‘Loving’ retrata história de amor interracial no auge da tensão dos Direitos Civis

Outro dia eu estava assistindo os tradicionais Roundtables da revista The Hollywood Reporter e a cineasta Mira Nair (diretora do filme A Rainha de Katwe) disse algo que, apenas avaliando como cinéfilo, me pareceu essencial (apesar de óbvio) quando assistimos um filme: “olhar naquele pequeno escopo, aquele bem estreito buraco, e saber sobre o que a história realmente se trata”.

Quando penso no filme Loving, dirigido por Jeff Nichols (O Abrigo) e disponível no serviço de streaming da Amazon Prime, tudo o que consigo pensar é na luta do casal Richard (Joel Edgerton) e Mildred Loving (Ruth Negga, indicada ao Oscar desse ano como Melhor Atriz) para viverem o relacionamento deles e serem aceitos numa sociedade que os proibia de estarem juntos, uma bela história de amor contada nessa cinebiografia inspirada em fatos reais.

No auge da tensão dos protestos e manifestações que marcaram os Direitos Civis nos Estados Unidos, o filme de Mike Nichols conta a história de amor entre um homem branco e uma mulher negra no Sul dos EUA, onde havia leis bem claras de segregação entre as “raças que, se criadas separadamente por Deus, devem ser mantidas separadas”. Por causa disso eles nunca podiam ser vistos juntos. Mas eles são denunciados, presos pela polícia, julgados e obrigados a viverem por 25 anos longe da cidade onde cresceram e onde toda a família estava.

Foto: Divulgação/Focus Features

A luta deles é por justiça e para rever essa sentença, levando o caso inclusive até a Suprema Corte depois que Martin Luther King se envolve e cuja influência ajuda a dar-lhes uma defesa apropriada. Loving é de fato uma linda história, mas muito dessa beleza é credita ao dois atores principais, Joel Edgerton e Ruth Negga. A maneira contida como Jeff Nichols conduz a narrativa combina com a sintonia da expressão isolada e de remorso de Edgerton, cuja atuação lembra a de Heath Ledger em Brokeback Mountain, em contraste com o olhar determinado e esperançoso de Negga. Isso empresta um sentimento de esperança genuíno ao filme. Ambas as atuações são claras em conseguir nos fazer perceber isso e também em acreditar.

Se eu ver novamente a cena de Edgerton quase perto do fim declarando finalmente como ele se sente perante todo o medo e constrangimento que precisaram superar, é capaz que eu caia em lágrimas de novo. É lindo, é honesto. E da Ruth Negga pode-se também dizer o mesmo. O filme comete alguns deslizes, como quando torna algumas sequências muito óbvias já anunciando o que vai acontecer, além de seguir também uma montagem tradicional e certinha demais. Mas isso não impede que Loving seja um filme eficiente ao retratar o ambiente hostil daquela época, ambientado em uma sociedade que não queria ver negros e brancos juntos frequentando o mesmo lugar – e quem dirá a mesma cama, a mesma casa.

Loving é um filme sobre uma bela história de amor, apesar de toda essa luta para ter o casamento legalizado e o relacionamento “aceito” (por parte dos outros porque eles já haviam aceitado entre eles mesmos), companheirismo e total entrega de duas pessoas que sabiam que só poderiam ser felizes se estivessem juntas. Assista o trailer:

Loving (Loving, 2016)
Direção: Jeff Nichols
Roteiro: Jeff Nichols
Elenco: Joel Edgerton, Ruth Negga, Will Dalton, Michael Shannon, Alano Miller e Chris Green.
Duração: 123 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Focus Features]

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