Séries

Girls termina penúltima temporada de maneira esperançosa

[ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS DA SEASON FINALE DE GIRLS]

Girls encerrou a sua penúltima temporada (a última está prevista para 2017) na noite de domingo (17) com um especial de dois episódios. E poucas séries como Girls conseguem refletir tão bem essa geração de personagens na qual a história se ambienta. Às vezes a série mostra isso como uma crítica; mas também apresenta como um estado de espírito. Afinal de contas, essa é uma geração ainda indecisa sobre o futuro e sem um rumo que aponte elas para um caminho lógico e normal – elementos que não são seguidos em nenhum momento e os quais eles lutam para não serem.

Hannah é o centro dessa narrativa e já vimos suas idas e vindas em relação a várias coisas: empregos, relacionamentos e tentativas frustradas de se encontrar. E são justamente nessas tentativas que Girls conseguiu encontrar nessa temporada uma forma equilibrada de deixar a vida e as histórias desses personagens mais realistas e dramáticas. E não somente para Hannah, que descobre que sua melhor amiga Jessa está saindo com o seu ex-namorado Adam. Mas também Shoshana quando ela se muda para o Japão (e volta para Nova York); Marnie quando se casa com Desi (e se separa); Ray com problemas financeiros (e depois com Marnie); e Elijah vivenciando uma grande desilusão.

As tramas dessa temporada de Girls não só tiveram um sentido como também ajudaram no crescimento dos seus personagens, isto é, na aceitação deles em relação à própria vida. Dois diálogos nos chamaram bastante atenção, um em cada episódio. No primeiro deles Elijah se confessa para Dill que o acaba dispensando ao dizer no final que ele “precisa encontrar alguém com objetivo”. E isso é uma referência crítica à maneira cômoda e preguiçosa dessa geração. No outro, mais uma vez envolvendo Elijah, a mãe de Hannah diz a ele que ela não conquistou nada e a vida está cada vez mais próxima do fim. E eis que ele retruca ao dizer o mesmo e que ele, Elijah, ainda tem mais uns 80 anos de vida pela frente e que possivelmente não conquistará nada.

Foto: Divulgação/HBO
Foto: Divulgação/HBO

Nos parece que esse é um tipo de questionamento colocado à prova por essa geração. A ideia de não conquistar nada (ou mesmo de não criar nada ao mesmo tempo que soe moderno o suficiente para garantir o estilo de vida que estão acostumados) é um peso que precisam carregar e lutar contra. Mas mesmo com todos os problemas apresentados durante a temporada (e olha que foram muitos, com os de Hannah teríamos que escrever um outro artigo independente a esse), Girls termina a temporada com um suspiro e esforço de esperança ao colocar Hannah compartilhando sua tristeza no intuito de encontrar uma forma tranquila de continuar a vida – ao contrário da resignação que vimos no clímax do capítulo anterior a essa season finale.

Não conseguimos apontar se essa foi a melhor temporada de Girls. Mas dá para dizer que foi uma das mais coerentes. Em um certo modo, foi bom ver Hannah se recuperando do seu trágico conceito que ela tem de si mesma. Crescer requer tomar decisões difíceis e aprender com os erros ao invés de se esconder atrás deles. Por outro lado, nem todo mundo conseguiu se sair tão bem assim da season finale. E é justamente isso que fez dessa temporada de Girls algo tão tridimensional de acompanhar.

Crédito da Imagem: Divulgação/HBO

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