Cinema

Ettore Scola é o último dos clássicos do cinema italiano a morrer

Ettore Scola era o último dos clássicos cineastas italianos ainda vivo. Internado na ala de coração de um hospital em Roma, ele não resistiu e morreu aos 84 anos. Com a sua morte, todos agora já se foram. E deixam um grande legado para nós, cinéfilos.

O diretor faleceu em Roma aos 84 anos, levando consigo um cinema militante que, nos últimos anos, foi crítico aos tempos que Silvio Berlusconi estava no poder. Para o cineasta, as reivindicações de 1960 ainda estavam vigente mesmo nos dias de hoje. Foi o que ele buscou contar com o filme A História de um Jovem Homem Pobre (1995), por exemplo,

O seu último filme, o documentário Que Estranho Chamar-se Federico (2013), Scola retrata a vida de outro clássico, Federico Fellini, o qual ele considerava como se fosse o seu irmão mais velho. Eles trabalharam juntos no final dos anos 40 na publicação satírica Marc’Aurelio e depois no filme dirigido por Scola, Nós que nos Amávamos Tanto (1974), em que Fellini interpreta a si mesmo.

O cineasta, que na realidade se formou em Direito, começou escrevendo roteiros. Até começar a dirigir filmes com o seu grande parceiro, Ruggero Maccari, que passou a escrever as histórias que Scola filmava no início dos anos 60. Foi assim em Fala-se de Mulheres (1964), em Por um Milhão de Dólares (também lançado em 1964) e Os Amores de um Demônio (1966).

Filmes que pavimentaram sua transição para a década de 70, uma de suas mais criativas e também a mais atuante, com produções sendo lançadas umas atrás das outras. Foi nessa década que ele filmou Um Dia Muito Especial (1977), a sua obra mais conhecida, em que Sofia Loren interpreta uma mulher mal casada, entediada e vizinha de Marcello Mastroianni, um jornalista homossexual, com toda a história sendo conta em meio à visita de Hitler a Roma.

Scola dirigiu Sophia Loren e Marcello Mastroianni em "Um Dia Muito Especial". (Foto: Divulgação)
Scola dirigiu Sophia Loren e Marcello Mastroianni em “Um Dia Muito Especial”. (Foto: Divulgação)

Scola foi indicado quatro vezes ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Um Dia Muito Especial também rendeu uma indicação a Marcello Mastroianni. Nas décadas seguintes, e até o fim da sua vida, prosseguiu fazendo cinema com um olhar sempre voltado para a história da Itália como, por exemplo, Casanova e a Revolução (1982), Macheroni (1985), O Jantar (1998) e, já em 2001, Concorrência Desleal.

Se despediu de Roma com o filme Povo de Roma (2003), em que olha para os prédios e a sua população e os agradece por terem sido tão importantes em sua carreira cinematográfica e pessoal. Ettore Scola vai agora se sentar ao lado dos grandes cineastas italianos. E se juntará ao seu grande amigo, Fellini.


Crédito da Imagem: Reprodução

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