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‘Maniac’: após três episódios a única certeza é a de querer assistir mais

Quando parto para escrever um texto sobre o que estou assistindo a primeira coisa que eu busco é referência, isto é, outras obras que eu assisti e trataram daquele mesmo tema – ou que chegaram próximo. Demorei para achar qualquer ligação assim com Maniac, minissérie que estreou na Netflix Brasil na última sexta-feira (21) e cuja melhor expressão para definí-la é chamá-la de “evento televisivo”. Porque não é todo dia que se consegue reunir um elenco com Emma Stone e Jonah Hill sendo dirigido pela mente brilhante do cineasta Cary Joji Fukunaga (True Detective, Beasts of no Nation e Jane Eyre) – recentemente apontado como o diretor de Bond 25 após desistência de Danny Boyle.

A trama de Maniac é até fácil de explicar: Owen (Jonah Hill) e Annie (Emma Stone) estão buscando um significado para as suas vidas enquanto convivem com traumas que os perseguem. Owen é esquizofrênico e membro de uma família rica de Nova York. Talvez por sua doença, entretanto, é constantemente escanteado pela família. Já Annie luta para superar um trauma familiar. Ambos encontram em um experimento de três dias da gigante Neberdine Pharmaceutical and Biotech uma droga que (supostamente) resolveriam seus problemas.

É aí que toda a “viagem” começa e aquilo que você acha que é, bem, não tem nada a ver. Não importa se o teste é arriscado (pessoas estão morrendo após o experimento). Vale tudo para esquecer (ou se livrar) dos problemas. As habilidade de Fukunaga e o roteirista Patrick Somerville (The Leftovers) entram em cena neste momento, quando misturam (embaralham) as narrativas e fazem Annie e Owen serem outras personas fora do que eles se apresentaram previamente. Isso cria um caos organizado na série, ainda que não saibamos exatamente onde Maniac quer chegar (o que é bom).

Voltando ao tema de “buscar uma referência”, a que mais fez sentido para mim foi do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), quando Clementine e Joel buscam também um experimento para esquecerem seus problemas (ou fingirem que nunca existiu) – o qual, naquele momento, era uma crise no relacionamento. Maniac, no entanto, quer “explodir” mais a cabeça do seu espectador. Se os seus personagens questionam a própria realidade deles mesmos, Maniac quer (ou ao menos tem a pretensão) que façamos o mesmo questionando as narrativas que eles criam influenciados pelos efeitos de uma droga que ninguém sabe exatamente para o que serve – talvez só o cientista que a criou, o excêntrico Dr. James Mantleray (Justin Theroux).

Como se sabia pouco sobre a série antes do lançamento, a sensação é a mesma após os três episódios que já assisti. Mas estou comprometido com a viagem. Quero saber até onde Maniac vai me levar, ainda que eu não faça a menor ideia de onde seja este lugar.

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