Séries

‘Last Chance U’ expõe fragilidades e tensões na 2ª temporada

A série documental Last Chance U, que acompanha o cotidiano de jogadores da Liga Júnior de futebol americano da East Mississippi Comunity College (EMCC), foi uma das gratas surpresas do ano passado. Emocionante ao revelar as dificuldades que muitos desses atletas passam para chegarem nas ligas maiores que os aproximem de um contrato na NFL, a 1ª temporada (leia a resenha) foi responsável por nos fazer torcer por alguns deles (casos de Ronald Ollie e Dejay Miller) enquanto também revelou a personalidade controversa do treinador Buddy Stephens, que tem números expressivos em dez anos no comando técnico da equipe, mas uma metodologia de trabalho questionável.

É justamente esse o ponto de maior crítica que a 2ª temporada de Last Chance U tenta trazer, ainda que contemporize as desavenças e brigas do time que dessa vez se agravaram em relação ao primeiro ano. A arrogância pode ter sido um dos motivos do time ter ficado de fora do ranking que classifica as duas primeiras equipes para a disputa do Campeonato Nacional. Mas mais importante do que acompanhar a trajetória da EMCC atleticamente, Last Chance U torna-se melhor quando nos envolve nas vidas dos jogadores. Mas essa temporada teve problemas.

O poder da câmera pode se traduzir tanto positivamente quanto negativamente. No caso de Last Chance U fica claro que a presença de uma equipe de filmagens filmando vestiário, treino e aulas fazem com que os jogadores muitas vezes deixem a impressão de que estão mais atuando do que vivendo como são de verdade. A naturalidade que funcionou tão bem na 1ª temporada ganhou aqui contornos dramáticos mentirosos, de jogadores querendo aparecer ao invés de se preocuparem com o que realmente importa. Afinal de contas, é o futuro deles que está em jogo. Mas a maior parte deles não parece entender muito bem isso.

Last Chance U conseguiu melhores momentos justamente quando resolve sair um pouco do ambiente da EMCC. Em um capítulo, por exemplo, as filmagens acompanham o pior time da liga, que fica em uma cidade vizinha a Scooba (sede da EMCC), e que vive uma espécie de maldição ao acumular derrotas há três anos desde que uma adolescente foi morta em um lago próximo à faculdade. Last Chance U faz um contraponto interessante ao acompanhar os jogadores dessa faculdade que, ao contrário daqueles que foram recrutados pela EMCC, vivem na incerteza sobre o futuro deles como jogadores já que não são procurados por nenhuma universidade.

A série também consegue boas histórias quando acompanha a orientadora Brittany Wagner, outra grande personagem junto com alguns jogadores da 1ª temporada que chegaram a ser escolhidos por universidades importantes nos EUA. Ao contar histórias como essas Last Chance U relembra os bons momentos do ano de estreia, além de deixar de lado a soberba e arrogância de um plantel de jogadores que visivelmente se sentiram estrelas por estarem sendo filmados para uma série da Netflix. Ficaram tão preocupados em aparecer para a audiência que alguns chegaram a esquecer do real objetivo de estarem ali. E por um lado quase que Last Chance U fez o mesmo, se salvando com alguns bons episódios no final que fazem essa temporada também valer a pena de ser assistida.

Assista o trailer:

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