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Homeland: final da 6ª temporada é novo divisor de águas para a série

Quando Homeland terminou a terceira temporada com a morte de Nicholas Brody, ficou claro ali que a série do canal Showtime não seria mais a mesma. Tanto é verdade que a quarta e a quinta temporadas refletiram crises políticas e humanitárias importantes ambientadas no Afeganistão e na Alemanha, respectivamente. Adotando, assim, um formato que acompanha, interpreta e traduz ficcionalmente o que ocorre na realidade.

A 6ª temporada da série, que está renovada até o oitavo ano quando encerrará a produção, começou discutindo as ameaças terroristas em solo americano. Primeiro foi o caso de Sekou Bah, um jovem negro e muçulmano que grava vídeos contando histórias de opressão e perseguição cometidas pelos EUA. Homeland resolveu a trama rapidamente, usando-a como trampolim para uma história de conspiração que está diretamente ligada à eleição de Donald Trump e a participação da Rússia nesse processo.

[ATENÇÃO: SPOILERS A PARTIR DAQUI]

No entanto, é impossível falar sobre esses eventos reais que moldaram a trajetória de Homeland nesse final de temporada sem mencionar o que de mais chocante aconteceu: a morte de Peter Quinn. Afinal, o seu nome é mesmo Peter Quinn? Ou seria John? É o que Homeland sugere ao revelar o nome do filho de Quinn nos momentos finais do episódio. De qualquer maneira, a série estava “anunciando” que isso poderia acontecer e foi acostumando o seu espectador com a ideia da perda de Quinn, um personagem que tornou-se importante para a série e, principalmente, para a protagonista Carrie Mathison.

Foto: Divulgação/Showtime

Portanto, com os doze episódios ambientados em Nova York e abrangendo o período de transição entre um governo que está saindo e outro que foi eleito, Elizabeth Warren é a presidente-eleita que perdeu o filho na guerra do Iraque e venceu as eleições com um discurso muito similar ao que Hillary Clinton usou durante a sua campanha. Isso é o que é mostrado na superfície, porque por dentro de cada camada há uma discussão relevante: a influência das agências de segurança nas decisões do governo (há bons embates entre Dar Adal e Saul Berenson), o impacto das “notícias fabricadas” (o apresentador-alegórico e com discurso de ódio inspirado em  Rush Limbaugh) para moldar a opinião do público e a corrupção provocada por um jogo de interesse que atinge o altos escalões da política.

Isso tudo está em Homeland. Deveria ser ficção, mas não é. Vimos acontecer e ainda estamos testemunhando esses desdobramentos com o recente ataque americano à Síria, a turbulência política com a Coréia do Norte e o impasse com a Rússia. Tanto na série quanto no que acontece na realidade, e o que é mostrado em uma mídia confiável, serve a um propósito: dividir uma nação e, quem sabe, provocar uma guerra civil. Não deve ser o caminho que Homeland tomará na 7ª temporada, ainda que a série se interesse cada vez mais em se aproximar da realidade.

Mesmo com alguns deslizes, como no intervalo entre o 5º e 7º episódios quando a série mais parecia uma cópia de 24 horas do que a Homeland que conhecemos e passamos a gostar (Carrie até soltou um “Damn it” na season finale que mais uma vez me remeteu a Jack Bauer), a série sabe onde quer chegar e já demonstrou ter esse conhecimento no passado quando acertadamente retirou Brody da trama. Só descobriremos se foi ou não certo matar Peter Quinn na próxima temporada, mas com certeza esse trágico evento impulsionará um novo caminho para Homeland tentar mais uma vez se arriscar.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Showtime]

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