Séries

‘Feud’ encerra rivalidade entre Bette Davis e Joan Crawford de forma melancólica

A série Feud, que narra as brigas e desavenças entre as estrelas de Hollywood Bette Davis (Susan Sarandon) e Joan Crawford (Jessica Lange) e que acompanhei nos últimos meses, exibiu o último episódio no canal FX no último final de semana. E com um título que muito explica a melancolia que tomou conta da season finale. “You Mean All This Time We Could Have Been Friends” ilumina a oportunidade que tanto Davis quanto Crawford deixaram passar: serem grandes amigas.

Durante a década de 60 em Hollywood, as duas atrizes estavam com as carreiras degringolando até surgir a oportunidade de trabalharem juntas no filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962). Foi uma jogada de mestre do diretor Robert Aldrich (na série interpretado por Alfred Molina) e do estúdio Warner, comandado por Jack Warner (Stanley Tucci), reunir essas duas estrelas em um mesmo filme. Mas ao invés de serem generosas uma com a outra, ambas estavam mais preocupadas consigo mesmas, em ter controle sobre o que faziam ou deixavam de fazer – mesmo que isso envolvesse deixar o pé para a outra cair propositadamente.

Feud nos permitiu mudar de opinião sobre as duas a todo instante: tem momentos que torcemos mais por Joan, outros que simpatizamos mais por Bette. E nos obrigou a questionar como Jane Crawford foi capaz de comandar todo o lobby que entregou o Oscar de Melhor Atriz em 1963 para Anne Bancroft (por O Milagre de Anne Sullivan) e não para Bette Davis, a favorita na ocasião e que perdeu muitos votos por conta justamente das ações de Crawford (que recebeu a estatueta em nome de Bancroft na cerimônia). Porém, logo em seguida quem dá o troco é Davis no filme Com a Maldade na Alma (1964), cortando Joan Crawford do elenco e a substituindo por Olivia de Havilland (Catherina Zeta-Jones, na série).

Foto: Reprodução

Essa rivalidade permaneceu durante todo o tempo e custou tanto para uma quanto para a outra a carreira que tinham. À medida que foram envelhecendo, Bette e Joan se tornaram figuras distantes do público, dos holofotes e das próprias pessoas que antes as cercavam. Uma bonita sequência nesta season finale de Feud encena um jantar hipotético entre as duas, Jack Warner e a colunista de fofocas Hedda Hopper (Judy Davis). É a oportunidade que todos têm para se desculparem pelo que fizeram. Se isso realmente tivesse acontecido naqueles tempos talvez fizesse com que estas pessoas não envelhecessem tão amarguradas e solitárias. Por que, afinal, de que adiantou tanta provocação e rivalidade?

O apartamento ocupado por Joan Crawford nos últimos anos da sua vida em Manhattan é um contraponto à mansão rica e cheia de cores que ela viveu em seu tempo de estrela em Hollywood, ao mesmo tempo que o acúmulo de cigarros e a escuridão da casa onde Bette Davis vivia dão o tom de abandono que suportou. Feud erra apenas ao dar tanta atenção ao formato documental nesta season finale e de não ter usado tanto esse elemento ao longo da temporada. Mas a série retrata com riqueza de detalhes essa rivalidade que tanto marcou a indústria hollywoodiana – e também tira um tempo para reverenciar o talento que ambas tinham.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/FX]

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