Não sei você, mas estou cansado de super-heróis

Assisti no final de semana Esquadrão Suicida. Confesso que eu tinha uma expectativa enorme para o filme. Como diz no meio cultural, o marketing fez o trabalho certinho e criou essa curiosidade em muita gente que, após ver o resultado do filme, se vê com um sentimento de desapontamento. Foi o que aconteceu comigo, mas minha discussão foi um pouco mais profunda comigo mesmo. Descobri que estou de saco cheio de filmes/produções de super-heróis.

Isso já vem de um tempo. Desde a trilogia Batman que nada lançado sobre super-heróis me empolga (eu precisaria colocar um asterisco aqui porque tenho gostado muito das séries da Netflix, mas estou falando mais sobre o cinema nesse momento).

Quando assisti Batman vs Superman, percebi que já estava ficando de saco cheio muito também por causa de Os Vingadores e todo essa balela de universo expandido da Marvel que me deixa incomodado, porque tudo vira uma justificativa para incluir mais heróis e fazer com que as produções se perpetuem. Afinal de contas, o importante é fazer dinheiro.

Agora, a DC Comics está logicamente indo pelo mesmo caminho porque percebeu que está ficando para trás. Batman vs Superman deu o pontapé inicial para introduzir a Liga da Justiça e Esquadrão Suicida deu uma espécie de motivação para a existência dessa liga. Meu problema particular com esses filmes é o que o crítico Pablo Villaça falou recentemente em seu videocast. Não há sequências em Esquadrão Suicida que sejam memoráveis – e vale o mesmo para Batman vs Superman, X-Men: Apocalipse e também os últimos Superman (sendo que mais um longa foi anunciado há poucos dias).

Pensei em incluir Capitão América: Guerra Civil na lista, mas confesso que foi um filme que gostei (e ainda não vi Deadpool, um erro que pretendo reparar em breve) apesar de me deparar novamente com um novo Homem-Aranha que sofrerá mais um reboot e assim os filmes, forçando para continuarem colocando esses heróis nos holofotes porque isso dá dinheiro e movimenta a indústria, ganham remakes e reboots que se mostram desnecessários e sem propósito.

Mais um reboot do 'Homem-Aranha' e mais um 'Homem de Aço'. Preparados?
Mais um reboot do ‘Homem-Aranha’ e mais um ‘Homem de Aço’. Preparados?

O guru Robert McKee diz em seu livro “Story” que “estórias envolvem personagens em conflitos sociais com o mundo físico, nos relacionamentos pessoais e em conflitos com eles mesmos, em suas próprias naturezas”. Eu sei, parece pretensioso demais citar Robert McKee para falar sobre o por que de eu estar de saco cheio de super-heróis, mas acredito que toda boa história precisa partir dessas premissas (ou ao menos precisa se cercar delas porque, a partir daí, as chances de sair uma boa história são maiores).

E isso é justamente o que não vemos em grande parte desses filmes, onde a destruição e os efeitos visuais servem apenas como um suporte para a grandiosidade do filme enquanto que a história (o roteiro) é deixado em segundo plano. Em X-Men: Apocalipse, quando os roteiristas Simon Kingberg e Bryan Singer construíram esses conflitos em torno do Magneto vivido pelo ator Michael Fassbender para justificar a sua presença na guerra, vimos uma faísca do quanto isso é importante dentro do roteiro.

O espectador cria uma afinidade com o personagem e isso o faz querer acompanhá-lo em sua jornada (que o próprio McKee chama de incidente excitante). Um outro bom exemplo disso nos filmes recentes da franquia X-Men é no afastamento entre Magneto e Dr. Xavier, que quando parecem que irão unir suas furças acabam por se afastarem por terem visões diferentes de mundo. Esses esforços são realmente louváveis. E em muitos filmes parece que falta coragem de ir mais fundo nisso, de não ficar apenas na superfície e arriscar.

Claro, os filmes de super-heróis vão continuar sendo produzidos aos montes e levando um público massivo aos cinemas (não posso afirmar que estarei presente nas salas de cinema em todos eles). Mas todos esses filmes cansam. Não há mais originalidade. E até mesmo o Batman, que deu tão certo nas mãos da competente dupla Nolan/Bale, está seguindo esse mesmo caminho da mesmice. Quero filmes de super-heróis. Mas, acima de tudo, quero que me contem uma boa história.

[Crédito da Imagem: Divulgação]

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