Quase Dez anos se passaram desde Ultimato Bourne (2007) para o diretor Paul Greengrass e o ator Matt Damon se unirem novamente para realizarem mais um filme da franquia. Nesse intervalo teve Zona Verde (2010) em que os dois também trabalharam juntos. Mas quando Greengrass assumiu Bourne após Doug Liman ter dirigido Identidade Bourne (2002), seu trabalho ficou marcado pela forma diferente de fazer filmes de ação. Parecia algo totalmente novo e vigoroso como foi o trabalho de George Miller em Mad Max: Estrada da Fúria (2015).

Foi ali que os filmes da franquia Jason Bourne transformaram completamente as produções de gênero, tanto de ação quanto de espionagem. Isso porque Bourne não é um espião “ao estilo” James Bond (mas com a mesma humanidade e erros dos personagens de John Le Carré). O seu nível de humanidade influenciou outras superproduções do gênero. A mais visível foi em 007 – Casino Royale (2007). E foi com esse pensamento que Matt Damon e Paul Greengrass se reencontraram para contar um novo capítulo na vida desse personagem.

Agora em uma sociedade completamente diferente do que aquela de há quase dez anos, vivendo em uma era de forte ameaça terrorista, protestos violentos em muitas cidades europeias (o filme por sinal abre com uma sequência de ação de manifestações na Grécia, que na realidade foram filmadas em Tenerife) e, principalmente, em uma sociedade pós-Snowden, redes sociais, Wikileaks e toda a questão envolvendo vigilância e a briga por privacidade.

Nesse clima de incertezas e apreensão, Bourne tenta levar uma vida comum e às escondidas “se gladiando” com outros lutadores na Grécia até ser contactado por sua antiga parceira Nicky Parsons (Julia Stiles), que invadiu a rede de computadores da CIA e obteve documentos ultrassecretos sobre uma nova operação baseada nos programas Treadstone e Blackbriar, que Jason Bourne e outros se “alistaram” para fazerem parte. Eles não contavam que a nova diretora de cibersegurança da CIA, Heather Lee (Alicia Vikander), conseguiria rastrear cada passo deles.

Alicia Vikander é um dos novos rostos que entraram para o filme. | Foto: Divulgação
Alicia Vikander é um dos novos rostos que entraram para o filme. | Foto: Divulgação

Vamos forçar a história

É claro que a partir daí o que Jason Bourne achou que conhecia e que havia descoberto nos três primeiros filmes é desconstruído na tentativa de mostrar que fazer mais um filme da franquia era relevante. Não gostaria de entrar nesse quesito, porque sou muito fã de Jason Bourne desde os primeiros filmes (e costumo tirar da lista aquele lá protagonizado por Jeremy Renner, que nada acrescentou).

Porém, não há como dizer que Jason Bourne é um filme relevante como os outros, por exemplo. O roteiro de Paul Greengrass e Christopher Rouse (também responsável pela montagem) tenta a todo custo forçar uma história e nos fazer acreditar nela. Se nos longas anteriores tínhamos intenção de acompanhar o processo de Jason Bourne de se achar, reconhecer a si próprio e descobrir a verdade, nesse temos a sensação de que já o conhecemos o suficiente. E não é um assunto pessoal do passado que nos motivará a seguir o personagem mais uma vez.

Matt Damon e Paul Greengrass reunidos para mais um filme da franquia Bourne após dez anos. | Foto: Divulgação
Matt Damon e Paul Greengrass reunidos para mais um filme da franquia Bourne após dez anos. | Foto: Divulgação

Muita, mas muita ação

Se o roteiro peca pela história, não dá para dizer o mesmo sobre as sequências de ação filmadas por Paul Greengrass. Na primeira delas, o diretor nos coloca praticamente nas ruas e esquinas de uma Athenas completamente tomada por manifestantes, policiais tentando dispersar com balas de borracha e jatos d’água, muita correria e um caos que vai ganhando dimensões cada vez maiores ao mesmo tempo que acompanhamos a perseguição de Asset (Vincent Cassel) a Jason Bourne e Nicky Parsons.

É uma sequência que lembra àquela que se passa dentro de uma estação de metrô nos minutos iniciais de Ultimato Bourne. Porque, em ambos os momentos, Greengrass e o montador Rouse usam cortes rápidos e composições de cena que vão desde gravar com a câmera na mão a usar tomadas com lentes maiores e, no caso dos protestos na Grécia, tomadas aéreas filmadas a partir de um helicóptero que dão uma noção maior do caos que instalara na cidade, enquanto que cada trilha musical funciona como um trampolim para cada sequência dessa.

Diria que eu esperava em Jason Bourne mais do que apenas boas sequências de ação, que são todas incrivelmente bem coreografadas e que ditam o tom do filme. Porém, um pouco mais de uma (boa) história não faria mal algum. Mesmo assim, estou disposto a ver outros filmes. Por que não? É Jason Bourne. A história pode decepcionar mas a ação sempre vale a pena de assistir. É só não mudar o time Damon-Greengrass.

[Crédito da Imagem: Divulgação]

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