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Globo de Ouro 2018: os 7 melhores momentos da premiação

A cerimônia do 75th Globo de Ouro aconteceu no domingo (7) e talvez seja a primeira vez (ao menos que eu assisto) em que os vencedores pouco importaram. Com a indústria tomada por movimentos contra o assédio sexual, o Globo de Ouro deu o pontapé inicial para as demonstrações e discursos que deverão fazer parte de toda essa temporada de premiações. O apresentador Seth Meyers foi o primeiro a estabelecer esse tom, logo nas primeiras palavras do seu monólogo, cumprimentando todos com “boa noite senhoras e senhores que restaram”. Era apenas o começo de uma ótima abertura, que ganharia mais tarde o peso de ninguém menos do que Oprah Winfrey.

Homenageada com o troféu Cecil B. DeMille, Oprah Winfrey só faltou dizer que iria concorrer para presidente dos Estados Unidos. Mas seu discurso foi ainda mais relevante, relembrando quando era uma garotinha e foi influenciada pelo discurso de Sidney Poitier no mesmo prêmio, sabendo que agora ela própria deve estar influenciando alguma garotinha, negra, a perseguir os mesmos sonhos que um dia ela teve. Foi o momento mais memorável da cerimônia – e talvez um dos mais inesquecíveis em toda a história do Globo de Ouro. A premiação poderia terminar ali. Mas ainda sobrou algumas coisas para comentarmos.

Porque antes mesmo da premiação começar, o tapete vermelho foi preenchido por mulheres usando preto em apoio a todos que sofreram abusos sexuais em Hollywood e passando uma mensagem de que esses tempos vão acabar agora. O movimento “Times Up” ganhou mais força do que nunca – e como é bom ver que finalmente está havendo uma união entre todos para darem um basta nisso. Foi outro grande momento da cerimônia que, como sabemos, entrega prêmios para tentar agradar todo mundo e fazer alguma média. Então, vamos comentar a premiação de forma diferente. Vamos lá:

Cruzado de direita da noite

Natalie Portman que, ao apresentar o prêmio de Melhor Direção com o diretor Ron Howard, soltou o verbo e disse “e aqui todos os homens indicados”. Em um ano com grandes trabalhos de mulheres na direção (Patty Jenkins, Dee Rees e Greta Gerwig, só para citarmos algumas), a Associação de Jornalistas Estrangeiros poderia ter feito uma lista melhor. O prêmio foi dado a Guillermo Del Toro que, por ser uma das melhores pessoas dessa indústria, acabou recebendo o carinho de todos e o momento se transformou em algo positivo.

Aplausos de pé

A aparição de Kirk Douglas, aos 101 anos, subiu ao palco com a nora Catherine Zeta-Jones para apresentar o prêmio de Melhor Roteiro. Aliás, ele foi muito relembrado pelos tempos em que lutou contra a Liista Negra que baniu roteiristas tidos como comunistas de escreverem roteiros – ou de terem seus nomes tirados, o caso mais emblemático diga-se foi o Dalton Trumbo. Grande momento

Discursos

Teve muito discurso bom, mas os melhores foram o da atriz Nicole Kidman ao vencer o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em Big Little Lies, do ator Sterling K. Brown, que fez um discurso emocionante sobre o seu papel em This Is Us, e gostaria de também incluir nessa lista as atrizes Allison Janney e Frances McDormand.

O Discurso

Oprah Winfrey, simples. Por tudo que já foi falado no início desse artigo e por tudo que esse discurso para representar e significar para as gerações futuras. Palavras fortes, poderosas, ditas por uma mulher que não é só bem-sucedida na indústria, mas principalmente a mais respeitada e admirada entre todos que ali estão.

Trio da noite

Laurie Metcalf, Saoirse Ronan e Greta Gerwig: cada vez que elas apareciam juntas era a maior festa. Como Lady Bird foi um dos melhores filmes que vi até agora (o meu favorito para essas premiações, sem dúvida), é bonito ver a amizade que com certeza elas desenvolveram fazendo esse filme.

Melhores risadas

Com as caras e bocas de Frances McDormand, essa mulher é insana – e simplesmente incrível. Vai ganhar o Oscar.

Monólogo de Seth Meyers

Em certo momento, me perguntei onde estava Seth Meyers. Ele tinha sumido, talvez desaparecido. Mas foi bom assim: o apresentador do Globo de Ouro fez o que precisava fazer: estabeleceu o tom da conversa e dos discursos logo em seu monólogo de abertura. Foi pesado em alguns momentos? Sim, foi. Mas o que dizer dos assédios sexuais cometidos por Kevin Spacey, Harvey Weinstein e outros dessa indústria? Seth Meyers foi preciso e depois saiu de cena, apenas observou toda a história sendo contada. E essa foi a maior virtude da sua apresentação.

Para ler os comentários sobre os vencedores, clique aqui.

 

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