Música

Leonard Cohen morre aos 82 anos

As primeiras notícias sobre a morte de Leonard Cohen começaram a surgir no início da madrugada nas redes sociais. Mas foi uma mensagem no Facebook oficial do cantor (veja abaixo) que confirmava a notícia: aos 82 anos, Leonard Cohen estava deixando esse mundo em um ano que já levou David Bowie, Prince, Alan Rickman, Harper Lee, Muhammad Ali, Gene Wilder, Domingos Montagner, e tantos outros.

Um artigo escrito por David Remnick, quando se encontrou com Leonard Cohen em seu apartamento em Los Angeles alguns dias para sessões de entrevistas, e publicado recentemente pela revista The New Yorker, traça um perfil completo, profundo e que dá a chance de nos mostrar como ele passou essas últimas semanas.

Lançado esse ano You Want It Darker (2016), que agora vem a ser o seu último disco, Cohen começa a cantar a faixa-título que abre o CD sem esconder dos seus fãs a enorme percepção de que se tratava realmente de um último disco, aquele suspiro final que David Bowie também o fez em Blackstar – e a sua voz inconfudível arrepia logo nos primeiros versos, como se ouvíssemos a voz de um querido amigo que está distante e que tanto nos conforta.

Leonard Cohen estava mesmo pronto para morrer. Na canção ele diz “I’m ready, my lord”. Em outra, “Leaving the Table”, ele diz “I’m out of the game/I don’t know the people/In your picture frame”, ou em “Travelling Light” quando o tema mais uma vez permeia a sua narrativa ao dizer “It’s au revoir/My once so bright/My fallen star”. E esse sentimento sobre a morte e a ideia de finitude da vida continua em todas as canções do álbum.

Um outro momento marcante contribuiu para ultapassar a barreira dessa percepção sentida em You Want it Darker. Foi quando Cohen soube da morte da sua musa Marianne Ihlen (da canção “So Long, Marianne”, e tantas outras), diagnosticada com leucemia e morta aos 81 anos algumas semanas depois de iniciar o tratamento. Cohen escreveu um e-mail emocionante (que se tornou público) e, de certa forma, antecipou que a sua morte também estava próxima.

Bem, Marianne, chegamos a esta época em que somos tão velhos que nossos corpos caem aos pedaços; acho que seguirei muito em breve. Saiba que estou tão perto de você que, se estender sua mão, acredito que poderá tocar a minha. Você bem sabe que sempre a amei por sua beleza e sua sabedoria, mas não preciso me estender sobre isso, já que você sabe tudo. Só quero lhe desejar uma boa viagem. Adeus, velha amiga. Todo o amor, a verei pelo caminho.

Após a longa turnê que terminou em 2013, quando o cantor canadense fez exatos 387 apresentações ao redor do mundo, Leonard Cohen já vinha sofrendo com a saúde debilitada, com problemas severos para se locomover pelo apartamento que dividia com a sua filha em Los Angeles, no bairro de Wilshire. A família de Leonard Cohen confirmou, aliás, que o funeral será na cidade nesta sexta-feira (11).

Toda a gravação de You Want It Darker foi realizada nesse apartamento pelo filho de Leonard Cohen, Adam Cohen, que foi chamado pelo pai para ajudá-lo a terminar o disco após problemas pessoais terem feito com que seu produtor dos dois últimos CDs, Patrick Leonard, precisasse se afastar. Em um artigo da Rolling Stone, Adam descreve que o microfone foi instalado em uma mesa da cozinha e a sala tomada por cabos e computadores, além de ter comprado uma cadeira ortopédica “desenhada para acomodar alguém que passe muitas e muitas horas sentado nela, sendo possível dormir, comer e fazer de tudo”.

Foi dessa forma que Leonard Cohen conseguiu finalizar o seu disco, sabendo que precisava se apressar para ter o tempo necessário de lançá-lo porque suas condições médicas já lhe indicava que ele não teria mais tanto tempo assim. Sua última aparição, acompanhado do seu filho Adam, foi num evento em Outubro no Canadá.

[Crédito da Imagem: Divulgação]

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