Cinema

Estudo avalia o crescimento da produção audiovisual no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral encomendada pela Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), e com apoio do Sebrae, avaliou o mercado de produção audiovisual no Brasil. Em franco desenvolvimento, o resultado apresentado mostrou a importância desse setor para a economia – além de traçar um perfil sobre as produtoras independentes brasileiras.

De acordo com as informações divulgadas pela Fundação Dom Cabral, houve crescimento de 153% no volume de horas produzidas e registradas na Ancine entre 2008 e 2014. Atualmente, o país consome 4.288 horas de conteúdo original. Nesse embalo as produções seriadas foram as que mais cresceram e conquistaram espaço. Antes o registro era de 703 horas, hoje chega a 2.943 mil horas.

Isso, claro, tem um impacto importante por causa da Lei 12.485 que regula a TV paga (saiba mais aqui). Discutida durante cinco anos e oficialmente em vigor desde 2012, o objetivo da Ancine com essa medida foi claro: valorizar a cultura brasileira e incentivar uma nova dinâmica para produção e circulação de conteúdos audiovisuais produzidos no Brasil.

Um outro fator na lei que beneficiou esse aumento no registro de horas foi quanto à abertura do mercado brasileiro a novos competidores, estabelecendo assim uma obrigação de conteúdos brasileiros na programação dos canais de assinatura.

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Serviço da HBO GO pode ser adquirido a partir da próxima quarta-feira (7). | Foto: Reprodução

Na onda do streaming

Mas nenhum serviço cresceu mais no Brasil do que o segmento “over-the-top”, como a Netflix. O estudo projeta um crescimento de 33% nas receitas até 2018, saindo de US$ 260 milhões (2015) para US$ 462 milhões. Se essa projeção se concretizar o Brasil ultrapassará países importantes que têm recebido esses investimentos, como o México.

E não é só a Netflix que está de olho nesse mercado. A poderosa HBO anunciou oficialmente o lançamento do seu serviço de streaming para competir com a Netflix. A tão esperada HBO GO finalmente está chegando aos brasileiros. A partir de quarta-feira (7) os assinantes da OI nos estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Bahia e Distrito Federal já podem começar a assinar o serviço, que custará aqui no Brasil R$ 34,90 (valor bem próximo dos US$ 15 dólares cobrados nos EUA).

A HBO pretende ampliar a área de cobertura ao longo de 2017 e o aplicativo funciona independemente da assinatura de pacotes HBO nos canais fechados, sendo disponibilizados em dispositivos Android, iPhones, iPads, computadores e aparelhos Xbox, da Microsoft.

Quem também está de olho no crescimento desse mercado é a Amazon Prime Video, o serviço de streaming da gigante do varejo, que a partir de dezembro estará aberto para todo o mundo. Disponível por enquanto em apenas dez países, a expansão vai levar o serviço para mais de 200 territórios. E com isso a Amazon espera poder competir de frente com a Netflix e também com a HBO.

Ainda não há informações sobre o valor da mensalidade para o Brasil. Nos Estados Unidos a Amazon cobra US$ 8,99 (ante os US$ 9,99 cobrados pela Netflix). Em outros países, quem assina o serviço de entregas rápidas pela Amazon Prime tem automaticamente direito ao Amazon Prime Video. Imaginamos que essas informações sejam divulgadas em breve para o público. Vamos ficar atentos.

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Apesar do crescimento de produções seriadas, cinema continua atraindo imenso público. | Foto: Reprodução

Público nos cinemas também cresce

Se as produções seriadas tiveram bons resultadas impulsionadas por esses serviços de streaming que estão desafiando a forma como o conteúdo é compartilhado e exibido hoje, o cinema continua sendo uma plataforma importante e que atrai muito público. Entre 2009 e 2015, o crescimento foi de 53%, atingindo 172,9 milhões – o faturamento bruto com bilheteria alcançou R$ 2,3 bilhões (o que representa um aumento de 142%).

Esse aumento está diretamente ligado ao número de produtoras no Brasil. Atualmente são mais de sete mil cadastradas na Ancine, onde 56,7% estão colocadas no segmento independentes e 66% têm acima de cinco anos de operação.

A maior parte das produtoras com menos de cinco anos ainda lidam com algumas dificuldades para a distribuição e comercialização do conteúdo, além de dependerem bastante das leis de incentivo e captação de recursos. Mesmo assim, as produtoras brasileiras estão cada vez mais criativas e é essa a aposta delas para serem diferenciais uma das outras em um mercado tão competitivo, mas em expansão.

[Crédito da Imagem: Reprodução]

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