Vida

Lily Tomlin quer ver atores e atrizes mais velhos no cinema e na TV

Essa é a sétima vez que a atriz Lily Tomlin recebe indicações para o Globo de Ouro, duas só neste ano – uma pelo seu trabalho na série Grace e Frankie (segunda temporada estreia neste ano, enquanto que a série já foi renovada até o terceiro ano) da Netflix, outra pelo filme indie Gradma (Vovó, em tradução livre) que conta a vida de três mulheres de gerações diferentes, com toda sua complexidade.

Lilly Tomlin vive Elle Reid, uma senhora que perdeu a sua parceira com quem viveu por 38 anos. A partir disso ela se fecha pro mundo, se torna antissocial e reage a todo mundo com um humor bem ácido. Mas tudo isso muda quando a sua neta pede ajuda e as duas partem em uma viagem que fará com que elas cresçam, cada uma à sua maneira. O filme foi exibido nos festivais de Sundance e Tribeca em 2015.

Assista o trailer:

Em entrevista ao Deadline, Lily Tomlin falou sobre o atual momento da indústria em relação aos temas e papéis que têm aparecido com mais regularidade em algumas produções. Além disso, Tomlin também falou sobre o seu papel como Frankie, na série Grace and Frankie, que volta neste ano para a segunda temporada.

Traduzimos as partes mais legais da entrevista. Leia abaixo:

O que você acha sobre o atual perfil da indústria em termos de possibilidades de papéis para atores mais velhos?

Eu acho que a partir do momento em que o público perceber potencial em grupos de pessoas mais velhas ou pessoas com quem normalmente não estão familiarizadas, então os criativos vão começar a fazer ajustes para incluí-los também nas produções. Eu fiz um monte de mães nos últimos quatro anos. Então fiz o papel de uma avó na série NCIS e ela era uma pessoa muito forte, capaz e produtiva. Eu acho que assim que as mulheres atuarem em papéis além do estereótipo ao qual foram relegadas, então as pessoas vão refletir isso na escrita desses papéis.

Como você se sente em fazer o papel de uma avó?

Eu amo porque é irônico que eu esteja fazendo o papel de uma avó, que é o que eu sou, e estou nos meus 70 anos, mas também tenho minhas próprias opiniões. Eu não fico apenas sentada no canto e meus netos ficam jogando fósforos em mim, ou qualquer coisa do tipo. (rsrs)

Eu e Jane estávamos muito animadas em conseguir esses papéis porque, antes de tudo, era uma oportunidade de trabalho e de fazer alguém da nossa idade que estivesse passando por uma situação minimamente interessante. Marta Kauffman foi capaz de reunir atores mais velhos para papéis homossexuais e atrizes mais velhas para mulheres maravilhosas. Primeiramente, a gente queria fazer isso de forma humana, real e engraçada.

Se fosse uma história realista, seria tocante ao mesmo tempo. Nós já terminamos a nossa segunda temporada e já começamos a trabalhar em mais situações com as quais pessoas mais velhas irão se relacionar e quão desanimador isso pode ser. A gente tocou nisso no primeiro ano, mas agora a gente construiu a segunda temporada com base nisso. Agora nós temos o desafio da terceira temporada, que deve ser começada em um mês ou dois. A gente só quer poder mostrar que não é impossível estar vivo e forte e tudo mais que as pessoas não esperam estar nessa idade.

Como é fazer o papel de Frankie para você?

Eu acho que sou uma atriz mais institiva. Eu sei quem eu devo ser, e a designer de costumes (Allyson B. Fanger) também me ajuda. Ela criou um look interessante para mim com roupas que apenas Frankie teria. Mas é mais transportar minha própria experiência de vida para a mesma área de experiências que Frankie está passando. Eu encontro uma memória sensorial que funciona para mim até que fique obsoleta, mas é a graça de fazer – e a dor de fazer. Jane sabe as falas dela de trás para frente e eu meio que tenho uma ideia geral de como as minhas são.

A gente não muda as falas, mas elas chegam para mim no devido momento, então meio que isso me ajuda. Quando a gente está ensaiando com as câmeras, eu sei minhas falas, mas não de cor, no entanto no palco ou no teatro, eu tenho que saber toda a história ou para onde eu vou em algum ponto. Quanto mais velha eu fico, eu entendo que tenho apenas que confiar em mim mesma. E eu acho que sei quem Frankie é ou alguma parte dela.

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