Joanne é um disco maduro, mas ainda contém a energia de Lady Gaga

É bem verdade que após o sucesso mundial de “Born this way” Gaga demorou para se encontrar e realizar um álbum bom o suficiente. Passaram-se cinco anos, um fiasco chamado “ArtPOP” e outro na medida em parceria com o veterano Tony Bennett, um término de relacionamento e também confissão sobre ter sofrido abuso sexual aos 19 anos. Mas “Joanne” finalmente está entre nós.

O álbum teve estreia nos Estados Unidos já no topo das paradas, assim como os outros quatro lançados pela cantora, levando Gaga a bater o recorde como a mulher com mais CDs emplacados no topo da Billboard.

Mas dessa vez o sucesso de Gaga não se deu pelo elevação do pop como arte além da música, como ela muitas vezes conseguiu alcançar através de figurino alegórico, performances cheias de referências aos grandes ou situações esquisitas (como a vez em que contratou um artista para vomitar um líquido verde em seu seio durante uma performance no SXSW).

Talvez por que apresentações irreverentes não sejam mais incomuns no mercado ou por que ela mesma não sinta necessidade de parecer tão audaciosa como antes, “Joanne” é um disco que utiliza do folk e country como base para letras muitas vezes autorais que se diferenciam completamente do que ela já fez antes.

O primeiro single “Perfect Illusion”, por exemplo, conta o processo de perder a razão por alguém, e na balada “Million Reasons” em que ela canta “I try to make the worse look better”, este tipo de negociação desesperada familiar a qualquer um que tenta lidar com uma situação desconfortável da melhor maneira possível. Seu homem já lhe deu um milhão de razões para se separar, “but baby, I just need one good to stay”.

O disco tem também interpretações sobre preocupações sociais, como na música “Angel Down” ela canta sobre o assassinato de Trayvon Martin e faz uma ode ao movimento Black Lives Matter. “Angel down, why do people just stand”? E em “Hey Girl” trata sobre feminismo e em como as mulheres devem evitar a competição: “hey girl, we can make it easy if we lift each other”.

Um material que mostra o amadurecimento da cantora e envereda por um lado seu mais vocal, quase acústico, que muito agrada. O disco conta com a produção (Mark Ronson), co-escrita (Beck) e participação (Florence Welch e Josh Homme) de muita gente já conhecida, uma contribuição que torna o álbum complexo e digno de uma rockstar.

[Crédito da Imagem: Reprodução]

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