Após uma hora de episódio, tudo o que se consegue pensar é: “o que é isso que eu acabei de assistir”? A nova série de Alan Ball (Six Feet Under, True Blood) para a HBO, Here and Now, é uma colcha de retalhos de histórias de uma família que pouco a pouco vamos descobrindo e desvendando seus mistérios. No início parece que Alan Ball está tentando catequizar a audiência, transformando o título homônimo da série em um mantra que se repete não só nos diálogos dos personagens, mas também em certas inserções nas imagens que assistimos.

Mas se a primeira metade é marcada por essa ideologia de viver e experienciar o “aqui e agora”, a outra parte do episódio é bem mais interessante ao se concentrar na história familiar. O gancho para construir a trama é o aniversário de 60 anos de Greg Bishop (Tim Robbins, um espetáculo), professor de filosofia e passando por uma crise existencial (pura balela, o cara trai a mulher e quer discutir filosoficamente seus conflitos) que se intensifica na data comemorativa. Enquanto isso, a sua mulher Audrey (Holly Hunter, também muito bem) planeja a festa (quer mesmo é passar a impressão de família unida e moderna) e se preocupa em juntar os filhos, os adotivos e a única biológica.

Como é de se esperar, a festividade funciona como um pretexto para escancarar uma parte dos problemas da família. Em parte por causa do discurso filosófico, perturbador e honesto feito por Greg em determinado momento da festa, e por outro dado pela suspeita de demência de um dos filhos adotivos, Ramon, tendo visões constantes de coisas estranhas acontecendo e que tornam a narrativa até meio macabra em algumas cenas.

Mas Here and Now tem um problema – talvez manifestado por conta do excesso de confiança de Alan Ball no prestígio de seu nome para atrair o grande público. Mas o roteiro do primeiro episódio, assinado e dirigido por ele, é uma bagunça narrativa que não chega a nenhum lugar e pouco consegue dizer sobre o que é ou sobre o que vai ser. Se eu pretendo assistir o segundo episódio? Sim, justamente por ser uma série do Alan Ball. Mas talvez um outro espectador não pense da mesma forma e resolva não dar uma chance porque não há nada ali que realmente nos provoque ou nos interesse em seguir adiante.

Here and Now tem algum potencial porque dramas familiares, ainda mais retratados de uma forma tão multifacetada e diversa como de fato Here and Now se mostra preocupado em ser, costuma evoluir com o tempo e terminar agradando. Mas é a série mais estranha desse início de ano, que ainda não deu pra sentir aquele gostinho da expectativa que foi gerada quando o projeto foi anunciado pela HBO trazendo de volta Alan Ball. Vai ser preciso assistir mais alguns episódios – e, claro, muita paciência para se deixar levar pela série e se permitir gostar dos seus devaneios e experiências.

Assista o trailer:

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