Cinema

‘Mulher Maravilha’ traz o frescor que a DC Comics precisa para voltar a ser relevante

Desconfiança é a melhor palavra para definir qualquer expectativa sobre Mulher Maravilha – ou sobre qualquer filme da DC Comics. Nos últimos anos o estúdio não só se manteve atrás da Marvel em suas produções, como também entregou filmes de pouca qualidade (o pior deles talvez seja Batman vs Superman, mas essa é uma outra discussão). Por isso, quando a sessão de Mulher Maravilha chega ao fim o sentimento que permanece é de finalmente poder ver um bom filme da DC na tela – e melhor ainda que tenha acontecido como uma super-heroína.

Mulher Maravilha traz um frescor necessário à DC Comics após tantos fracassos. Dirigido pela cineasta Patty Jenkins (responsável pelo ótimo Monster: Desejo Assassino e por alguns episódios da série The Killing), Mulher Maravilha consegue estabelecer um universo próprio à personagem ao invés de apenas usá-la como coadjuvante em histórias como a de Batman vs Superman e no filme da Liga da Justiça, que ainda será lançado no próximo ano.

O roteiro escrito por Allan Heinberg, que fez carreira na TV escrevendo para The O.C e Gilmore Girls, parte do início para contar a trajetória de Diana (Gal Gadot, que tem limitações mas não compromete), uma princesa Amazona que vive numa ilha ocupada apenas por mulheres guerreiras. Desde criança o seu destino foi traçado, ainda que sua mãe, a rainha Hipollyta (Connie Nielsen), tente lhe proteger e postergar o treinamento que a sua tia, a general Antiope (Robin Wright), planeja já como preparação para Diana desenvolver suas habilidades e enfrentar o mal.

Foto: Divulgação/Warner Bros.

A pacífica ilha se transforma quando o piloto e espião Steve Trevor (Chris Pine) cai acidentalmente no lugar. É assim que Diana toma conhecimento da Segunda Guerra Mundial que está dizimando a humanidade, que para ela é uma manifestação do Deus da Guerra, Ares, filho de Zeus e, como ela descobre, o seu irmão. Claro que a história originalmente escrita pelo quadrinista William Moulton Marston “viaja” um pouco e o interesse do filme é de também ser fiel aos quadrinhos nesse sentido. Os absurdos ganham contornos de comédia a partir da relação que Diana e Steve estabelecem, conferindo leveza a um roteiro que não foi escrito para nos fazer acreditar em nada disso, mas apenas mesmo para divertir.

E se tem uma coisa que Mulher Maravilha consegue é nos causar divertimento durante pouco mais de duas horas (poderia ser um pouco menos). A diretora Patty Jenkins demonstra segurança em conduzir a história, principalmente nas sequências de ação ao mover a câmera sem nunca nos deixar perdidos sobre o que acontece no espaço (um erro, aliás, cometido em muitos momentos pelo diretor David Ayer no péssimo Esquadrão Suicida). Já o roteiro de Heinberg aposta na fórmula que ficou conhecida pela Marvel de trazer um tom de humor para a história, mas não comete excessos como as franquias do estúdio de Os Vingadores vem cometendo – apesar de Mulher Maravilha perder um pouco de força no terceiro ato do filme por causa do excesso de efeitos especiais que o torna superficial.

Foto: Divulgação/Warner Bros

Mulher Maravilha é certamente um filme que a DC Comics precisava fazer para voltar a chamar atenção. Mas mais importante do que pensar nessa disputa entre os dois grandes estúdios de super-heróis hoje em Hollywood, Mulher Maravilha é ainda mais necessário por levar a representatividade da mulher para o cinema, trazendo também uma diretora para realizar o filme ao invés de colocá-lo nas mãos de um homem. Não há como negar as diferenças de abordagem que isso causaria já que Mulher Maravilha faz piadas com o universo feminino, como na cena que Diana se empolga quando vê um bebê, e com o romance entre os dois com diálogos que constrangem Steve sem nunca deixar que soem como algo fora do tom estabelecido. Isso garante que o filme não coloque a mulher como objeto ao lhe conferir traços humanos essenciais que nos fazem engajarmos na narrativa.

Essas decisões corretas garantem um impacto positivo ao filme, além de ter um arco narrativo bem construído e de conseguir estabelecer finalmente uma história que pode transformar Mulher Maravilha em uma franquia que vamos querer acompanhar daqui pra frente.

Assista o trailer:

Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017)
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Allan Heinberg
Elenco: Gal Gadot, Connie Nielsen, Robin Wright, Chris Pine, Danny Huston, David Thewlis, Said Taghmaoui e Ewan Bremmer.
Duração: 141 minutos

[Crédito da Imagem de Capa: Divulgação/Warner Bros.]

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