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‘House of Cards’ exibe temporada de altos e baixos e sátira continua próxima da realidade

Nas primeiras temporadas House of Cards manteve seus personagens na maior parte do tempo mergulhados em sombras em pontos turísticos e históricos em Washington, em reuniões que serviam para costurar acordos onde todos pudessem sair ganhando. Agora ambientada na Casa Branca desde a 4ª temporada, o quinto ano de House of Cards não esconde como de fato funciona a política. As manobras dos políticos para continuarem no poder deixam claro que a sociedade não tem algum impacto na democracia, que é apenas uma fachada em favor da liberdade e direitos iguais.

Se perpetuar no poder é o que move os dois protagonistas, Francis e Claire Underwood, nessa quinta temporada. E a forma deles de fazer política não é das mais tradicionais, como já sabemos. A primeira metade se passa em meio às Eleições presidenciais, quando House of Cards satiriza o sistema de votação americano, e a outra metade é justamente ironizando a própria inteligência que a série tem de ser tão próxima da realidade – e se antes achávamos alguns absurdos que aconteciam, cada vez mais House of Cards se torna assustadoramente verossímil.

No entanto, a quinta temporada foi muito abaixo do que a série está acostumada a entregar. E isso se deve possivelmente à saída de Beau Willimon, o showrunner e criador de House of Cards, no ano passado quando a Netflix decidiu que renovaria a série por mais uma temporada contrariando Willimon porque ele gostaria de finalizar tudo no quarto ano. Por isso vemos os novos responsáveis por House of Cards, Frank Pugliese e Melissa James Gibson, corrigindo alguns erros de percurso enquanto os episódios passavam e tentando encontrar o tom adequado.

Foto: Divulgação/Netflix Brasil

Essa é a explicação que encontro para House of Cards tanto ter feito “queima de arquivo” nessa temporada. Desde o início é perceptível que a relação entre Claire e Thomas Yates encontrava resistências em sair do lugar, o mesmo vale para a situação de Cathy Durant. Assistir House of Cards tomar decisões fáceis para resolver essas tramas é algo que não estou acostumado a ver na série – esse argumento também se aplica a LeAnn Harvey e Aidan Macallan. Por outro lado isso só reitera a falta de escrúpulos do casal Underwood em não se importarem com qualquer pessoa que os cercam – isso até quando os objetivos de ambos estiverem alinhados.

Por isso que quando as eleições terminam, com baixos índices de presença dos eleitores nas urnas mas que no final não importam ao resultado porque são os delegados quem irão escolher o presidente, a temporada de House of Cards melhora consideravelmente com as presenças dos desconhecidos Mark Usher e Jane Davis, espécie de estrategistas e lobistas em Washington, cujas influências costumam determinar quem ganha as eleições e suas condições para permanecer na presidência por quatro anos. A democracia está nas mãos dessas pessoas, que são tão poderosas quanto os Underwoods. E ambos dão uma nova dinâmica à serie.

Foto: Divulgação/Netflix Brasil

Apesar da temporada instável e pouco inspirada (a melhor cena é quando Claire Underwood se dirige à câmera e nos provoca quando diz que nos conhece), House of Cards mantém-se não só atualizada como também faz previsões que muito provavelmente iremos ainda ver acontecendo no mundo real, desde a relação entre Estados Unidos e Rússia até a própria corrupção que se alastra por diversas camadas da sociedade – e não precisa pensar apenas em EUA para entender que se trata de uma realidade. Antigos parceiros e fiéis aos objetivos que queriam alcançar juntos, Frank e Claire travam um embate interessante, tornando a atmosfera de violência e traição mais aterrorizantes.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix Brasil]

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