Séries

‘Na Rota do Dinheiro Sujo’ é provocativa e chocante

Pesquisando no final de 2017 sobre algumas produções que seriam lançadas em 2018 para as listas do que eu queria assistir no ano, me deparei com a série documental Na Rota do Dinheiro Sujo, disponível na Netflix há pouco mais de uma semana. Não sabia do que se tratava, mas tinha o nome do documentarista Alex Gibney como um dos diretores e produtor-executivo, o que já foi suficiente para chamar a minha atenção. Responsável por dois dos melhores documentários que assisti nos anos 2000, Um Táxi para a Escuridão (2000) e Enron: Os Mais Espertos da Sala (2005), Gibney provoca em Na Rota do Dinheiro Sujo os mais revoltantes sentimentos de impunidade.

Dividido em seis episódios, onde cada capítulo é focado em uma organização que utilizou de ações antiéticas para enriquecer, Na Rota do Dinheiro Sujo vicia ao mesmo tempo que nos alerta das práticas corrosivas e gananciosas conduzidas por cada uma dessas instituições. São esses os termos que guiam a narrativa de cada episódio e nos deixando à medida que passa mais e mais horrorizados.

A temporada começa com a Volkswagen adulterando resultados do seu sistema de Diesel TDI usado em veículos ao redor do mundo e vendido como uma tecnologia limpa (o que não era verdade), estuda o caso da HSBC e como o banco se transformou na instituição preferida das organizações terroristas e cartéis de drogas, analisa a indústria farmacêutica dos Estados Unidos e dos créditos consignados, para finalmente desembocar nos negócios do atual presidente Donald Trump e seu discurso mesquinho e mentiroso ao vender sua ideia de riqueza e de ser bem sucedido.

Na Rota do Dinheiro Sujo não é um documentário fácil de assistir – e nem poderia. O mais impressionante, e que não deveria ser surpresa alguma, é como alguns dos culpados e que foram entrevistados em alguns episódios conseguem dizer que nada do que fizeram foi errado – até quando tentam burlar as leis estaduais utilizando as tribos indígenas para operarem e funcionarem como empresas de fachada para seus negócios. É algo que realmente revolta, mas essa é a intenção da série mesmo. Como cada episódio é dirigido por um cineasta diferente, isso garante a pluralidade da narrativa e mostra como cada diretor abordou o seu tema de forma diferente.

Finalmente, Na Rota do Dinheiro Sujo é um documentário atual, rico em detalhes e que, graças a essa diversidade de plataformas produzindo conteúdo, vai conseguir atingir um enorme público e mostrar a sujeira que muitos desses negócios que parte da mídia tenta desesperadamente vender como bem sucedidos e admiráveis não passam de empresas fraudulentas e desonestas. Assista o trailer:

4 Comentários

  • Vivaldo

    Interessante observar nesta série as denuncias mais contundentes são contra a Volkswagen, alemã; HSBC, chinesa e Laboratórios Valeant, canadense e outros. Contra os americanos, só fichinhas. Bem fascistas, vocês não acham?

    • DANIEL SILVA

      Pelo contrário colega. Cinco episódios são sobre as empresas americanas. Por mais que a volks seja alemã, a crítica é sobre a volks americana. Sobre o HSBC, a crítica é sobre a holding chino/inglesa mas com foco na operação americana. Os empréstimos são de empresas americanas, o indústria farmaceutica é americana, o trump é americano. Só o roubo do maple syrup é canadense.
      A séria esculacha as relações antiéticas de corporações americanas.

      • Vinícius Silva

        Exatamente. E vamos lembrar que o documentarista que fez a série é aquele mesmo que fez um documentário sobre a falência da Enron. Tudo o que está colocado ali é criticando justamente essa posição antiética de empresas americanas, inclusive deixando o dinheiro do tráfico ser lavado.

    • Vinícius Silva

      Vivaldo,

      Tudo bem, as empresas que você citou algumas são de outros países. Mas todas as relações antiéticas foram disseminadas nos Estados Unidos e é isso que o documentário critica.

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