Favoritos

Favoritos de Sexta #2

Foi uma semana movimentada no mundo cultural das séries e dos filmes que tanto amamos. O debate sobre o streaming continua muito forte após a seleção oficial do prestigiado festival de Cannes ter escolhido dois filmes da Netflix (e vou repercutir um pouco sobre isso). Mas também uma semana de uma morte inesperada. Fui surpreendido com a morte de Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, Filadélfia), confirmada no Twitter. O diretor sofria de um câncer no esôfago e também de problemas cardíacos. Na noite anterior à sua morte eu tinha revisto Filadélfia, um filme do qual gosto muito e que começa com a linda música de Bruce Springsteen, “Streets of Philadelphia”. O meu preferido dele ainda é O Silêncio dos Inocentes, que já perdi a conta de quantas vezes eu vi. Uma pena mesmo.

  • Steven Spielberg ataca o streaming

Coincidência ou não, escrevi um artigo sobre as minhas impressões da seleção oficial de Cannes que publiquei no início da semana (leia aqui). Alguns dias depois, durante a inauguração do Universal Cinema (localizado a poucos metros do estúdios da Universal em LA), Spielberg atacou o streaming defendendo que os cineastas fazem seus filmes com o objetivo de convidar os espectadores a adentrarem num mundo criado por eles – e esse lugar só pode ser o cinema.

Particularmente, toda vez que reflito sobre isso entro em crise ao não conseguir ter uma opinião totalmente formada. Isso diminuiu um pouco após ler o texto do crítico David Ehrlich (leia aqui). Ainda prefiro ver meus filmes no cinema, claro. Nada se compara a essa experiência. O streaming ajuda por um lado – tenho visto muitos filmes, por exemplo, que foram exibidos recentemente em Sundance com extrema rapidez quando saem na Netflix. Não precisa que haja uma divisão e a plataforma não substituirá o cinema. O próprio Spielberg apoia o polêmico projeto Screening Room de Sean Parker, criador do Napster, cuja ideia é deixar o público alugar os filmes que recém estrearam nos cinemas. Há espaço para tudo e é assim que deve acontecer.

  • Radiohead sofre pressão para não tocar em Israel

Outro assunto que me chamou atenção é a questão sobre o show do Radiohead em Tel Aviv, Israel. Não é de agora que muitos intelectuais do meio artístico têm pedido para a banda britânica cancelar o espetáculo por lá, mas as vozes ganharam forças nessa semana pela proximidade do show – que está marcado para acontecer em 19 de julho. Uma carta aberta (veja aqui) assinada por artistas do calibre do músico fundador do Pink Floyd Roger Waters, do cineasta Ken Loach e o prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu.

O texto publicado pelo grupo “Artists for Palestine UK” fala em “já que o Radiohead faz campanha pela liberdade dos tibetanos, perguntamos por que rejeitariam uma petição para defender outro povo sob ocupação estrangeira”, mas acho que a questão não é tão simples assim. Não se pode generalizar ao achar que todos que moram em Israel é a favor da política de isolamento, de não reconhecimento da Palestina e dos assentamentos que há anos causam tensão entre os povos. O Radiohead tem fãs lá que merecem ouvir a banda que eles mais gostam. Uma situação delicada, mas eles estão indo onde seus fãs estão. É justo.

  • Radiohead – A Moon Shaped Pool (Vinyl)

Não canso de ouvir esse disco (pra mim, um dos melhores do ano passado). E como a turnê anda a topo vapor (cadê esses caras no Brasil?), o Radiohead está sempre entre as bandas que ouço no dia até por causa de vídeos dos shows que são colocados no YouTube diariamente. Aliás, um texto de 2014 do site NME voltou à tona nos últimos dias ao mostrar “como o Radiohead se transformou nos Beatles do século 21”. Entre um dos exemplos citados, é que a banda foi mesmo na contramão de tudo o que estavam fazendo na Inglaterra durante a década de 90. Gavin Haynes diz que “enquanto os artistas estavam gastando dinheiro com drogas, o Radiohead investiu tudo o que ganharam e construíram um estúdio só para eles, cheio de equipamentos que traduziram em sons que ninguém na indústria ainda tinha ouvido”.

Por essas e outras que esse disco (o vinil mesmo, bolachão) está na minha lista de desejos. Clique aqui (ou na imagem) e saiba mais!

  • ‘A masterpiece’

São dezessete páginas que serviram apenas para abrir o filme e estabelecer a tensão que a presença do personagem Hans Landa (Christoph Waltz) pode causar quando estiver em cena. Esse é o ambiente de Bastardos Inglórios e um usuário do YouTube responsável pelo canal “Lessons from the Screenplay”, conta a sua experiência ao assistir o filme (todo ano ele vê duas cenas e nesse vídeo ele analisa as duas para investigar os elementos que ajudam a estabelecer o suspense que nos envolve) e o porquê desse roteiro de Quentin Tarantino ser considerado, por ele (e também por mim), uma “obra-prima”. Vale a pena assistir:

  • As melhores fotografias do mundo

Saíram os vencedores das melhores fotografias do mundo em 2017 (veja a lista completa). Mais do que a estética ou o uso da técnica perfeita, o importante das imagens é o relato documental de cenas do cotidiano das mais diversas sociedades ao redor do mundo. Para ilustrar esse artigo, escolhi duas: 1) uma mãe iraniana solteira segurando o seu filho; 2) uma menininha chinesa dentro de uma sala de aula numa região rural da China, onde as crianças convivem com o “abandono” diário dos pais que precisam ir trabalhar na cidade. A exibição com todas as fotografias acontece na Somerset House, em Londres, e completa em 2017 dez anos do prêmio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *