Integração de personagens é o maior desafio em primeiros episódios de ‘Os Defensores’

Logo nos créditos de abertura de Os Defensores, mais uma série da Marvel que chegou à Netflix e que junta Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e Demolidor, fica claro que cada herói tem a sua própria identificação visual. E os primeiros episódios da minissérie de oito capítulos é uma tentativa de unir esses mundos de cores diversas em uma única coisa. Se prender a essa estrutura faz com que Os Defensores sofra para estabelecer uma dinâmica e juntar os quatro super-heróis para que eles lutem juntos pelo mesmo motivo – apesar de saberem que serão levados a esse universo por situações próprias.

Mesmo ambientada na mesma cidade, também é de se estranhar que no primeiro momento vejamos cenas do Punho de Ferro com uma forte coloração verde para, logo em seguida, vermos o que acontece no mundo de Jessica Jones sob a predominância de um lilás. A ideia visual funciona como uma forma de separar as tramas de cada um deles para depois ter o trabalho de juntá-los (obviamente) e toda essa ótica visual desnecessária ser completamente deixada de lado. Apesar de sofrer com esse probela, Os Defensores também tem algumas virtudes guardadas que são reminiscentes das outras séries originais desses heróis.

Como não estou familiarizado com o universo do Punho de Ferro (e acho realmente um personagem que oferece pouco carisma, talvez por conta do ator Finn Jones), os outros heróis carregam bem a série e se responsabilizam em revisitar suas histórias antes de serem reunidos em torno de uma ameaça que os obriga a trabalharem juntos e defenderem Nova York. Luke Cage saiu da prisão e retorna ao Harlem (ainda pior do que quando ele deixou); Jessica Jones volta gradualmente à rotina após tudo que passou com Kilgrave; e Matt Murdock está tentando deixar de lado a sua identidade como Demolidor para se concentrar em defender as pessoas apropriadamente.

Foto: Divulgação/Netflix

LEIA TAMBÉM: ‘Luke Cage’ peca no ritmo mas acerta na crítica social

A ameaça que começa a surgir liderada por Alexandra (Sigourney Weaver) junta esses heróis, com suas particularidades, seus antepassados e, claro, desconfianças. É a partir desse ponto que Os Defensores se liberta daquela dinâmica visual após os três primeiros episódios, quando buscar cuidadosamente recriar o que cada um está passando antes de jogá-los novamente numa guerra (inclusive antes de fazê-los lidarem com personagens antigos que são ressuscitados aqui). Quando as lutas e a ação começam de verdade, Os Defensores atinge os bons momentos das sequências de Demolidor, mas sem a mesma tensão de Jessica Jones ou próxima da violência de Luke Cage. É tudo muito bem encenado e, apesar do diretor SJ Jackson tentar recriar planos-sequências nessas lutas (como aquele que se passa num corredor estreito em Demolidor), é bem verdade que ele mais nos confunde do que necessariamente cria algo bonito de ser visto – como estética.

Se como estrutura visual Os Defensores demonstra certa repetição ao invés de confiar na percepção do público que está acostumado com as histórias desses heróis, a série também demora em reunir os personagens – talvez pensando em adiar o que é inevitável na tentativa de se rodear por expectativas. Ainda assim, Os Defensores é um ótimo entretenimento em nos transportar para um lugar onde é permitido se esquecer um pouco da realidade. Em tempos tão complicados e sombrios como esses, às vezes é bom se deixar levar por esse escapismo.

Assista o trailer:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix]

1 Comment

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *