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‘Narcos: México’, a história por trás da série

Pode até ser uma coincidência, mas talvez Narcos: México não tivesse melhor hora para estrear do que esta em meio ao julgamento de El Chapo, o maior narcotraficante do mundo, que começou em Nova York há uma semana cercado de um forte esquema de segurança. Extraditado para os Estados Unidos no ano passado, El Chapo é o líder do Cartel de Sinaloa, formado a partir de uma ruptura com o cartel de Guadalajara.



Essa cisão está diretamente ligada ao tema da quarta e nova temporada de Narcos. Mas para falar dela é preciso primeiro começar pelo “chefe dos chefes”, como era conhecido Miguel Ángel Félix Gallardo, fundador do poderoso Cartel de Guadalajara e que na série Narcos: México é interpretado pelo ator Diego Luna (Rogue One: Uma História Star Wars). Sem a estrutura montada pelo Cartel de Guadalajara nos anos 70 e pelo seu chefe Gallardo, não haveria nada parecido a um “império do narcotráfico”, ou sequer qualquer fascínio que explicasse a fama que os narcotraficantes passaram a ter desde os tempos de Pablo Escobar – com seus nomes figurando, inclusive, em listas de bilionários da revista Forbes.

Em entrevistas recentes para divulgar o programa, Diego Luna disse que decidiu participar da série porque “ao contrário do que acontece com outros personagens, dos quais você pode se apaixonar em todos os sentidos, com estes não tem como acontecer e essa foi a minha decisão em termos de assumir uma posição”, disse o ator tentando defender Narcos: México das críticas de fazer apologia ao narcotráfico.

Além de tratar do nascimento do cartel de Guadalajara, Narcos: México pretende narrar também sua ascensão durante a década de 80, a qual obrigou os Estados Unidos a criarem a DEA (Administração Federal Antidrogas), agência que deu início à guerra como vemos hoje às drogas. Narcos: México promete se concentrar nas tentativas frustradas dos agentes da DEA em tentarem impedir as ações do cartel de Guadalajara, uma cidade estratégica para abastecer a Colômbia com maconha e cocaína através do Rio Bravo, o mesmo que Javier Peña (Pedro Pascal) observa ao fim da terceira temporada.

Mas agora acompanharemos um outro agente, o investigador da DEA Enrique ‘Kiki’ Camarena (Michael Peña, de Homem-Formiga), que conseguiu se infiltrar no cartel de Guadalajara na década de 80. Seu trabalho resultou na principal operação da DEA em solo mexicano até então, quando ele desmantelou uma gigantesca plantação de maconha da organização. Isso representou um grande golpe econômico contra a rede, que torturou muitos de seus empregados para conhecer o nome de quem os havia prejudicado tanto: Enrique Camarena

Em represália, em fevereiro de 1985, assassinos de aluguel sequestraram o agente e o piloto com quem sobrevoava as plantações da droga. Os corpos foram encontrados semanas mais tarde em um rancho próximo à fronteira, onde haviam sido submetidos a torturas que os levaram à morte.

Essa é a história que Narcos: México pretende contar em sua quarta temporada, ao mesmo tempo que não só acontece o julgamento de El Chapo, mas coincide também com os esforços da DEA em prender novamente Caro Quinteros, conhecido como “narco dos narcos”, apontado como um dos mandantes do assassinato de Kiki Camarena (Gallardo continua preso acusado do mesmo crime). Ele recebeu em 2013 um indulto e foi libertado da prisão de segurança máxima em Jalisco. Seu paradeiro é desconhecido desde então, ainda que a polícia americana se diz certa de que o narcotraficante está sendo protegido pelo governo corrupto do México e voltou a comandar o cartel de Sinaloa, assumindo o lugar de El Chapo.

É nesse sentimento de impunidade e corrupção que Narcos: México estreia na sexta-feira, 16 de novembro, em dez novos episódios cuja importância os atores Diego Luna e Michael Peña têm feito questão de salientar. “Este é um bom caso para começar a nos perguntarmos o quanto todos nós estamos envolvidos juntos no problema, porque uma vez reconhecermos isso, então todos poderemos fazer parte da solução”, disseram os atores durante um evento recente.

Ambos querem despertar um interesse na audiência, algo que Narcos vem construindo desde a primeira temporada. É esta mesma curiosidade que motiva a audiência de ir mais a fundo e pesquisar sobre o assunto para ler sobre isso, assistir documentários, entender a estrutura e o que é noticiado nos jornais. A jornada de Narcos: México possivelmente estará só começando.

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