Séries

Kyle Chandler se destaca em última temporada decepcionante de ‘Bloodline’

A série Bloodline, criada pelos mesmos roteiristas de Damages, voltou para a sua última temporada na última semana no serviço de streaming Netflix. Se a primeira temporada surpreendeu positivamente quem tinha dúvidas da série e a segunda manteve esse ritmo, a terceira é uma grande miscelânea de erros e buracos que a série não conseguiu evitar; em parte porque decide por um final que entre outras palavras é decepcionante e, por outro, porque não consegue resolver as próprias intrigas que criou.

A terceira temporada começa exatamente após o último episódio da segunda quando mais uma vez a família Rayburn se vê colocada num labirinto de mentiras que eles precisam contar para se safar de mais um crime. É claro que a esse ponto já sabemos que burlar a lei local com histórias fabricadas é um mal que a família carrega e parece estar sempre pronto para superar. E é bem isso que acontece mesmo.

Há duas coisas que me fizeram acompanhar Bloodline até o final: a atmosfera da história que é ambientada na região costeira dos Estados Unidos próximo a Cuba, conhecida como Florida Keys. E a outra é a presença do ator Kyle Chandler, o único do elenco que parece entender a profundidade e a dubiedade do seu personagem John Rayburn. Chandler nos convence em cada cena sobre o peso que sente em seus ombros da responsabilidade (é bom notar como ele quase nunca troca de roupa e em como sua expressão está sempre perdida) de estar constantemente salvando sua família ao passo que ele próprio perdeu a moral em desempenhar esse papel quando nem mesmo ele deseja mais ser salvo.

Foto: Divulgação/Netflix Brasil

Essa é a melhor história que a terceira temporada de Bloodline tem a oferecer, mesmo quando fracassa tentando introduzir doses de surrealismo à trama que no final pouco tem a acrescentar. A história se repetindo sobre o acontecimento de um crime e os Rayburn precisando lidar com as consequências tentando incriminar um inocente rende alguns bons episódios, mas por outro lado nos faz questionar até quando os poderosos e influentes se saíram bem. Um julgamento o qual Bloodline não deseja entrar para não se complicar mas que deveria fazê-lo já que, mais do que conflitos familiares, a série é também sobre essas pessoas que nunca são responsabilizadas pelos erros que cometem.

Provavelmente, se eu não tivesse assistido Making a Murderer (2015) seria ainda mais difícil acreditar em como os Rayburn conseguem fabricar provas e fazer o júri acreditar na versão deles. Mas além dessa trama há também um arco de episódios nessa temporada do envolvimento de Kevin Rayburn com o tráfico de drogas a partir da sua ligação com Roy Gilbert. Essa trama se torna até mais interessante do que alguns dos conflitos que acompanhamos na temporada, mas que infelizmente se resolve abruptamente e nunca alcança o ápice que particularmente eu esperava.

Foto: Divulgação/Netflix Brasil

Para Bloodline o ideal seria que a série talvez durasse apenas duas temporadas, porque fica nítido ao longo dos dez episódios que o roteiristas estão perdidos quanto ao destino que desejam dar aos personagens na terceira temporada. Enquanto espectadores percebemos essa confusão e passamos a assistir com desinteresse uma série que vinha nos deixando surpresos ao estrear sem qualquer abalo e conquistar sua audiência. É lógico que o fracasso da terceira temporada não tira os méritos de Bloodline quanto às duas primeiras, ou ainda o fato de Kyle Chandler ser o ator que carrega a série capaz de nos fazer acompanhar a sua trajetória, e dos Rayburn, até o final.

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Netflix Brasil]

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