Cinema

Inesquecíveis 004 – Westworld: Onde Ninguém Tem Alma (1973)

Dirigido e escrito por Michael Crichton (Jurassic Park), Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (1973) é um filme que ganhou uma lembrança nesse ano por conta da série da HBO, também de mesmo nome. Mas na época do seu lançamento o filme havia sido reconhecido como uma “produção independente de qualidade”. Diria que Westworld – Onde Ninguém Tem Alma é uma obra ousada e visionária, características que estiveram muito presentes na obra literária de Crichton.

No filme os humanos pagam uma grande quantia de dinheiro para viverem em parques temáticos que se dividem entre Velho Oeste, Império Romano e Idade Média, totalmente recriados em um espaço enorme (conhecido como Delos) preenchido por robôs que são controlados por seres humanos dentro de uma sala de controle. É lógico que em algum momento tudo dá completamente errado.

Os dois amigos Peter Marlin (Richard Benjamin) e John Blane (James Brolin, pai de Josh Brolin mas que lembra muito Christian Bale no filme) resolvem passar as férias no parque e se envolvem em duelos, usufrui das mulheres-robôs e participam até de uma enorme briga em um bar. Todos os eventos são pré-programados para acontecerem, satisfazendo as vontades e desejos dos humanos que ali estão para se divertirem e aproveitarem as facilidades do parque.

westworld-1973-pistoleiros

Entretanto, à medida que os robôs passam por constantes reparos e atualizações, seus “sentidos” ficam mais aguçados e se transformam em máquinas impossíveis de controlar. O mais perigoso deles, o pistoleiro vivido por Yul Brynner – cujo visual foi completamente copiado do personagem que ele vive em Sete Homens e um Destino (1960) começa a matar o que encontra pela frente e persegue Peter e John, tentando se vingar dos dois.

A esse ponto de Westworld – Onde Ninguém Tem Alma já é notório ver que se trata de um filme trash. O líquido vermelho que parece tinta guache representando sangue e os efeitos sonoros que não foram bem sincronizados com a reação dos personagens são alguns dos elementos que poderiam ser vistos como “problemas”, mas que acabam por não incomodarem tanto. As cenas toscas não apagam a modernidade de pensamento do filme já debatendo o que aconteceria nessa relação entre ser humano-máquina uma vez que, conhecendo nós mesmos e o quanto obsessivos, é lógico que as práticas envenariam de tal forma os sistemas que os robôs se revoltariam contra os humanos.

Isso fica evidente ao final de Westworld – Onde Ninguém Tem Alma, quando o filme deixa claro que o fato de as coisas darem errado em Delos não se trata de culpa ou erro dos robôs. Mas somente de nós mesmos, pessoas reais que são individualistas e só pensam em satisfazer os próprios desejos. Como algo assim poderia dar certo se são exatamente os seres humanos que estão controlando tudo, tanto as ações quanto os próprios robôs? Rodado nos anos 70, o filme dirigido por Michael Crichton é mais atual do que pensamos.

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