way as we see the it’s possible. How things change. We have college students now returning home. It is not a matter of course, they are not concerned to pass this first phase. They are trying to hold their first jobs. It is very different from when I got out of college. And the types of jobs they are getting. Today we have people with 30 years back to live in her parents’ house because something did not work and they have to go back to structure themselves. And you have the baby boomers who can not retire despite wanting; and others who do not want to retire and are reinventing themselves in their 60s and 70s. It is a major cultural change.

While you were talking I was thinking about The Big Short (2015) and this movie is so sad, isn’t it?

Domenica Cameron-Scorsese: Yes, nice that you brought that up. I watched this movie and I was really glad I did not do a movie like that. I didn’t tried to explain how the financial crisis has come to this, I wanted to just have the personal impact. But I have to say that the script of this film is brilliant and I also think that when something is so difficult to define and speak and had much impact on the world as to be painful, try to make it as humor is trying to take so that people understand what happened. And I thought they did it brilliantly. One thing about Almost Paris and that was incredibly important to me, even if people passed needs due to the crisis, we are also very focused on resilience, creativity and love. To reach the new things with hope. I think a lot of what I am witnessing around me here in Chicago with my friends and family will change the way we live. And you have to have a kind of resilience and good work effort so that we can keep moving forward.

What do you think were the main challenges in filming Almost Paris?

Domenica Cameron-Scorsese: The main challenges we faced was that when working with such a low budget may serve only to do a film with a maximum of four characters and one or two locations. For me as a director, a major challenge was dealing with such a large cast. In my short before this film I dealt with up to four characters. In this film, sometimes I was dealing with more than six characters in the scene and it was hard to make everyone fit in the same frame. Imagine five or six people in a kitchen… The camera just can not fit everyone. Every time we had to adapt and I think we did a organic film because the entire team of production design, camera and other departments wanted this film was really beautiful and very maximize everything we had in mind to do. Finally, I believe that the problems were kind of standards for an independent film, and it forced us to be creative in many moments that we need to improvise to make it work and everything goes well with the story. And also I need to say how much I love to work with the actors. I had the privilege of gaining to work with really extraordinary people that as actors were able to stay very tridimensional.

This year, one third of the films selected for the Tribeca Film Festival were directed by women. And you are one of them. How do you feel to be part of this moment? And what do you think is missing for more equality and diversity in this industry?

Domenica Cameron-Scorsese: I am delighted to be part of this moment. I think it’s very positive step that Tribeca has such quantity of films from female voices and perspective. A part of me, and I must be very honest about it (may never happen) but I really looking forward to a day when we’ll talk that is half-half and will sound normal in terms that we have half of the selected films directed by women. This means we have a work environment that actually reflects the diversities that exist in our society. My generation and the next generation of filmmakers should feel willing to be a new wave of storytellers. Because the point of view of these people, no matter the gender, race, sexual orientation or political beliefs, it is very valuable. I say this because making movies has become something so much more accessible because of technology that should be much more inclusive. When my father started [Martin Scorsese] cameras were not accessible. People today are making movies using their phones and I hope that all this reflects a more global perspective on our humanity, of our world.

You mentioned your father and the Tribeca Film Festiva this year is also special because Taxi Driver (1976) celebrates the 40th anniversary this year. How Martin Scorsese’s films influenced you in what way?

Domenica Cameron-Scorsese: It’s a funny situation for me and I think a lot of things when I remember that, in part because it was this film that my parents started the relationship, and every year that Taxi Driver celebrates the anniversary I also celebrate. So we’re doing 40 years together. I say this because you asked me how Scorsese films influenced me and what’s funny is that there is a family structure that we thought “oh, wait a minute, what movie this happen?”. And if is The Age of Innocence (1993) for example, I’ll know where we were and what we were doing. With Casino (1995) I have a strong visual connection. So it’s like a different way of seeing the world, from project to project. And a funny thing is that I grew up as my father’s career changed, my generation of directors and the generation before me were impacted by different movies made by my father.

I love my father’s work. And it’s cool that a large portion of people also love the work of my father. I think the way it influenced me was hearing how my father made the films he made, choices and how he navigated this studio system and told the stories he wanted to tell. First of all he is a tremendous role model for me, as my mother with your artwork. In many ways, first I have to give credit that I was raised by two artists who are very successful and talented in what they do. So I grew up believing that it was possible and I think this is the greatest way to success. If you come from a family or a community that does not believe that anything is possible it is much more difficult to dream and realize their dreams.

I would say how all the books that my mother wrote consumed a part of it and I saw all the movies that my father did somehow influenced in his life or the period of time he worked on these films. So I knew that if I was directing I could not make a film for which I was not in love. So what I learned from my father is that you must have a fire and a passion enough to be able to finish. Another thing my father influenced me is that I love the visceral nature of his films. They are truly an emotional experience for me. And I’ve been trying as director telling stories that will connect with the audience in an emotional way and I think that both my father and my mother taught me that the act of doing something is both personal and public – and even political. And if there are some of you who want to go to the world, you have to let it go.

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