Exposição “Palavras em Movimento” passeia pela obra visual de Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes é um desses artistas completos: músico, poeta, artista plástico, funções que exerce de forma exemplar e que o tornam um dos mais talentosos de sua geração. Na exposição “Palavras em Movimento”, sua obra visual ganha destaque como nunca vimos antes. Grande parte das peças fizeram parte dos seus livros, mas é muito diferente vê-los expostos do que apenas olhá-los numa impressão.

A exposição carrega uma série de emoções. O contato com a poesia concreta que tanto influencia o trabalho de Arnaldo Antunes, seja na composição das suas letras ou mesmo no trabalho manual que desenvolveu com a palavra, está lá impregnado nos mínimos detalhes.

O artista “verbivocovisual”, um termo criado pelo escritor irlandês James Joyce, que o curador da exposição Daniel Rangel faz questão de citar em seu texto de apresentação da mostra, é uma expressão que ajuda a compreender a obra de Arnaldo Antunes: seus poemas são musicados, transformados em dimensões verbais, cunhados sonoramente e que saem do convencional para se transformar em performances poéticas ou entrarem em movimento, tendo um alcance além do limite de serem apenas uma canção.

Esse trabalho com a palavra é uma das coisas mais fantásticas que Arnaldo Antunes conseguiu colocar como característica fundamental de toda a sua obra. Não é apenas o jogo de palavras que funciona bem em suas canções para imprimir as mais diversas mensagens, que vão desde a política, passando por sua preocupação com o meio ambiente, até serem também declarações de amor. Mas elas ganham também contornos por meio de formas que amplificam os seus significados.

A exposição “Palavras em Movimento” mostra que Arnaldo Antunes também é um artista transmídia. O seu dinamismo com a palavra aparece na forma com que essas são ditas, mostradas, filmadas, construídas ou cantadas. Assim, a mostra reúne caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos com os quais se pode interagir e transpassar a capacidade sensorial da visão.

Arnaldo busca formas de tirar as suas poesias do papel. Na exposição, que é um passeio por praticamente tudo que ele já criou, os poemas são transformados em esculturas tridimensionais. O músico já dizia que “todas as coisas do mundo não cabem numa ideia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo”. E é justamente isso que o público vê em cada peça, que demonstra o cuidado e o rigor do artista durante a criação.

Nesse “território híbrido entre os códigos visual e verbal”, a que Arnaldo chama de caligrafia, a mostra “Palavras em Movimento” reúne e consolida o trabalho do músico para que um público ainda maior possa conhecer o seu talento e se debruçar nos múltiplos sentidos que estão reunidos no seu percurso como um artista plural.

Veja abaixo algumas imagens:

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