Cinema

‘La La Land – Cantando Estações’ devolve interesse aos musicais

Um dos fortes concorrentes ao Oscar neste ano, o musical La La Land: Cantando Estações quer resgatar as bonitas histórias do gênero formado por tantos clássicos que o antecedem. O diretor Damian Chazelle (responsável por Whiplash: Em Busca da Perfeição) fez questão de mencionar isso na ocasião da exibição do seu filme no Festival de Veneza, onde se consagrou o grande vencedor. Após aquele dia, La La Land: Cantando Estações foi conquistando plateias e críticos, tendo alcançado 12 nomeações no Critic’s Choice Awards e outras sete indicações ao Globo de Ouro, o que tornam o filme uma aparição certa no Oscar que acontece no final de fevereiro.

Ainda em Veneza, Chazelle disse que “agora, mais do que nunca, precisamos de esperança e romance na tela. A ideia do cinema como um sonho, o cinema como a linguagem de nossos sonhos e filmes como uma maneira de expressar um mundo no qual você quebra em canção, onde as emoções podem violar as regras da realidade”. É justamente com essa intenção que La La Land: Cantando Estações tenta resgatar o interesse do público por musicais.

Assista o trailer:

A história de La La Land: Cantando Estações acompanha Mia (Emma Stone), uma barista que trabalha em um estúdio em Los Angeles tentando se tornar uma atriz. Mas cada nova audição vem acompanhada de humilhações que não a levam a nenhum lugar. Ela conhece Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que ainda não encontrou alguém que compreenda o seu amor pelo jazz e sua história musical. Ao longo das estações e de pontos turísticos da cidade de Los Angeles, os dois se apaixonam e lutam para manter o relacionamento ao enfrentar as dificuldades da carreira e do sucesso.

Quando Damian Chazelle disse que o público precisava de mais esperança e amor, ele claramente se referia às histórias cada vez mais tristes e perversas que acabam dominando as premiações ano após ano. Imediatamente também Chazelle nos guia para olhar para os musicais produzidos e lançados entre as décadas de 30 e 50, quando os filmes passaram a usar o som, e as produções desse gênero estreladas por Fred Astaire, Ginger Rogers, Genny Kelly, Judy Garland, Debbie Reynolds e tantos outros nomes,  eram um meio de escapar das incertezas da Grande Depressão de 1929.

Nos últimos anos, quais foram os musicais realmente memoráveis, daqueles inesquecíveis em que os números ficam na nossa cabeça? Praticamente nenhum. Antes grande sucesso na era de ouro de Hollywood, o gênero se perdeu em adaptações como O Fantasma da Ópera (2002), Hairspray – Em Busca da Fama (2007), Caminhos da Floresta (2014) e outras produções que sequer lembram aqueles momentos gloriosos que ficaram na história do cinema.

Damian Chazelle dá instruções para Emma Stone no set de La La Land: Cantando Estações
Damian Chazelle dá instruções para Emma Stone no set de La La Land: Cantando Estações | Foto: Divulgação/Lionsgate

Obsessão

Inspirado ainda quando estudava em Harvard, o primeiro encontro de Damian Chazelle com o gênero foi exatamente quando ele descobriu Astaire e Rogers no filme O Picolino (1935), dirigido por Mark Sandrich. Ambientado em Londres, Fred Astaire interpreta Jerry Travers, um dançarino americano que está ensaiando em seu quarto de hotel para fazer um importante show. Mas seu ensaio perturba Dale Tremont (Ginger Rogers), a vizinha do quarto que logo aparece para reclamar. É só a desculpa que o filme precisava para contar a história de amor entre os dois, quando Jerry logo fica apaixonado por ela enquanto que Dale passa a responder, gradativamente, aos flertes de Jerry.

Não demorou muito para que Damian Chazelle passasse a descobrir novos filmes e criar novas obsessões quanto ao seu amor pelos musicais. Sua tese de conclusão de curso foi baseada em parte no filme Dançando nas Nuvens (1955), dirigido por Gene Kelly e Stanley Donen, que acompanha a vida de três soldados que se conhecem durante a Segunda Guerra Mundial e resolvem se encontrar novamente dez anos após o término do conflito. Sua obsessão por essa obra o ajudou em seu primeiro trabalho como diretor, Guy e Madeline no Banco do Parque (2010).

La La Land: Cantando Estações (2016) | Foto: Divulgação/Lionsgate
La La Land: Cantando Estações (2016) | Foto: Divulgação/Lionsgate

A história do filme surgiu de uma discussão que o cineasta teve com um outro colega, Justin Hurwitz (ambos tinham uma banda de rock juntos), sobre a possibilidade de Hurwitz compor a trilha de um musical caso ele estivesse interessado em dirigir um algum dia. Hurwitz aceitou o desafio e se tornou um colaborador assíduo dos filmes de Chazelle, contribuindo não só em seu primeiro filme como também em Whiplash: Em Busca da Perfeição e sendo o responsável pela trilha sonora de La La Land – Cantando Estações.

Filmado no mesmo estúdio em Hollywood onde o diretor H.C Potter filmou Amor de Minha Vida (1940), também com Fred Astaire mas na companhia de Paulette Goddard, e o cineasta Francis Ford Coppola realizou O Fundo do Coração (1982), Damian Chazelle tem o intuito de levar La La Land: Cantando Estações para essa era ao querer reviver “a catarse de emoções experimentadas por um casal em uma comédia musical”. Uma declaração que soa como nostálgica a esse gênero esquecido que agora o diretor tenta recuperar.

Os musicais da MGM

Em sua forma, os musicais da década de 30 tinham como tema central, além do amor, a esperança. Vivia-se a época da crise econômica de 1929 (também conhecida como Grande Depressão). E levava esse nome não por acaso. Quando a dupla queridinha dos musicais Fred Astaire e Ginger Rogers passou a protagonizar os filmes do estúdio RKO Pictures toda a trama estava centralizada na paixão à primeira vista, mas o filme dificilmente terminava com uma mensagem de desilusão. Pelo contrário: sempre encontrava meios de mostrar que era possível e que sonha fazia todo sentido.

Isso permaneceu como ponto-chave dos musicais produzidos pela MGM na década de 30 e permaneceu por praticamente quinze anos, período administrado pelo produtor Arthur Freed, como o estúdio que liderava essa interação das canções com o roteiro, dos textos cantados e de sequências que eram embaladas pela dança e pela música.

Os musicais da MGM acabaram de ser produzidos mais tarde, no começo dos anos 60, porque o estúdio não conseguiu manter o mesmo ritmo na década de 50 quando muitos diretores, artistas e produtores ou se aposentaram ou faleceram. A música mudou radicalmente e a audiência estava atrás de canções pop ou de rock que refletissem o que estavam vivendo. Agora, com La La Land: Cantando Estações, o gênero se revigorou e ganhou atenção especial por parte do público e também da crítica.

Para passear por essa história da Era de Ouro de Hollywood, acompanhe a galeria abaixo e veja quais os musicais que se transformaram em clássicos, se tornaram responsáveis por influenciarem toda uma geração e contribuíram em avanços significativos para a arte cinematográfica. Confira:

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Lionsgate]

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